A despedida de Antonio Carlos Macedo

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Antônio Carlos Macedo chegou na Rádio Gaúcha em 1984. Eu em 1989. Portanto “conheço” o Macedão, 5 anos dele ter alguma ideia de quem eu era. A vantagem de ser um apaixonado por rádio como sou é que a gente percebe detalhes que muitos ouvintes deixam passar. Quando cheguei a emissora era dividida ao meio. Sim! Eram duas Rádios no mesmo prefixo 600 AM. Eram raras as oportunidades que o jornalismo se misturava com o esporte e vice-versa. Mendelski tinha um pequeno espaço para o futebol, Mendes Ribeiro nenhum e mesmo quem tinha envolvimento com o futebol não misturava os canais. Lauro Quadros não tratava de esporte no seu programa de jornalismo, Lasier, Ruy e Domingos Martins também não e nós da geral, política, economia… raramente “invadíamos” o espaço do esporte. Para entrar a notícia tinha que ser uma hecatombe!

O único âncora que comandava um horário com assuntos do jornalismo e esporte era o Macedão. No início o Plantão tinha boletins gravados pela reportagem o que foi sendo modificado aos poucos. O sujeito grandão, que poucas vezes deixa transparecer o coração imenso e absolutamente proporcional ao tamanho do corpanzil . Um workaholic que não importa a hora que chegava de volta das jornadas de fora de Porto Alegre, se apresentava sempre para o trabalho. Esse cara começou a nos impregnar do espírito dele e nos sinalizar que tinha um espaço aberto para os repórteres no fim de noite da Gaúcha. Eu que desde os 8 anos ouvia Antonio Augusto, Almir, Rosemberg e Copstein (com o radinho embaixo do travesseiro) e outros repórteres dispostos a trabalhar fomos arregimentados para participações ao vivo. O programa tinha de tudo e era um belo resumo do dia com um acompanhamento dos principais fatos que aconteciam na noite de Porto Alegre. Quando a Rádio não escalava um repórter para algum evento/show, a gente saia do local e relatava o que tinha visto. O tempo passou e ele foi deslocado para a apresentação das duas edições do Chamada Geral. Colocou ali a marca Macedo de qualidade. Exigia boletins concisos, cheios de informação e quando ninguém acompanhava um fato relevante fazia entrevistas muito curtas de no máximo 3 minutos. Tudo controlado no relógio, rigor absoluto. Um sujeito metódico.  Quando comecei na Ipiranga, 1075  olhava o Macedo trabalhando no esporte e jornalismo e tinha uma admiração pela figura dele. O sujeito me lembrava muito alguém que eu admiro demais:  meu pai. Em 1990, uns seis, sete meses depois que comecei na Gaúcha, a ficha caiu por completo. Era um sete de maio e todas peças se encaixaram. Macedo é taurino e nascido no mesmo dia do meu maior guru, Seu Romeu. Bingo! Junto com outros colegas, histórias para outros posts… O Macedo foi determinante na minha formação de apresentador. Gosto do estilo dele. Não estava mais na RBS quando ele assumiu o Gaúcha Hoje, mas sempre que posso dou uma zapeada. Fera!!!

Além de grande jornalista e cidadão, o Macedo tem algumas das características que admiro no meu pai. É um sujeito honesto nas suas relações, íntegro no seu dia a dia e extremamente trabalhador! Tudo o que fazem é planejado para que os erros, se acontecerem, não influenciem o resultado final. Se engana quem pensa que são fechados. Na verdade, eles não são pessoas expansivas. São amigos, dos amigos. Pessoas com quem estabelecem um alto grau de confiança e longevidade na amizade. São seguros e sabem muito bem o que querem. Traçam seus objetivos e os perseguem com determinação inquebrantável. Admiro isso e sou fã dos dois.

Tá Felipe! Já entendi que tu gosta e admira o Macedo. Mas, que história é esta de despedida? O cara vai se aposentar e largar tudo? Não! Claro, que não. O Macedo vai seguir no Rádio por muito tempo ainda. Tudo isso é para dizer que ele escreveu hoje a última coluna no Diário Gaúcho. Um espaço que assina há 15 anos e que lhe toma tempo na escolha do tema e preparação do texto. Neste sábado, 12/09/2015 ele se despede dos seus milhares de leitores, com a coluna que terá como título ADEUS. Se engana, quem pensa que ele vai usar esse tempo para namorar mais a Cristina ou cuidar das “crianças”, pescar ou olhar futebol indefinidamente na TV. O jovem sessentão quer ampliar seus espaços no mundo digital. São vários projetos que virão por aí. E nós que acompanhamos com menor ou maior interesse seus espaços certamente seremos impactados pelo trabalho do taurino.