Federasul: Com atitude as mulheres chegam onde quiserem. Programação com seis convidadas encerra as programações do mês da mulher

Federasul: Com atitude as mulheres chegam onde quiserem. Programação com seis convidadas encerra as programações do mês da mulher

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As palavras determinação e atitude definem a trajetória de seis profissionais que revestidas pela ousadia reafirmam a certeza de que “lugar de mulher é onde ela quiser”. O tradicional ”Tá na Mesa” da Federasul deixou de lado, nesta quarta-feira (29/03), as discussões sobre política e economia do Estado e do Brasil para encerrar o mês da mulher com um tema voltado às tendências de comportamento. No palco a empresária e cientista política, Karin Misculin, a empresária rural, Beth Cirne Lima, a médica e chefe do setor de pesquisa do Hospital de Clínicas, Patrícia Prolla, a jornalista Kelly Mattos, a chef churrasqueira, Clarice Chwartzmann e a vereadora e ex-comandante da Brigada Militar, Nádia Gerhard, relataram experiências de vida e mostraram o que pensam sobre o futuro do universo feminino.

Ao dar as boas-vindas às convidadas, a presidente da Federasul, Simone Leite, ressaltou que o espaço da entidade é de todas as mulheres gaúchas e destacou que com entusiasmo e coragem é possível a presença feminina em todos os ambientes profissionais. Simone, que é a primeira mulher presidente da Federasul em 88 anos de história, ponderou: “somos o resultado das nossas escolhas e temos que ir em frente”.

Mesmo nos ambientes em que os homens ainda aparecem como maioria, as mulheres protagonizam com sua presença avisou a empresária rural, Beth Cirne Lima, embora com participação ainda baixa no agronegócio. Segundo Beth, elas são 13% dos agricultores. Destas 88% são independentes e 60% possuem ensino superior. “Mas ainda temos que conviver com muito preconceito. Mais de 70% das mulheres relatam experiência de discriminação por questão de gênero”, revelou. Assim como no agronegócio, na política elas também estão em minoria. A presença da mulher nos espaços políticos fica na marca dos 10% conforme informou a empresária e cientista política Karin Miskulin. Para ela, a receita para reverter o quadro está na capacidade que cada mulher tem de descobrir o seu caminho e ousar nas suas atitudes. “ Fiz de tudo para conquistar minha independência e inclusive apendi muito com os homens”, frisou.

A presença da mulher que ainda é baixa na política, não intimida a atuação da vereadora, Nádia Gerhard, que após mais de 20 anos na Brigada Militar foi escolhida a primeira mulher a assumir o comando de um batalhão de policiamento, em Estrela. “O olhar feminino e o masculino se completam e fazem com que os resultados sejam aprimorados”, sugeriu ela. A combinação entre homens e mulheres também temperou ao programa Sala de Redação, da rádio Gaúcha. No tradicional espaço masculino, os debates esportivos ganharam a sensibilidade da voz da jornalista Kelly Mattos. “Não queremos ser melhores do que ninguém. Queremos ser iguais”, defendeu ela ao comentar que o melhor caminho é o respeito entre os gêneros “já que vivemos em um período de intolerâncias”, completou.

A sensibilidade feminina também é o impulso para a coragem de mudar os rumos da vida. Ao chegar aos 50 anos a publicitária e agora chef churrasqueira, Clarice Chwartzmann, descobriu que lugar de mulher também é perto do fogo e que elas podem “orquestrar” com maestria um belo churrasco. “Enfrentei preconceito, mas isso não paralisou a minha vontade de exercer influências no mundo”, disse ela que hoje ministra cursos sobre a melhor forma de elaborar um churrasco para turmas de mulheres. A experiência em breve vai se tornar um livro e uma exposição. Diante de tantas escolhas, a mulher assumiu a tarefa de “inspirar” as pessoas aconselhou a chefe do setor de pesquisa do Hospital de Clínicas, Patrícia Prolla. Para ela, daqui para frente, as conquistas do universo feminino devem ser compartilhadas com maior frequência nos ambientes profissionais, familiares e nas rodas de amigos. “Não é fácil sair do padrão. Para acabar com o preconceito temos que replicar as experiências positivas e inspirar as novas gerações”, finalizou.

Cidadão espera que seu parlamentar o represente na votação do impeachment, diz cientista política

Cidadão espera que seu parlamentar o represente na votação do impeachment, diz cientista política

Notícias Poder Política
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Professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Helcimara Telles

A influência de possíveis ausências de deputados para o resultado da votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, marcada para esse domingo(17) às 14h, divide a opinião de especialistas. Para a cientista política e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Helcimara Telles, a ausência de um político eleito para representar o cidadão em um momento como esse é um “problema”, sobretudo para aqueles que o elegeram. “O cidadão está esperando que seu parlamentar o represente adequadamente”, disse a professora, responsável por uma pesquisa que aponta que cerca de 70% dos moradores da região metropolitana de Belo Horizonte (MG) são favoráveis ao impeachment não só da presidenta Dilma, mas também do vice-presidente Michel Temer (PMDB-RJ) e que o descrédito da classe política atinge igualmente o governo e a oposição.

Já o cientista político e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Milton Lahuerta, minimiza os prejuízos políticos junto à opinião pública dos deputados federais que eventualmente faltarem à votação. “Esses deputados seriam expostos pela imprensa e, uma semana depois, ninguém mais lembraria de nada. Infelizmente, é o que sugerem as pesquisas de opinião pública que revelam que a maioria dos eleitores não lembra em quem votou nas últimas eleições. E muitos dos que se recordam não estão entendendo nada do que está acontecendo atualmente. Daí porque não vejo maiores consequências para os parlamentares que se ausentarem. Eles poderão alegar que não compareceram à votação devido a problemas pessoais”, disse o cientista político à Agência Brasil.

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Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Milton Lahuerta

Lahuerta avalia que caso o número de parlamentares ausentes seja significativo a ponto de influenciar no resultado da votação, o governo Dilma Rousseff ficará sujeito a mais críticas que os deputados faltantes.

“Obter uma vitória nesse contexto fragilizaria o resultado. Não chegaria a tirar sua legitimidade, mas evidenciaria que o governo não dispõe do necessário apoio para superar o dramático impasse em que o país se encontra”, acrescentou o cientista político.

A votação da admissibilidade do processo de impeachment neste domingo será aberta e nominal. Para que a Câmara autorize o Senado a julgar as denúncias por crime de responsabilidade que podem levar ao impeachment da presidenta serão necessários pelo menos 342 votos favoráveis – dois terços do total de 513 deputados. As possíveis faltas podem dificultar a oposição a chegar a esse número.

“Os políticos fazem seus cálculos, sabem quem é seu eleitor, o nível de cobrança a que estão sujeitos. E muitos deputados podem concluir que é preferível não se comprometer com uma ruptura institucional, ao mesmo tempo que não querem vir a público frustrar a expectativa dos eleitores que desejam o afastamento da presidenta”, acrescentou a professora da UFMG.

Na última segunda-feira (11), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), declarou que os nomes dos deputados que faltarem à votação serão exibidos publicamente. “Quem fingir qualquer tipo de coisa para não vir certamente vai ter que responder politicamente; cada um vai arcar com o seu ônus”, alertou Cunha, favorável ao impeachment da presidenta. Para o presidente da Câmara, que acolheu, no início de dezembro de 2015, a denúncia por crime de responsabilidade apresentada pelos juristas Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo, nenhum parlamentar “vai querer ficar com a nódoa no seu currículo de ter fugido de uma votação”.

O deputado Mendonça Filho (DEM-PE) chegou a propor, na última terça (12), que os parlamentares que alegarem motivos de saúde para não comparecerem à votação fossem examinados pelo Departamento Médico da Câmara dos Deputados e julgados por quebra de decoro parlamentar caso nenhum impedimento sério ou grave fossem confirmados. “Pretendemos evitar que, sob justificativa de licença de saúde, o deputado fuja à sua obrigação de comparecer a esta Casa para manifestar seu voto”, disse. (Agência Brasil)