Miriam Dutra afirma para Polícia Federal que FHC usou empresa para bancá-la no exterior. Amante do ex-presidente confirma declarações que fez via imprensa, do G1/SP

Miriam Dutra afirma para Polícia Federal que FHC usou empresa para bancá-la no exterior. Amante do ex-presidente confirma declarações que fez via imprensa, do G1/SP

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A jornalista Miriam Dutra chega ao prédio da PF, na Lapa, em São Paulo, para depoimento a respeito da remessa de dinheiro que afirmou ter recebido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no exterior. Ela chegou acompanhada do advogado José Diogo Bastos (Foto: Alex Falcão/Futura Press/Estadão Conteúdo)
A jornalista Miriam Dutra chega ao prédio da PF, na Lapa, em São Paulo, para depoimento a respeito da remessa de dinheiro que afirmou ter recebido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no exterior. Ela chegou acompanhada do advogado José Diogo Bastos (Foto: Alex Falcão/Futura Press/Estadão Conteúdo)

A jornalista Miriam Dutra depôs durante cerca de cinco horas na sede da Polícia Federal em São Paulo nesta quinta-feira (7). Miriam chegou no início da tarde acompanhada de seu advogado e, por volta das 19h45, deixou o prédio na Lapa, na Zona Oeste. Ela não falou com a imprensa.

O advogado José Diogo Bastos, que defende Miriam, disse ao G1 que a jornalista estava muito cansada após o depoimento. “Ela foi depor apenas como testemunha e esclareceu os fatos que lhe foram perguntados de forma satisfatória”, afirmou. Questionado sobre o conteúdo do depoimento, o advogado disse: “As dúvidas do delegado foram todas dirimidas”.

Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, em fevereiro, a jornalista, que até 31 de dezembro do ano passado foi colaboradora da TV Globo por 35 anos, fez denúncias contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e comentou o relacionamento extraconjugal que manteve com ele entre os anos de 1985 e 1991.

O Ministério da Justiça informou no dia 26 de feveiro que a Polícia Federal determinou a abertura de um inquérito para investigar “eventuais ilícitos criminais” que tenham sido cometidos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Miriam disse ao jornal, a empresa Brasif Exportação e Importação, concessionária à época das lojas duty free nos aeroportos brasileiros, ajudou o ex-presidente a enviar dinheiro para ela entre 2002 e 2006. Em nota, a assessoria de Fernando Henrique Cardoso informou que todas as operações financeiras internacionais do ex-presidente foram feitas com recursos próprios e por meio de contas bancárias declaradas, sem o uso de empresas para isso.

A jornalista vive no exterior desde 1991. A transferência, segundo ela, foi feita por meio da assinatura de um contrato fictício de trabalho.

Segundo tal contrato, que a “Folha” publicou, a jornalista teria de fazer análise de mercado em lojas convencionais e de duty free. Miriam admite ao jornal, porém, que jamais pisou em uma loja para trabalhar. Mesmo assim, recebia a quantia de US$ 3 mil mensais. Miriam disse que precisou desse dinheiro quando teve uma redução salarial na TV Globo, em 2002, passando a ganhar US$ 4 mil. A jornalista disse que o dinheiro que recebia da Brasif saía do bolso do ex-presidente, que teria depositado US$ 100 mil na conta da Brasif.

Jonas Barcelos, dono da Brasif, não negou ao jornal o acerto, mas diz não se lembrar dos detalhes e pediu tempo para pesquisar.

Pela primeira vez, Miriam Dutra fala de seu filho Tomás, que, até 2011, Fernando Henrique Cardoso acreditava ser dele.

Em 2009, o ex-presidente declarou à “Folha” que, naquele ano, reconheceu a paternidade do rapaz e disse que sempre cuidara dele.

Em 2011, porém, dois testes de DNA revelaram que o filho não era dele. À época, Fernando Henrique disse também à Folha que, mesmo sabendo que não era o pai biológico de Tomás, não mudaria seu relacionamento com ele. Miriam Dutra nega que Fernando Henrique tenha reconhecido Tomás.

Questionada pela “Folha” sobre os exames de DNA, Miriam Dutra gargalhou e disse: “É óbvio que é dele”. Questionada se o ex-presidente havia forjado o exame, ela afirmou: “Não estou afirmando nada, mas tudo me parece muito estranho. Além do mais, uma mulher sabe quem é o pai”.

Na entrevista à “Folha”, Miriam revela que, em 1991, decidiu por vontade própria sair do país e ir trabalhar em Portugal. Ela afirma, sem especificar o ano, que quando estava em Barcelona decidiu voltar para o Brasil, mas não lhe permitiram. Explicou que o pedido partiu de Antônio Carlos Magalhães e do filho dele Luís Eduardo Magalhães, ambos já falecidos.

Na entrevista, Miriam Dutra diz que Fernando Henrique Cardoso tem contas no exterior e pergunta por que nunca ninguém as investigou. E revela que em 2015 o ex-presidente deu a Tomás um apartamento de 200 mil euros.

Contra-ponto: Sobre depoimento de ex-amante na Polícia Federal… FHC reafirma que enviou recursos legalmente por contas declaradas ao IR

Amante é condenado a indenizar casal por divulgar vídeo íntimo em Cruz Alta

Amante é condenado a indenizar casal por divulgar vídeo íntimo em Cruz Alta

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O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou que um amante pague danos morais a um casal de Cruz Alta, pela divulgação de vídeo íntimo. O réu foi condenado a pagar R$ 8 mil à mulher e R$ 4 mil ao marido dela para que “repense a maneira que utiliza os canais disponíveis na internet”.

O relator, desembargador Carlos Eduardo Richinitti, votou pelo provimento parcial à apelação dos autores, concedendo a extensão dos danos ao marido da vítima, mas negando o aumento do valor a ser indenizado. O magistrado ainda negou a apelação do réu, que alegou consentimento da autora com as gravações. O voto do relator foi acompanhado, na íntegra, pelos desembargadores Iris Helena Medeiros Nogueira e Eugênio Facchini Neto.

Conforme apurado na ação, durante crise conjugal vivenciada pelos autores da ação, a mulher e o réu se encontraram em um motel da cidade. As partes, que já haviam namorado anteriormente, gravaram um vídeo consentido na ocasião.

No entanto, sem autorização da mulher, o homem divulgou as imagens no YouTube e no Facebook, com o título “escapadinha no motel”. Além disso, o réu enviou a gravação para conhecidos do casal.

Na análise do processo, o relator, desembargador Richinitti, considerou que “nunca houve consentimento da autora para que os vídeos fossem divulgados”. O magistrado ainda reconheceu a pouca relevância do fato de ter havido consentimento sobre a realização das imagens. Foi constatada violação do direito de privacidade da vítima, que nutria relação de confiança com o réu. Também foi “evidenciado o dano indireto sofrido pelo marido, constrangido com a revelação de ter sido traído pela companheira, passando a ser conhecido na comunidade por apelido pejorativo”, conforme o desembargador. (Correio do Povo)

PF vai investigar pagamentos de FH a ex-amante, diz Cardozo; por Marlen Couto/O Globo

PF vai investigar pagamentos de FH a ex-amante, diz Cardozo; por Marlen Couto/O Globo

Notícias Poder Política

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta sexta-feira que as denúncias feitas pela jornalista Mirian Dutra, que teve um relacionamento extraconjugal com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, serão analisadas por uma área técnica do Ministério da Justiça. De acordo com a ex-amante do tucano, a Brasif S.A. Exportação e Importação ajudou o FH a enviar recursos para ela no exterior. Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, ela afirmou que a transferência ocorreu por meio da assinatura de um contrato fictício de trabalho, com validade entre dezembro de 2002 e dezembro de 2006.

Em visita ao Rio para acompanhar o esquema de segurança dos Jogos 2016, o ministro da Justiça afirmou que caso deve ser analisado como seria com qualquer outro cidadão. Cardozo disse que o suposto envio de recursos para o exterior pelo ex-presidente deve ser analisado por um estudo técnico e jurídico, com o objetivo de se determinar eventual ocorrência de delito. Se comprovado indício de crime, segundo ele, a Policia Federal realizará uma investigação mais aprofundada. A reportagem completa está em O Globo (Foto Pablo Jacob)