Porto Alegre, segunda, 20 de setembro de 2021
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Memorabília: Sandra Bréa; por Márcio Pinheiro*

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A beleza era esguia, sensual e refinada. A graça do corpo era valorizada por um sorriso deslumbrante e por olhos negros alegres e ligeiramente estrábicos. O talento lhe permitia atuar em novelas, filmes e musicais. Completando o perfil, o estilo era o de uma mulher avoada, que potencializava o conselho dado a ela pelo ator e padrasto Jardel Filho: “Faça o gênero louquinha. Os homens adoram”. Assim, Sandra Bréa tinha tudo para decolar e foi o que ela fez. Nos anos 70 talvez apenas Sônia Braga tenha rivalizado com ela. Entre as duas, eu votaria em Sandra.
Sandra Bréa Brito nasceu em maio de 1952, no Rio, e começou a carreira como modelo aos 13 anos. Foi para Globo em 1972 e, logo de cara, pegou um dos papéis principais da novela O Bem Amado, de Dias Gomes. As virtudes enumeradas acima começaram a aparecer e em pouco tempo Sandra era uma das estrelas da emissora. Além das novelas – em que na primeira década de carreira chegou a participar, em média, de uma a cada ano, com trabalhos em Corrida do Ouro, Escalada e O Pulo do Gato – Sandra teria participações importantes na linha de shows, primeiro no humorístico Faça Humor Não Faça Guerra, onde conheceu Luiz Carlos Miéle, que seria seu parceiro no musical Sandra & Miéle.
Inspirado nos musicais da Broadway e de Hollywood, Sandra & Miele alternava números musicais com esquetes cômicos, com a dupla interpretando textos de Ivan Lessa, Carlos Eduardo Novaes e Ronaldo Bôscoli.
Paralelamente ao trabalho televisivo, Sandra transformou-se num símbolo sexual, aparecendo em capas de revistas masculinas e sendo convidada para estrelar diversos filmes, quase todos situados naquela tênue linha que separa as comédias ingênuas (como Cassy Jones, o Magnífico Sedutor) das pornochanchadas escrachadas (como Convite ao Prazer, Sede de Amar e Os Imorais).
Sua carreira entraria em declínio na década de 80, com menos trabalhos em novelas, e a situação pioraria em 1987 quando foi acusada de disparar quatro tiros contra um motorista, incidente posteriormente contornado e divulgado como apenas um mal entendido. A vida amorosa também era intensa e, além de inúmeros casos, Sandra foi casada três vezes. A primeira com o engenheiro Eduardo Espínolla Netto, depois com o fotógrafo Antonio Guerreiro e por último com o empresário gaúcho Arthur Guarisse, relacionamento que faria com que a atriz, em 1983, morasse por quase um ano em Porto Alegre.
Fora da televisão o maior papel que Sandra Bréa exerceu foi o de ativista na luta contra a Aids. Em agosto de 1993, assumiu publicamente que estava com a doença e passaria os anos seguintes alternando internações hospitalares com pequenos papéis em novelas, sendo que sua última atuação seria no capítulo final da novela Zazá, de Lauro César Muniz, em que ela levava uma mensagem às vítimas da Aids. Em 2 de maio de 2000, Sandra foi levada a um hospital na Barra da Tijuca para fazer uma tomografia computadorizada, morrendo dois dias depois em sua casa, em Jacarepaguá – uma semana antes de completar 48 anos.

 

*Márcio Pinheiro, jornalista, escritor,  publisher do AmaJazz e pai da Lina.