Ex-deputado federal gaúcho Paulo Ferreira e outras 14 pessoas são denunciadas na Lava Jato por fraude em obra de centro da Petrobras

Ex-deputado federal gaúcho Paulo Ferreira e outras 14 pessoas são denunciadas na Lava Jato por fraude em obra de centro da Petrobras

Destaque Poder Política

O Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba denunciou hoje 15 pessoas em uma ação da Operação Lava Jato. Os denunciados são acusados dos crimes de corrupção, cartel e lavagem de dinheiro por fraudes no contrato para construção do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, no Rio de Janeiro, onde são feitos estudos sobre a exploração em águas profundas.

De acordo com o MPF, o contrato, assinado em janeiro de 2008 entre o Consórcio Novo Cenpes e a Petrobras, tinha um valor inicial de R$ 850 milhões e passou para mais de R$ 1 bilhão após aditivos.

Segundo a denúncia, para fechar o contrato, as empresas que formaram o consórcio, entre elas a OAS, a Carioca Engenharia, a Schahin, a Construbras e a Construcap, “ofereceram e efetivamente pagaram mais de R$ 20 milhões em propinas para funcionários do alto escalão da Petrobras e representantes do Partido dos Trabalhadores (PT)”.

Entre os denunciados, estão o empresário Adir Assad, os operadores financeiros Rodrigo Morales e Roberto Trombeta, e o operador Alexandre Correia de Oliveira Romano, além de nove integrantes das construtoras do consórcio. Também foram denunciados o ex-tesoureiro do PT e ex-deputado federal gaúcho Paulo Ferreira e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Dos 15 denunciados na ação, 11 são acusados pela primeira vez na Operação Lava Jato.

Segundo o MPF, Paulo Ferreira era o beneficiário de recursos vindos das empreiteiras contratadas pela Petrobras. “Não bastassem esses elementos, o próprio ex-tesoureiro do PT reconheceu que solicitou ao advogado operador do esquema que fizesse pagamentos no seu interesse.”

Esquema

O dinheiro era repassado por meio de contratos que eram simulados e superfaturados e saques feitos em contas de empresas de fachada. Os valores também eram depositados em contas de terceiros e valores eram transferidos para o exterior.

“A denúncia apresentada aponta operações de lavagem de dinheiro por intermédio da celebração de 19 contratos ideologicamente falsos que envolveram a interposição de 12 pessoas jurídicas e duas pessoas físicas diferentes, totalizando montante superior a R$ 7,5 milhões. Ainda foram identificados depósitos em favor de uma pessoa jurídica e 13 pessoas físicas indicadas por Paulo Ferreira totalizando mais de R$ 300 mil. Por fim, as transações ilícitas no exterior, no valor de US$ 711 mil, foram realizadas por meio de contas na Suíça abertas em nome das offshores Cliver Group Ltd., Kindai Financial Ltd. e Mayana Trading Corp”, completa o MPF. (Agência Brasil)

Propina a ex-tesoureiro gaúcho do PT envolveu parentes, blog e escola de samba, revela PF

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Cidade Comunicação Notícias

O pagamento de propinas ao ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira teve como objetivo não somente irrigar as finanças do partido, como também proporcionar vantagens pessoais a ele, disseram investigadores responsáveis pela 31ª fase da Lava Jato, denominada Operação Abismo, deflagrada hoje pela Polícia Federal. Ex-deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Ferreira está preso desde o dia 23 na superintendência do órgão em São Paulo, em decorrência da Operação Custo Brasil, também da PF.

Os investigadores disseram ter colhido provas de que Ferreira recebeu recursos desviados da Petrobras. Contas de parentes, além de um blog e de uma escola de samba de Porto Alegre – a Estado Maior da Restinga – eram usados para receber o dinheiro ilícito, conforme a PF.

Em delação premiada, o operador financeiro Alexandre Romano disse ter desviado para Ferreira R$ 1 milhão em contratos para a reforma do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro.

Segundo os investigadores, Romano apresentou talões de cheque comprovando o pagamento de R$ 2 mil ao próprio Ferreira e outros R$ 3,5 mil a dois filhos dele. Valores diversos foram pagos a assessores da tesouraria do PT e, segundo as investigações, também a uma servidora da Casa Civil da Presidência da República.

No despacho em que o juiz Sergio Moro concede a prisão preventiva de Ferreira, consta que o blog do advogado Júlio Garcia, na qual há publicações favoráveis a Paulo Ferreira, recebeu R$ 6 mil por meio de cheque nominal. Outros R$ 45 mil foram pagos à Estado Maior da Restinga, também por meio de cheques.

Ferreira foi candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul nas eleições de 2014, mas não conseguiu se eleger. Durante a campanha, ele recebeu da direção nacional do PT um repasse de R$ 266 mil proveniente de doação da Carioca Engenharia, empreiteira cujos diretores Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior delataram o cartel nas obras do Cenpes. Outros R$ 95 mil foram recebidos da Andrade Gutierrez.

O procurador da República Roberson Pozzobom, que esteve à frente da Operação Abismo, lembrou que Paulo Ferreira é atualmente suplente de deputado federal. “Agentes políticos estão no topo da cadeia alimentar das propinas”, disse Pozzobom, “O povo brasileiro hoje já não aguenta mais que os agentes políticos flertem, namorem e casem com a corrupção”, afirmou, antes de explicar os detalhes do esquema. “Precisamos da reforma política. Precisamos mudar esse sistema, só assim conseguiremos virar a página para um Brasil mais justo”, disse.

O procurador estimou que o esquema investigado na Operação Abismo tenha resultado num prejuízo de R$ 39 milhões aos cofres da Petrobras. Como Paulo Ferreira já está preso na Superintendência da PF em São Paulo, em decorrência da Operação Custo Brasil, deflagrada na semana passada, não houve necessidade de cumprir o mandado de prisão preventiva.

Outros quatro mandados de prisão temporária foram expedidos, contra os executivos ligados ao Consórcios Novo Cenpes: Edison Freire Coutinho, Roberto Ribeiro Capobianco, Genésio Schiavinato Júnior e Erasto Messias da Silva Júnior, em diligências feitas em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Os dois últimos investigados ainda não foram localizados pela PF.

O que dizem os dirigentes da Estado Maior da Restinga

O conselheiro da Estado Maior da Restinga, Hélio Garcias Dias, que presidiu a escola de 2003 a 2009, disse que Paulo Ferreira repassou verbas à agremiação através de projetos do Ministério da Cultura, que envolvem a Cadeia Produtiva do Carnaval. Essas verbas, segundo ele, beneficiaram diversas escolas de samba de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, não apenas a Restinga.

O presidente da escola, Robson Dias, confirmou o recebimento do dinheiro, mas frisou que não sabia qual a origem. “De onde vem, confesso, eu não sei. Imaginava que seria da embaixada da China”. No Carnaval 2010/2011, a escola da zona Sul de Porto Alegre homenageou o país asiático. Ele disse que conseguia as verbas através de lei de incentivo à cultura.” Paulo Ferreira foi quem conseguiu uma viagem para a China para 11 membros da agremiação. (*Com informações da Folha de S.Paulo, Agência Brasil e Rádio Guaíba)

Ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira aguarda em casa notificação de prisão; por  Jailton de Carvalho, Simone Iglesias e Eduardo Barreto – O Globo

Ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira aguarda em casa notificação de prisão; por Jailton de Carvalho, Simone Iglesias e Eduardo Barreto – O Globo

Direito Notícias

Ex-deputado e ex-secretário de Finanças do PT Paulo Ferreira ainda não foi notificado de eventual pedido de prisão. Ele está em casa aguardando a Polícia Federal apresentar o mandado. Ferreira disse ao GLOBO que já soube pelo seu advogado, José Roberto Batocchio, que há um mandado expedido em seu nome e que irá prestar todos os esclarecimentos que forem necessários.

Ferreira afirmou que mudou de endereço recentemente e que isso pode ter levado a não ter sido encontrado pela PF.

— Estou aqui aguardando. Ninguém me procurou ainda. Parece que tem um mandado e como não me localizaram ainda já disseram até que estou foragido. Mudei de apartamento recentemente, pode ser isso. Sei que há um mandado relacionado ao Alexandre Romano.

— Qualquer solicitação (da polícia) vou comparecer. Estou na minha casa em Brasília. Estou tranquilo — disse Ferreira, por telefone, ao GLOBO.

Ex-vereador petista, Romano delatou esquema de propina no Ministério do Planejamento no ano passado, que acabou levando à prisão, nesta quinta-feira, do ex-ministro da pasta Paulo Bernardo.

Paulo Ferreira disse ao GLOBO que agendou várias reuniões do Alexandre Romano com parlamentares do PT, mas nunca se envolveu com os negócios do ex-vereador. Ele disse ainda que Romano pagou algumas despesas da campanha dele, mas eram gastos irrisórios, que giravam em torno de R$ 5 mil. Ferreira alega ainda que não sabia do volume de dinheiro movimentado por Romano. Se soubesse, teria pedido contribuição de campanha mais significativa.

— Não tenho negócios com o Alexandre Romano. Tenho relações políticas. Ele me procurava para eu ver agenda para ele. Ele queria agenda com deputados. Com o Guimarães (José Guimarães, ex-líder do PT na Câmara), por exemplo. Eu fazia agendas para ele, mas nunca me meti nos negócios dele. A reportagem completa está em O Globo.

Época: Ex-tesoureiro do PT ganhou Land Rover de investigado da Lava Jato. Alexandre Romano doou o veículo em 2012 para a filha de Paulo Ferreira, que chefiou as finanças do PT até 2010; por Ricardo Della Coletta/Época

Época: Ex-tesoureiro do PT ganhou Land Rover de investigado da Lava Jato. Alexandre Romano doou o veículo em 2012 para a filha de Paulo Ferreira, que chefiou as finanças do PT até 2010; por Ricardo Della Coletta/Época

Notícias Poder Política

Tesoureiro do PT entre 2005 e 2010, Paulo Ferreira ganhou um Land Rover do correligionário Alexandre Corrêa de Oliveira Romano, o famoso Chambinho, investigado na Lava Jato e que está em prisão domiciliar. O carro, doado em 2012, foi registrado em nome da filha de Ferreira. Segundo ele, foi uma doação de Chambinho para campanhas do PT no Rio Grande do Sul. Ferreira, que é casado com a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, diz que o carro foi vendido depois por aproximadamente R$ 60 mil para pagar dívidas de campanhas. Enrolados em investigações gostam de Land Rover. Em 2005, o antigo secretário-geral da PT, Sílvio Pereira, foi presenteado com um um modelo avaliado em R$ 74 mil de uma fornecedora da Petrobras. O ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa ganhou outra, em 2014, avaliada em R$ 300 mil, do doleiro Alberto Yousseff.

Paulo Ferreira também é citado em outra reportagem da Revista Época: Delator acusa líder do governo na Câmara de receber propina.