Clube de Opinião repudia censura do STF a veículos de comunicação

Clube de Opinião repudia censura do STF a veículos de comunicação

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O Clube de Opinião, que reúne alguns dos principais jornalistas do Rio Grande do Sul, vem a público repudiar, com veemência, o ato de censura imposto pelo Supremo Tribunal Federal à revista Crusoé e ao site O Antagonista. Causa-nos enorme preocupação que a suprema Corte, responsável pela salvaguarda da Constituição Federal, invista contra um dos princípios fundamentais de nossa Carta Magna: a Liberdade de Imprensa.

ClubedeOpiniãoA liberdade para que profissionais de imprensa possam investigar, apurar, escrever e publicar informações — agradem essas, ou não, aos poderosos de plantão — é parâmetro aferidor e garantidor, de qualquer democracia. Os últimos movimentos do STF, com a abertura de inquérito para investigar manifestações contra a instituição e seus ministros, e que no dia de ontem, 15 de abril, culminou com a censura imposta a veículos de comunicação, se configura numa preocupante escalada ditatorial, uma ameaça à nossa claudicante democracia. Esperamos — e mais do que isso, exigimos — uma mudança urgente no posicionamento da nossa corte constitucional, a fim de que todos nós brasileiros, e em especial a imprensa de nosso país, possamos ter garantida, assegurada e reafirmada nossas liberdades mais caras e voltemos a respirar ares de plena democracia em nosso país!

Porto Alegre, 16 de abril de 2019.

JULIO RIBEIRO Presidente do Clube de Opinião RS

 

 

 

Saiba mais: “O amigo do amigo de meu pai”; por Rodrigo Rangel e Mateus Coutinho/Crusoé. Leia a reportagem da Crusoé que o STF censurou

 

Após censura a entrevista que falou em “golpe”, Ufrgs justifica que evitou infringir lei eleitoral. Universidade reafirmou, em nota, compromisso de gerar debates

Após censura a entrevista que falou em “golpe”, Ufrgs justifica que evitou infringir lei eleitoral. Universidade reafirmou, em nota, compromisso de gerar debates

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A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) emitiu nota oficial, nesta quinta-feira, explicando a não-veiculação do programa “Entrevista Coletiva” em que o professor e cientista político Benedito Tadeu César usou a palavra “golpe” em referência ao impeachment de Dilma Rousseff. A instituição argumentou que a escolha de não transmitir o conteúdo foi tomada pelo cuidado de não infringir a lei eleitoral no artigo 45, “que restringe o tratamento privilegiado ou a propaganda contrária ou favorável a candidatos, partidos e coligações”.

Conforme nota, a Ufrgs “repudia todo e qualquer ato de censura ou de cerceamento da liberdade de expressão”. O documento salientou ainda, que “a Universidade é autônoma e, muito além de ser um local restrito ao ensino, também discute e provoca debates na sociedade”. O comunicado, entretanto, não esclareceu se e quando a entrevista vai ser transmitida. Na internet, o conteúdo foi disponibilizado na íntegra.

De acordo com Tadeu César, a medida partiu do diretor da Rádio Universitária, André Prytoluk. No Facebook, Tadeu César afirmou que Prytoluk entrou no estúdio após a gravação da entrevista e confirmou a intenção de proibir a veiculação do programa. “Acabo de gravar um programa Entrevista Coletiva, na Rádio da Universidade, coordenado pela Sandra de Deus. Ao final da gravação, o André (Prytoluk), diretor da rádio, entrou no estúdio e proibiu a veiculação do programa, que deveria ocorrer agora às 11h, alegando que falamos em golpe e que já há uma lei, que ele recebeu cópia ontem, proibindo que se faça críticas ao presidente da República e se falar em golpe”, escreveu o cientista político.

Professor do curso de Comunicação Social e diretor da rádio, Prytoluk disse que tomou a decisão de suspender a veiculação do programa cinco minutos antes dele ir ao ar. “Foi uma decisão administrativa para resguardar a rádio da Universidade de alguma sanção”, explicou. Ele fala que temia alguma punição decorrente das regras definidas na lei eleitoral.

O professor sustenta que foram citados partidos políticos. “Foram mencionados os partidos PT e PMDB. Minha interpretação foi de que havia risco de violarmos a legislação. Não teve nada a ver com as falas sobre ter ocorrido um golpe. Estão me chamando de golpista, agora. Não sou. Não me posiciono sobre isso”, argumentou. (Correio do Povo)

Danilo Gentili recebe moção de censura: “Vou cagar todo dia olhando para ela”. A moção de censura foi despachada pelo gabinete do senador Paulo Paim (PT-RS); por Heloisa Tolipan/JB

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Conforme a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal decidiu, no final do último mês, encaminhar moção de censura “ao repórter e comediante Danilo Gentili, que ofendeu a senadora Regina Sousa (PT-PI) na cobertura da sessão que aprovou o impedimento da presidente Dilma Rousseff no Plenário do Senado”; Danilo recebeu, nesta quarta-feira (08) o documento em seu camarim no SBT, onde apresenta o talk show “The Noite”. Aos de pouca memória, a coluna lembra que Danilo Gentili comentou no Twitter que Regina Souza não parecia uma senadora, mas sim “uma tia do café”.
Danilo Gentili
Danilo Gentili

A moção de censura foi despachada pelo gabinete do senador Paulo Paim (PT-RS) e diz que a fala de Danilo “demonstra comportamento machista”, “que deve ser rechaçado e repelido”, além de frisar que “o preconceito banaliza, demonstra intolerância e ódio”. O documento ainda reforça que “fazer humor é muito diferente de ofender e proferir palavras preconceituosas”. Danilo, por sua vez, tirou sarro do documento devido a erros de gramática e ortagrafia como “conciência” (sic) e (Senado) “federel”, dentre outros. “Vou emoldurar esse papel e colocar no meu banheiro. Vou cagar todo dia olhando para ele. Não posso dizer que foi o tiozinho do café quem escreveu porque ele não seria tão analfabeto assim. Ah, para a puta que pariu…”, disse em seu camarim.

A senadora Regina Sousa no plenário do Senado durante sessão para votar o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff
A senadora Regina Sousa no plenário do Senado durante sessão para votar o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Foto: Agência Senado

Em tempo: a senadora Regina Sousa (PT-PI) anunciou em Plenário que vai acionar judicialmente Danilo Gentili. A senadora fez questão de dizer que não se sentia diminuída por ter sido comparada a uma “tia do cafezinho”, afinal foi “quebradeira de coco”. Regina ponderou, porém, que o comentário foi racista e preconceituoso. Ela lembrou que Gentili tem sido recorrente em “comentários maldosos, principalmente em relação às mulheres” e disse: “Mas eu não vou deixar barato para o Danilo Gentili. Não é questão de indenização, mas eu vou representá-lo em nome das tias do cafezinho. O que vier dessa ação que vou fazer será dedicado às mulheres que servem cafezinho”. À ocasião, em aparte, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apoiou a senadora e classificou a fala de Gentili como “fascista”. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), por sua vez, disse que o comentário do apresentador foi “uma falta de respeito”.