Bolsonaro reedita briga com deputada em sessão sobre violência contra a mulher; do IG/SP com fotos: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Bolsonaro reedita briga com deputada em sessão sobre violência contra a mulher; do IG/SP com fotos: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Comportamento Destaque Direito Negócios Notícias Poder Política

 Os deputados Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) batem-boca na comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados, que discute a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, o enfrentamento à impunidade e políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas no Brasil.
Brasília - O deputado Jair Bolsonaro discute com a deputada Maria do Rosário durante comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados, que discute a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, o enfrentamento à impunidade e políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas no Brasil (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília - O deputado Jair Bolsonaro discute com a deputada Maria do Rosário durante comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados, que discute a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, o enfrentamento à impunidade e políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas no Brasil (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi até a mesa do plenário para questionar decisão da deputada Maria do Rosário (PT-RS)
Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi até a mesa do plenário para questionar decisão da deputada Maria do Rosário (PT-RS). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os deputados Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) protagonizaram mais uma confusão na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (14). Durante a reunião da comissão geral no plenário da Casa, que ocorreu para discutir casos de violência contra mulheres e meninas, Bolsonaro foi alvo de críticas e tumultuou a sessão em diversas ocasiões.

A deputada Maria do Rosário, que presidia o debate, não cedeu aos pedidos de Bolsonaro de ter direito à palavra e disse que não se renderia a “atitudes intimidatórias”. A briga entre os parlamentares não é de hoje. No ano passado, o deputado foi condenado a indenizar Maria do Rosário por ter dito que não a estupraria “porque ela não merecia”.  Ele ainda enfrenta no Conselho de Ética da Câmara um processo por quebra de decoro pelo ocorrido.

Comissão

Em um dos discursos mais polêmicos da manhã, a presidente do coletivo de lésbicas Coturno de Vênus, Cláudia Macedo, provocou tumulto ao afirmar “que nesta Casa há pelo menos um deputado acusado de apologia ao estupro” e defender que o Parlamento o afaste para sinalizar empenho em acabar com este crime. Ela não citou nomes, mas Bolsonaro – um dos primeiros a chegar à sessão e se inscrever para falar – reagiu imediatamente.

O deputado cobrou que ela revelasse quem era o parlamentar que ela estava acusando. Bolsonaro gritava “palhaça” fora dos microfones – que estavam desligados – e a tensão aumentou.

A deputada Maria do Rosário pediu para que a oradora continuasse seu discurso tentando ignorar Bolsonaro que, em sua frente, com dedo em riste, acusava a parlamentar de “defensora de estuprador”. Sem conseguir a palavra, Bolsonaro chegou a levantar o pedestal dos microfones do plenário e provocando a movimentação de seguranças, mas acabou voltando para sua cadeira pouco depois.

Bolsonaro chegou a levantar o pedestal dos microfones do plenário, provocando a movimentação de seguranças
Bolsonaro chegou a levantar o pedestal dos microfones do plenário, provocando a movimentação de seguranças. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em outro momento, foi a vez da vice-presidente da OAB-DF exaltar os ânimos da sessão. A debatedora Daniela Teixeira defendeu a condenação de Bolsonaro sob a acusação de apologia ao estupro.

O parlamentar pediu a palavra por ter sido citado pela debatedora, mas novamente não foi atendido pela deputada Maria do Rosário. Segundo ela, os parlamentares inscritos falariam em outro momento do debate.

Bolsonaro dirigiu-se à mesa e protestou, gritando e com o dedo em riste, contra a decisão. Maria do Rosário pediu respeito quando uma mulher preside a mesa da Casa.

Desfesa

Após a conclusão da fala da última convidada para o debate, Bolsonaro falou na tribuna e defendeu-se das acusações.

Referindo-se ao caso de Liana Friedenbach, estuprada e morta em 2003 em Embu (SP), Bolsonaro disse que na ocasião saiu em defesa da vítima.  O deputado ainda criticou a atuação de Maria do Rosário naquela época. Também acusou a deputada de defender o cunhado, que seria estuprador. A parlamentar não quis se manifestar, por estar presidindo a sessão.

Para Bolsonaro, a realização da comissão geral estaria sendo um desserviço a mulheres vítimas de violência. Ele defendeu a castração química do estuprador e criticou a defesa dos direitos humanos dos acusados de estupro.

O parlamentar também criticou a defesa da discussão de gênero nas escolas, afirmando que estimula o sexo precocemente. Para o parlamentar, não existe cultura do estupro, e sim a “cultura da impunidade”.

Críticas

A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) afirmou que o projeto de castração química de acusados de estupro (PL 5398/13) não ajuda a coibir ou prevenir o crime. Segundo ela, o projeto ajuda que o criminoso possa sair da cadeia, já que permite ao condenado optar por castração química como remissão da pena.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) criticou a tentativa de intimidação à deputada Maria do Rosário e disse que isso não ocorre quando homens estão presidindo a sessão. Ele elogiou a firmeza da deputada na condução dos trabalhos e defendeu uma escola livre para discutir a igualdade de gênero.

Tensão

O clima já estava tenso desde os primeiros momentos da sessão, quando Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) – adversários ideológicos da petista – sentaram frente a frente com a parlamentar, que foi a primeira a discursar. Assim que Maria do Rosário reassumiu a presidência da sessão, Eduardo Bolsonaro deu início às provocações questionando o tempo que oradores teriam para falar.

Maria do Rosário, visivelmente irritada, informou que responderia posteriormente e chamou a primeira oradora a falar. Bolsonaro lembrou que havia previsão de Ordem do Dia às 13h desta quarta-feira e que uma sessão longa poderia prejudicar parlamentares que pretendem participar da segunda reunião da Câmara. A petista respondeu citando o Regimento e o deputado começou a gritar ao ter tido o microfone fechado.

Maria do Rosário não cedeu a palavra ao deputado Jair Bolsonaro e disse que não se renderia a “atitudes intimidatórias”
Maria do Rosário não cedeu a palavra ao deputado Jair Bolsonaro e disse que não se renderia a “atitudes intimidatórias”. Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

A deputada o ignorou, chamando outra convidada a falar na tribuna. Jair Bolsonaro então questionou falas de pessoas que não estavam na lista da sessão. “A senhora não manda aqui não. Segue o regimento”, gritou.

Jair Bolsonaro não conseguiu mudar a sessão, mas conseguiu tumultuar o clima ao ser abordado por um grupo de simpatizantes, principalmente estudantes, que se concentrou no meio do espaço gravando vídeos e tirando fotos ao lado do parlamentar.

LEIA MAIS: Impasse deixa caso de Bolsonaro sem relator no Conselho de Ética da Câmara

Carla Zambelli Salgado, do Movimento Nas Ruas, convidada à tribuna, aumentou a temperatura do debate quando atacou partidos de esquerda no combate à violência contra a mulher e questionou que “espécie de proteção” legendas como PT e PCdoB defendem quando ignoram “um projeto verdadeiro”. “Por que não apoiam o projeto de castração química? Só porque foi apresentado por Jair Bolsonaro (PSC-RJ)?”, provocou. “É um projeto que pode acabar efetivamente com a violência contra a mulher e contra a cultura do estupro”, disse.

A parlamentar não reagiu e Thiago André Pierobom de Ávila, promotor de Justiça do Ministério Público no Distrito Federal, respondeu: “Nós não promovemos a defesa de direitos humanos através da violação de outros direitos humanos”, disse, sendo aplaudido pelos convidados.

Projetos de lei

Antes da confusão, Maria do Rosário já tinha se manifestado e defendeu mudança na legislação que trata de procedimentos policiais em casos de violência contra mulheres e meninas. Ela fez um apelo para que a Câmara conclua o Projeto de Lei 3.792, em tramitação desde o ano passado.

Durante a comissão geral realizada no plenário da Câmara para discutir a violência contra mulheres e meninas, a deputada destacou que a proposta cria um sistema integral de proteção às vítimas.

“O projeto prevê vários passos para que uma criança seja protegida quando chega a uma instituição. Prevê que a oitiva da criança seja gravada, que tenha o apoio de profissionais da psicologia atentos às necessidades da criança e que seja um depoimento único”, detalhou.

“As memórias vão se confundindo. Outras podem aparecer depois. Se ela for ouvida e gravada uma vez, não passara pela revitimização de tantas oitivas”, disse.

Uma das autoras do pedido para que a sessão fosse realizada nesta quarta-feira, Maria do Rosário lembrou que, em seu primeiro mandato na Câmara, participou da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre violência contra mulheres, adolescentes e crianças que resultou em novas leis que agravaram penas aplicadas nos casos de crimes sexuais.

“Todas as vezes que os senhores escutam no noticiário ou leem nos jornais a expressão ‘estupro de vulnerável’ ela é fruto do trabalho das mulheres e homens deste Parlamento. Não é mais possível pela lei uma criança e uma mulher serem julgada pela roupa que usa, pela festa a que compareceu”, exemplificou.

 

Madrugada pré-votação tem troca de agressões entre deputados; por Gabriel Mascarenhas/Folha de São Paulo

Madrugada pré-votação tem troca de agressões entre deputados; por Gabriel Mascarenhas/Folha de São Paulo

Notícias Poder Política

Durante a madrugada deste domingo, em duas ocasiões a bancada do deixa disso evitou que parlamentares da base aliada e da oposição abandonassem a batalha verbal rumo às vias de fato.

Vitor Valim (PSDB-CE) e Sibá Machado (PT-AC) protagonizaram o momento mais tenso, por volta de 1h. Em seu pronunciamento, o tucano chamou os petistas de “bandidos”.

Sibá o esperou descer da tribuna para tomar satisfações. Valim não gostou da abordagem e empurrou o colega, dando início à confusão. Outros parlamentares intervieram e seguraram o tucano para impedir o agravamento do embate.

“O Sibá bateu no meu peito e disse que, se eu continuasse no plenário, iria me pegar. Vai fazer o que comigo? Um bandido desse, de um partido desse ainda vem ameaçar os outros? Eu o empurrei, respondi à altura”, afirmou Valim.

O petista confirmou ter ido ao encontro de tucano, em suas palavras, para avisá-lo de que iria “lhe dar um pau”, quando pegasse o microfone.

“Eu perguntei: ‘Você vai estar aqui quando eu falar? Vou rebater, vou lhe dar um pau. O que isso, o cara nos chamar de safados, bandidos, de tudo?”, justificou Sibá Machado. A reportagem completa está na Folha de São Paulo.

Grupo grita palavras de ordem contra o PT e agride pessoas em bar de jazz da Capital. Conforme cliente, agressões ocorreram após pedido do garçom para os quatro homens pararem de gritar; Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

Grupo grita palavras de ordem contra o PT e agride pessoas em bar de jazz da Capital. Conforme cliente, agressões ocorreram após pedido do garçom para os quatro homens pararem de gritar; Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

Cidade Comportamento Direito Direito do Consumidor Notícias Poder Política Porto Alegre Segurança Turismo

Um grupo de quatro homens bateu em um cliente, no proprietário e no garçom do bar Odeon, localizado no Centro de Porto Alegre, na madrugada da última quinta-feira. As agressões, segundo relatos das vítimas, ocorreram após o garçom pedir aos quatro para pararem de gritar cantos contra o PT e contra a presidente Dilma Rousseff. Após o pedido, conforme o relato recebido pela Rádio Guaíba, o grupo passou a desferir socos contra o garçom, depois contra o proprietário do bar e ainda contra um cliente que tentou acabar com o conflito.

O cliente agredido, que precisou receber atendimento no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e prefere não se identificar, contou o que lembra: “Só evidencia uma mentalidade animalesca. Não tiveram capacidade de baixar a bola, já que a casa estava pedindo. A atitude deles foi de agredir. Eu, que nem estava participando de nenhuma situação e estava pedindo para ninguém se machucar, fui encarado como alguém que estava cerceando a atuação deles como senhores da razão”, relata o jovem, que efetuou Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Civil, no dia seguinte.

O episódio ocorreu pouco após a meia-noite, perto do horário de o bar fechar as portas, e com menos de dez pessoas no local. Devido ao episódio, o bar permaneceu fechado na quinta e na sexta-feira. O Odeon é conhecido por apresentar semanalmente shows de jazz, bossa nova e música popular brasileira.

 

 

 

BH: Clima esquenta entre petistas e antipetistas. Manifestantes trocam xingamentos em evento com presença de Lula. PM teve que usar gás de pimenta para dispensar pessoas (Guilherme Reis e Rafael Mendonça – Especial para o Tempo / Vídeos: Uarlen Valerio)

Notícias Poder Política

 

Cerca de 40 pessoas contrárias ao governo federal trocam xingamentos, no fim da tarde desta sexta-feira (28), com mais de 100 petistas que participam da abertura do 12º Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que conta com a presença do ex-presidente Lula e começou por volta das 18h.

Uma mulher teve que ser contida pela PM. Muito exaltada, partiu em direção aos sindicalistas. Os manifestantes pediram para ela sair. Enquanto isso, manifestantes antigoverno foram tirar satisfação. Foi necessário o uso de gás de pimenta por parte da Polícia Militar.

Os antipetistas e os governistas trocam provocações na avenida Nossa Senhora do Carmo, em frente ao Chevrolet Hall, em Belo Horizonte, onde o evento acontece, separados pelos carros. A Polícia Militar já apareceu no local e conversou com a comissão de segurança.

O vereador Juninho Paim (PT), presente no Chevrolet Hall, disse que a manifestação é uma chacota. “São poucas pessoas. Não vão atrapalhar a presença de Lula. Temos que tomar cuidado para não ter agressão”, disse o vereador.

R$ 30 mil de aluguel: Se antes os eventos organizados pela CUT ocorriam em praças públicas e espaços populares, a organização decidiu, agora, mudar o endereço de seus movimentos para um lugar mais sofisticado.

Lula irá comandar o congresso no Chevrolet Hall, local de festas e shows localizado na Savassi, zona nobre da capital mineira. Para alugar esse espaço, conforme a coluna Aparte apurou com produtores de eventos e interlocutores ligados à entidade, a CUT deve desembolsar cerca de R$ 30 mil para a utilização do local.

A coluna entrou em contato com a CUT para confirmar os valores despendidos com a realização do evento, mas nem a assessoria nem a direção da entidade responderam. Os recursos obtidos pela central sindical vêm dos pagamentos de filiados e repasses da contribuição sindical.

No ato Defesa da Petrobras e da Democracia, o ex-presidente terá como plateia os filiados da Central Única dos Trabalhadores, de movimentos sindicais, sociais e estudantis de Minas Gerais. Estão sendo convocados, também, jovens da periferia, pessoas beneficiadas pelos programas sociais da gestão petista no governo federal, coletivos variados e empreendedores individuais. Na palavras de um dos mobilizadores, é preciso “reunir essas pessoas mais sintonizadas com o PT para ouvi-los e compreendê-los”.

Além do evento na casa de shows, a CUT realiza seu 12° Congresso Estadual, que será sediado no luxuoso hotel Ouro Minas. A cerimônia acontece até domingo, e, nela, os membros irão eleger a nova diretoria da entidade no Estado. Os valores do aluguel do espaço de eventos e reuniões não foram revelados pelo hotel à coluna.