Porto Alegre, sexta, 03 de dezembro de 2021
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RS: Obra de restauro da Casa Merlin foi inaugurada em Bento Gonçalves

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Patrimônio Histórico de Bento Gonçalves, a maior casa de pedra da região, a Casa da Memória Merlin foi restaurada por meio de um projeto que previu, também, novo uso de suas instalações. Foto de Rafael Varela

 

 

Patrimônio Histórico de Bento Gonçalves, a maior casa de pedra da região, a Casa da Memória Merlin foi restaurada por meio de um projeto que previu, também, novo uso de suas instalações. A inauguração ocorreu na manhã desta terça-feira (29), na Linha Palmeiro, com a presença da secretária de Estado da Cultura, Beatriz Araujo; do prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Siqueira; do secretário de Cultura do município, Evandro Soares; da presidente da Associação Caminhos de Pedra, Maristela Pastorello Lerin; de representantes da Oltramari Arquitetura, empresa responsável técnica e pela execução da obra; e da gestora cultural, Cristina Seibert Schneider.

A Casa da Memória Merlin tem espaço para exposições temporárias relacionadas à imigração italiana na região, bem como à memória do processo de construção da edificação e da família Merlin. Ao mesmo tempo, a edificação passa a ter uma finalidade cultural voltada às necessidades da comunidade, entre elas, ser sede da Associação Caminhos de Pedra que possui mais de 25 anos e mais de 70 associados, constituindo um roteiro turístico consolidado na região.

O local será sede, ainda, para a realização das atividades culturais desenvolvidas por grupos folclóricos, como o Grupo de Danças Folclóricas Italianas Caminhos de Pedra (adulto e infantil), Coro Caminhos de Pedra, Grupos de Flautas Doces, Grupo Teatral São Miguel e Banda Musical São Pedro.

A preocupação com a guarda do acervo das famílias dos descendentes dos imigrantes italianos e da própria edificação será contemplada com instalação de uma reserva técnica, uma sala de restauração e espaço para pesquisa.

A partir desta semana, o local estará aberto à visitação mediante agendamento.

Histórico da Casa da Memória Merlin

É a maior casa de pedra de toda a região. Conta, ao todo, com 43 aberturas, três pavimentos e um total de 400 m2 de área construída. A casa Merlin foi construída em duas etapas pelas mãos do imigrante Pietro Merlin. Ela foi rebocada nos anos 60. O reboco foi removido na década de 1980 por Alcides Merlin, permitindo que a mesma recuperasse a imponência e beleza originais.

Roteiro Turístico-Cultural Caminhos de Pedra

Descerramento da placa – Foto Rafael Varela

O roteiro foi declarado Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul por lei da Assembleia Legislativa do Estado em 2009. Antes, em 1987, um diagnóstico do patrimônio arquitetônico de Bento Gonçalves constatou que, no distrito de São Pedro, as sete pequenas comunidades das linhas Palmeiro e Pedro Salgado possuíam um amplo acervo de construções de pedra que remontavam à época da imigração e que os moradores ainda preservavam os costumes herdados de seus antepassados.

Em razão da falta de recursos dos imigrantes, muitas das residências haviam sido construídas com pedras de basalto, abundante na região, que eram recolhidas nos arredores e unidas com uma mistura de palha, barro e estrume de animais para formar as paredes. As casas resistiram ao tempo, mas, aos poucos, passaram a ser cobertas por alvenaria, na tentativa de apagar o estigma de pobreza inerente.

Inicialmente, foram restauradas quatro casas com verbas advindas da iniciativa privada: Casa Merlo, Casa Bertarello, Ferraria Ferri e Cantina Strapazzon. Os primeiros turistas vieram de São Paulo e chegaram aos Caminhos de Pedra em maio de 1992. Em julho de 1997, e contando com assessoria do Sebrae, foi fundada a Associação Caminhos de Pedra e desenvolvido o projeto de preservação do acervo arquitetônico e o resgate do patrimônio cultural – língua, folclore, arte, habilidades manuais, etc.

Projeto tem investimento da LIC

A obra de restauro da Casa da Memória Merlin teve financiamento aprovado por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) no valor de R$ 1,2 milhão. Segundo a secretária da Cultura, Beatriz Araujo, o momento é de celebrar. “Eu participei da criação dessa Lei de Incentivo à Cultura e, à época, busquei uma diferenciação para este segmento de Patrimônio. A recuperação de patrimônio tem um incentivo maior do Estado: a contrapartida é menor do que a contrapartida que as empresas devem dar para outros segmentos”, relata.

Beatriz Araujo explica que essa diferenciação ocorre pelo fato de que as ações de preservação de patrimônio não têm um impacto midiático com grande visibilidade para as empresas. “São ações perenes que preservam memória, que preservam afeto. São histórias de famílias como essa que nós temos aqui, hoje, preservadas, e que ficam disponibilizadas para a sociedade local e a todos aqueles que vêm visitar Bento, visitar a região e se sentirem acolhidos por essa história repleta de afetos”, afirma.