Porto Alegre, terça, 21 de setembro de 2021
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Memorabília: Tônia Carrero, muito além da beleza; por Márcio Pinheiro*

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Tônia Carrero - Foto: TV Globo
Não foi só a beleza – e isto não seria pouco – que fez de Tônia Carrero uma das grandes mulheres da vida brasileira. Elegante, inteligente, charmosa, inspiradora de poetas e cronistas (Rubem Braga era alucinado por ela), Maria Antonieta Portocarrero Thedim atravessou décadas fazendo sucesso no cinema, no teatro e na televisão e – mesmo afastada (voluntariamente) dos palcos e das telas – ainda se manteve como um dos grandes símbolos de beleza e elegância do Brasil.
Estrela formada nos estúdio da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, Tônia teve ainda uma participação decisiva no amadurecimento do teatro brasileiro com a encenação de Um Deus Dormiu Lá em Casa pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Neste trabalho nasceria sua proximidade com Paulo Autran, com quem formaria uma companhia teatral, incluindo aí o ator italiano Adolfo Celi, segundo marido da atriz. Nos palcos, viveu personagens clássicos criados por dramaturgos como Shakespeare, Edward Albee, Bernard Shaw, Marguerite Duras, Lillian Hellman e Jean-Paul Sartre. No cinema, trabalho com Carlos Hugo Christensen, Ruy Guerra, Ugo Lombardi e Miguel Faria Jr.
Seu estilo elegante não ficaria distante da televisão, principalmente a partir do começo dos anos 80 quando a Globo resolveu chamá-la para diversos papéis. Fez sucesso como a refinada Stella Fraga Simpson em Água Viva, de Gilberto Braga. A parceria com o novelista se repetiria três anos depois, em Louco Amor (1983), quando Tônia interpretaria a charmosa Muriel – e voltando a contracenar com um antigo colega, José Lewgoy. A capacidade de interpretação e o alto carisma da atriz davam a ela um estilo único: Tônia conseguia fazer sucessos sem ser a vilã, tampouco a mocinha. Seus personagens eram antes de tudo sua própria cara.
Depois de sair da Globo e ter uma rápida (e bem sucedida) passagem pela Rede Manchete (trabalhando na novela Kananga do Japão), Tônia voltou à emissora. Seu último papel foi em Senhora do Destino, em 2004, interpretando Madame Berthe Legrand. De 1949 até então, ela havia atuado em 54 peças, 19 filmes e 15 novelas. Passou os últimos anos, até morrer em março de 2018, vivendo reclusa em sua casa no Jardim Botânico, no Rio. Foi casada três vezes – com o artista plástico e diretor Carlos Thiré (pai de seu único filho, Cecil), com Adolfo Celli e com o empresário César Thedim.