Vendas de Natal e Ano-Novo vão crescer 3,5% nos supermercados gaúchos. Preços de itens típicos estão em média 1,6% mais caros que em 2016 Na ceia natalina, o produto apontado pelos gaúchos como aquele que não pode faltar é o peru/chester, enquanto no Réveillon a lentilha retomou a liderança que havia perdido para o espumante em 2016, embora seja uma disputa acirrada.

Vendas de Natal e Ano-Novo vão crescer 3,5% nos supermercados gaúchos. Preços de itens típicos estão em média 1,6% mais caros que em 2016

Em um cenário de pequena recuperação da economia, o setor supermercadista gaúcho projeta que as vendas de Natal e Ano-Novo terão um crescimento pequeno em vendas, na casa dos 3,5%, puxado sobretudo pela comercialização de produtos típicos para as festas de fim de ano nos dias imediatamente anteriores aos dois eventos – as tradicionais vendas de última hora. É o que aponta estudo desenvolvido pelo Instituto Segmento Pesquisas a pedido da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), no mês de outubro, que ouviu 20 supermercadistas e 200 consumidores de ambos os sexos e de diferentes classes sociais e faixas etárias em todo o RS. A pesquisa, que indica uma pequena retomada do crescimento de vendas para o setor, aponta ainda que os preços de produtos típicos para as festas estão em média 1,6% mais caros que no ano passado, índice abaixo da inflação brasileira no período. Segundo o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo, a pesquisa mostra um cenário de otimismo dos supermercadistas. “O crescimento físico das vendas será maior que o crescimento financeiro, mostrando que o consumidor está muito atento aos preços, e ao mesmo tempo buscando incrementar a sua ceia. Nossos indicadores mostram que o gaúcho dá importância semelhante o Natal e ao Ano-Novo, mas as vendas certamente vão se concentrar majoritariamente na última hora”, antecipa o dirigente. De acordo com Longo, 80% dos supermercadistas ouvidos pelo Instituto Segmento vão fazer algum tipo de promoção no período de festas.

 

Comodidade e conveniência são trunfos do setor – Assim como nos últimos anos, a pesquisa do Instituto Segmento mostra que o consumidor gaúcho aposta no supermercado como local prioritário para adquirir itens para as festas. “Cada vez mais sem tempo, o consumidor quer encontrar tudo o que precisa em um único local, desde presentes até os produtos para a ceia em família”, lembra Longo. Com relação à compra de alimentos e bebidas para as festas, 92,3% dos gaúchos preferem adquirir estes itens em lojas de supermercados. O estudo da Segmento mostra ainda que as famílias gaúchas vão gastar em média R$ 451,38 em alimentos para as festas. Segundo estimativas da Agas, o setor supermercadista gaúcho vai absorver cerca de R$ 2,6 bilhões dos cerca de R$ 13 bilhões (ou 20%) a serem injetados na economia gaúcha pelo 13º salário. “Neste sentido, alertamos para a importância do pagamento integral do 13º salário para o funcionalismo público na engrenagem que faz girar a economia. As famílias têm este direito e a economia precisa deste aporte”, sublinha Longo.

 

Na ceia natalina, o produto apontado pelos gaúchos como aquele que não pode faltar é o peru/chester, enquanto no Réveillon a lentilha retomou a liderança que havia perdido para o espumante em 2016, embora seja uma disputa acirrada:

 

 

O que não pode faltar no Natal Total (%)   O que não pode faltar no Ano-Novo Total (%)
Peru/Chester/Pernil 64,4   Lentilha 25,3
Panetone 5,4   Espumante 21,2
Cerveja 4,0   Churrasco 19,2
Frutas típicas (uva, romã e outras) 4,0   Carne Suína 12,3
Presentes 4,0   Cerveja 8,2
Outros 18,1   Outros 13,7

 

 

 

Preços similares vão oportunizar compras em maior volume – Praticamente iguais aos praticados nas festas do ano passado, os preços dos itens típicos vão proporcionar uma mesa mais farta nas ceias de Natal e Réveillon em 2017: somente as aves, os brinquedos e as carnes suínas tiveram aumento de preços superior a 3%.

 

Com relação às expectativas de comercialização, os produtos que deverão puxar o crescimento nas vendas são os eletroeletrônicos (expectativa de crescimento de 7,5%), além de refrigerantes, cervejas, roupas e eletrodomésticos (todos com 5%). Veja o quadro:

 

Produto Variação de preço (%) Expectativa crescimento de vendas (%)
Perus / Chester / Pernil 3,4 3,5
Brinquedos 3,1 4,6
Carnes Suínas 3,1 4,1
Especiarias (passas, nozes, castanhas) 2,8 3,6
Carnes Bovinas 2,6 4,1
Refrigerantes 2,5 5,0
Cerveja 2,3 5,0
Champanhes/ Espumantes 2,2 3,1
Produtos Alimentícios 2,1 2,9
Panetones 2,1 3,5
Peixes/ Bacalhau 2,1 2,7
Bombons 1,8 3,1
Presentes para a família 1,5 2,2
Artigos de bazar 0,9 1,8
Vinhos/ Bebidas Importadas 0,6 1,8
Bebidas destiladas (uísque, vodca) 0,6 1,7
Vinhos Nacionais 0,5 2
Roupas 0 5,0
Enfeites para decoração de Natal 0 2
Eletrodomésticos 0 5,0
Eletroeletrônicos 0 7,5
MÉDIA DAS FESTAS 1,60% 3,50%

 

 

OS PRODUTOS MAIS TRADICIONAIS

 

Espumantes – Indispensável nas comemorações do Ano-Novo, a bebida terá crescimento de 3,1% nas vendas, com a comercialização de 5 milhões de garrafas – 95% delas produzidas na Serra Gaúcha.

 

Panetones – Com um crescimento de 3,5% esperado nas vendas, cerca de 4 milhões de unidades de panetones serão vendidas pelos supermercados gaúchos neste fim de ano, o que deve representar 12% da produção nacional do produto. A comercialização de panetones industrializados novamente será bem maior que a de produtos artesanais, em função dos altos custos de produção com mão de obra e energia. “Haverá panetones para todos os gostos e bolsos. Nesta categoria há produtos que variam até 500% em seu preço, entre o panetone mais simples e o mais sofisticado”, avalia Longo.

 

Aves natalinas – A crescente concorrência neste segmento mais uma vez beneficiará os consumidores na compra de aves, que terão diversas opções de marcas, temperos e preços. Na avaliação de Longo, os gaúchos deverão novamente privilegiar os “frangões” e aves mais acessíveis e de preparo rápido. Ao todo, 850 mil aves (2,7 mil toneladas) serão comercializadas pelo setor.

 

Produto Quantidade vendida Faturamento para o setor
Aves natalinas (Peru, Chester, Tender, Frangão) 850 mil aves R$ 35,8 milhões
Panetones 4 milhões de unidades R$ 57 milhões
Espumantes e Champanhes 5 milhões de garrafas R$ 71,4 milhões

 

 

Bombons – Uma das tendências projetadas para as festas de fim de ano é a intenção dos consumidores de presentear cada vez mais pessoas do seu convívio. Neste contexto, as caixas de bombons serão a tradicional opção de presente de última hora para milhares de gaúchos: a estimativa da Agas é de que cerca de 6 milhões de caixas de bombons sejam comercializadas pelos supermercados, com um crescimento de 4,3% nas vendas em relação ao fim de ano de 2016. “Este será o item mais vendido no domingo, dia 24, véspera de Natal”, prevê Longo.

 

Setor proporciona compra de brinquedos e outros presentes – Atentos às necessidades dos consumidores, os supermercados também querem estimular a aquisição de presentes, além dos alimentos e bebidas, nas lojas do setor. Segundo Longo, o setor aposta em presentes de menor valor agregado. “Pequenos carrinhos e bonecas, flores, vinhos e caixas de bombons são presentes muito procurados no período”, sublinha. Segundo a pesquisa do Instituto Segmento, as roupas (46,1%) seguem sendo o presente mais procurado por esposas e maridos, seguidas de perfumes/artigos de beleza (25,8%).  Para quem deseja presentear crianças, os brinquedos são o produto mais procurado por 61% dos consumidores.

 

Com relação ao local preferido para a compra de presentes, os supermercados aparecem em quarto lugar na predileção dos consumidores, atrás de shoppings, lojas de departamentos e lojas de roupas. Ao todo, 18% dos gaúchos pretendem comprar presentes nas lojas do setor.

 

Consumidores querem pagar à vista – O receio do endividamento pode ser mensurado pela forma com que os gaúchos pretendem efetuar suas compras de fim de ano. De acordo com o Instituto Segmento, os pagamentos à vista mais uma vez serão majoritários, a exemplo do ano passado:

 

 

Como pretende pagar 2016  

2017

À vista 55,4% 55,5%
A prazo 44,6% 44,5%

 

 

Compras de última hora – Embora somente 51,5% dos consumidores admitam que vão realizar as compras para as festas na última hora, os supermercadistas estimam que pelo menos 60% das vendas de Natal e Ano-Novo serão efetuadas nos quatro dias antecedentes às festas. “O consumidor deve buscar uma antecipação nas compras, evitando as filas da última hora”, sugere Longo.

 

Representatividade das festas – A pesquisa do Instituto Segmento mostra que, neste ano, os produtos típicos de Natal e Ano-Novo vão representar em média 15,5% das vendas do setor em dezembro.

 

Vagas temporárias – A abertura de postos de trabalho em 2017 será semelhante ao mesmo período do ano passado. O Instituto Segmento apurou que 30% dos supermercadistas ouvidos indicaram que farão contratações de temporários para o período de fim de ano. Ao todo, serão criadas 3 mil vagas de trabalho temporário no setor para o período de Natal, Ano-Novo e veraneio. “Cerca de 15% destes temporários deverão ser efetivados”, sugere o presidente da Agas, lembrando que o segmento já emprega atualmente mais de 95 mil pessoas somente no Rio Grande do Sul.

 

Entraves para o crescimento – Perguntados sobre as maiores dificuldades para que o setor cresça, os empresários do ramo de autosserviço apontaram a carga tributária/ impostos altos (50%) como o principal entrave do setor. Manter os preços abaixo da concorrência (15%) é o segundo problema mais apontado pelos supermercadistas.

 

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