Porto Alegre, quarta, 29 de junho de 2022
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Boletim da ARI de maio destaca morte de profissionais e censura ao jornalismo; do Coletiva.Net

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Tambor da Aldeia traz caso de jornalista Leonardo Pinheiro assassinado no RJ e ressalta cartilha da Abraji com a OAB, em defesa da imprensa

 

 

O boletim de maio da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) traz destaques impactantes. Publicado mensalmente, o último Tambor da Aldeia relata o assassinato de um jornalista, com três tiros, enquanto realizava entrevistas, em Araruama, interior do Rio de Janeiro. Leonardo Pinheiro trabalhava para o perfil do Facebook A Voz Araruamense e também era líder comunitário. Um inquérito foi aberto, mas ainda não foram realizadas prisões.

Um caso de violência parcialmente resolvido também é trazido no boletim. Um suspeito da morte do jornalista Maurício Campos Rosa, do jornal O Grito, de Santa Luzia, em Minas Gerais, foi preso. O homem irá a júri popular com outros sete acusados do crime ocorrido em 2017. Entre eles, está a então prefeita Roseli Pimentel. E na capital mineira, a polícia investiga pichações com ameaças contra jornalistas. As frases traziam mensagens como: “Jornalista bom é jornalista morto”.

Ataques à imprensa ainda foram registrados em outros pontos do País, conforme o Tambor da Aldeia. No Distrito Federal, a repórter Clarissa Oliveira, da Band TV, foi à polícia, após sofrer agressão de apoiadora do presidente da República. Já no Sergipe, o ex-senador Roberto Cavalcanti incitou o apedrejamento de jornalistas que divulgam mortes por Covid-19. E, no Rio de Janeiro, o âncora do Jornal Nacional, William Bonner, denunciou o que chama de ‘campanha de intimidação’, depois de receber mensagens com dados fiscais sigilosos seus e de sua família.

Notícias positivas também estão no boletim da ARI de maio. Entre elas, figura um convênio entre a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Além de orientar juridicamente jornalistas vítimas de ameaças e assédio online, a parceria ainda lançou uma cartilha com orientações aos profissionais. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também está mobilizada e disponibilizou, em seu portal, um espaço para denúncias de violência contra jornalistas, que serão encaminhadas aos órgãos competentes.

Nos países vizinhos, o boletim mostra que as preocupações são semelhantes. No México, Jorge Armenta, dono de dois veículos de imprensa, é o terceiro jornalista morto em 2020. Ele possuía proteção especial, devido às ameaças de morte.

E a rede Voces del Sur aponta que os jornalistas sofreram, ao menos, 87 ataques entre 1º de março e 21 de abril, na América Latina. Do outro lado do planeta, não é diferente. Na China, Zhang Zhan é o quarto jornalista a desaparecer após relatar atividades em Wuhan. A família descobriu que ele está em um centro de detenção.

Nos Estados Unidos, o Tambor da Aldeia chama a atenção para dois casos. O correspondente da CNN Omar Jimenez foi preso enquanto cobria os protestos contra a morte de George Floyd, um homem negro que foi sufocado por um policial. O caso repercutiu, pois o repórter, que estava exercendo sua profissão, também é negro e não foram concedidas explicações sobre a prisão. E os problemas norte-americanos seguem também com o presidente. Após o Twitter anexar alerta de conteúdo duvidoso nas postagens de Donald Trump, ele ameaçou regulamentar ou fechar companhias de mídia social que “sufocarem as vozes conservadoras”.

 

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