Porto Alegre, quarta, 29 de junho de 2022
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Luis Fernando Verissimo reflete sobre meio século de carreira como cronista, por Ubiratan Brasil/O Estado de S.Paulo

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'Triplicou o volume de coisas que as pessoas estão dispostas a acreditar, começando por filósofos astrólogos e mitos a cavalo', afirma o escritor em entrevista. O escritor Luis Fernando Verissimo Foto: AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO – 14/9/2016

 

 

No final dos anos 1960, a seção de gastronomia do jornal gaúcho Zero Hora chamava atenção não apenas pela qualidade das receitas sugeridas, mas, principalmente, pelo estilo talentoso e bem-humorado com que eram escritas. Não eram assinadas, mas logo se descobriu que eram de autoria de Luis Fernando, filho do grande romancista Erico Verissimo. Era o início do hoje consagrado escritor, cronista, cartunista, ficcionista, saxofonista, gourmet e torcedor fanático do Internacional, um dos grandes nomes da literatura brasileira.

E, a partir da primeira crônica assinada (em 19 de abril de 1969, também no Zero Hora), Luis Fernando Verissimo não parou mais, produzindo textos para diversos jornais do País – como o Estadão, para o qual escreve desde 1989. Uma amostra dessa fabulosa produção poderá ser saboreada em Verissimo Antológico – Meio Século de Crônicas, ou Coisa Parecida, que a editora Objetiva lança inicialmente apenas em e-book – ainda não há previsão do lançamento da versão impressa.

Trata-se de uma seleção com mais de 300 crônicas, justamente aquelas que não pereceram com o tempo. “A boa crônica mantém a atualidade não só porque desvela o passado, mas porque é boa literatura; e não raro, em alguns casos, volta a ser atual, mostrando que a história é também cíclica – são as ironias do tempo, diria Verissimo”, observa a editora Daniela Duarte, no prefácio.

Verissimo só começou a escrever aos 32 anos, depois de ter passado por várias escolas de arte e desenho, inacabadas; de ter tentado o comércio “só para reforçar o mau jeito da família”; e de ter passado por uma rápida carreira jornalística, de revisor e colunista de jazz a cronista.

Assuntos nunca faltaram, mas, ao longo do tempo, alguns temas foram mais recorrentes, como observa Daniela: recriações históricas, notadamente as da criação bíblica e as de grandes personagens da história mundial, relacionamentos amorosos, tramas policiais ou sátiras ao gênero, os flagrantes do dia a dia, a mística do futebol, o prazer da comida, a linguagem e as palavras, o posicionamento político e ideológico engajado, as reflexões sobre a condição humana e as hilárias previsões para o futuro.

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