Porto Alegre, segunda, 17 de janeiro de 2022
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MUROS, PEDINTES E VENDA DE ÁGUA: AS DESCOBERTAS DA INDÍGENA QUE MUDOU PARA A CIDADE PARA 'ENTENDER A LEI DOS BRANCOS'

Detalhes Notícia

Na aldeia onde eu nasci, há 35 anos, a gente costumava pescar no lago, ir atrás de fruta. Aí a cidade cresceu. Veio uma máquina enorme, fizeram loteamento, desmataram tudo.

Naquela época, eu já participava de reuniões com os caciques, mas ia mais para conversar com as mulheres. Quando percebi que estavam retirando nossos direitos ao território, comecei a participar mais.

No passado, todo o vale do Tapajós até o que é hoje a cidade de Santarém (PA) era nosso, do povo indígena munduruku. Tem como dizer a um sabiá que não voe para outra terra porque lá tem dono? Não tem. O mesmo vale para um porcão ou para uma onça. A chegada dos homens brancos é que foi colocando limites.

Quando comecei a me envolver com a nossa luta, a maioria dos caciques não aceitava que as mulheres falassem nas reuniões. Elas tinham que ficar do lado de fora, se abanando, ou com os filhos. Hoje as mulheres pegam no microfone, e hoje os homens veem que as mulheres são quem mais protege.

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