Porto Alegre, terça, 21 de setembro de 2021
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Memorabília: Vô Batê Pá Tu; por Márcio Pinheiro*

Detalhes Notícia
Arnaud Rodrigues e Chico Anysio Foto: TV Globo
Primeiro apresentado como um quadro de Chico City, Baiano e os Novos Caetanos ganhou rápido uma dimensão tão grande que a atração passou a ter mais espaço, com novos personagens e um repertório maior. A produção artística da dupla, com a colaboração de Orlandivo, foi tão intensa que rendeu três discos. O primeiro foi gravado em 1974. Deste disco, pelo menos um sucesso era repetido nos programas e caiu de imediato na boca do povo: Vô Batê Pá Tu. O samba suingado, de estilo tropicalista, trazia uma letra que fazia de maneira alegórica e irônica uma crítica ao ambiente político da época e das delações patrocinadas pela ditadura.
Chico Anysio era o nome mais conhecido mas Baiano e Novos Caetanos deve muito ao talento artístico e musical de Arnaud Rodrigues. Na dupla ele interpretava Paulinho Boca de Profeta – numa clara referência a Paulinho Boca de Cantor, um dos líderes dos Novos Baianos. Pernambucano de Serra Talhada (terra de Lampião), Arnaud fazia com Paulinho Boca de Profeta uma interessante mistura da manemolência baiana com a malandragem carioca.
Desfeita a parceria com Chico, Arnaud conseguiu se destacar em outros papeis marcantes, primeiro como o cego Jeremias, na novela Roque Santeiro, em 1985, e depois como o simplório e simpático Soró, na novela Pão Pão, Beijo Beijo. O personagem faria tanto sucesso que o ator voltaria a ser convidado a interpretá-lo no filme Os Trapalhões e o Mágico de Oróz.
Na linha de humor, Arnaud trabalhou ainda em A Praça é Nossa. Afastado da TV, foi morar em Palmas, no Tocantins, no final dos anos 90, assumindo a função de dirigente do Palmas Futebol e Regatas. Arnaud morreria em 16 de fevereiro de 2010 depois que o barco em que pescava com outros oito amigos afundou no lago da Usina de Lajeado. Estava com 67 anos.
Vô Batê Pá Tu
Falô!!! É isso ai malandro
Tem que se ligar nesse som tá sabendo:
Eu Vô Batê Pá Tu, Pá Tu Batê Pá Tua patota.
Vô Batê, Pá Tu Batê Pá Tu, Pá Tu Batê
Amanhã apá não me dizê,
que eu não bati pá tu, pá tu podê batê
O caso é esse, dizem que falo que não sei o que
Tá pá pintá ou tá pá acontecê
É papo de altas transações
Deduração, um cara louco que dançou com tudo
Entregação do dedo de veludo
com que não tenho grandes ligações
*Márcio Pinheiro, jornalista, escritor,  publisher do AmaJazz e pai da Lina.