EXCLUSIVO – Temer vai devolver à Cultura o status de Ministério na segunda; por  Reinaldo Azevedo/Veja

EXCLUSIVO – Temer vai devolver à Cultura o status de Ministério na segunda; por Reinaldo Azevedo/Veja

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Havia uma justa demanda da sociedade pela redução do número de ministérios. E o da Cultura, em razão da estrutura que tem e da proximidade óbvia com a Educação, era um candidato à fusão.

Todos sabem a minha opinião a respeito: eu não teria feito essa fusão porque me parecia que a dor de cabeça seria infinitamente maior do que os benefícios. Na era da Internet, boatos viram fatos.

E o boato de que a Cultura estaria sendo subestimada virou, para os artistas, um fato, ainda que não-verificável. Porque, efetivamente, não há desprestígio nenhum.

Mas, ora vejam!, a política também vive das aparências. Ainda que Temer tenha mandado resolver o rombo da cultura e tenha anunciado a disposição de aumentar a dotação orçamentária, isso acabará sendo subestimado se restar a sensação de que, ao transformar um ministério em secretaria, ele rebaixou o setor.

Assim, o presidente está decidido a devolver à Cultura o status de ministério, atendendo, de resto, ao apelo não apenas dos artistas. Parte considerável da classe política também não viu a medida com bons olhos.

É um recuo? É, sim! E me parece meritório! O bem que como tal não é percebido e que corre o risco de ser lido às avessas, vamos convir, “bem” não é. Porque assim será apenas se puder se desdobrar em fatos virtuosos. E, definitivamente, não é o que está em curso.

O presidente está com uma tarefa gigantesca nas mãos, como todos sabemos. O rombo no Orçamento anunciado nesta sexta, 76,35% maior do que a gestão Dilma havia anunciado, dá conta do desafio. Temer está consertando um avião que estava pronto para se espatifar enquanto ele está voando.

Eu mesmo estou entre aqueles que chamaram de “erro” a fusão. E não vou, obviamente, censurar alguém que corrige um erro. Ao contrário: vou aplaudir.

Que a Cultura volte a ter status de Ministério. O que cobro, isto sim, é que seja gerida por gente competente e que os gestores se orientem pelo critério, então, da eficiência, da qualidade e do retorno dos recursos investidos. Com em qualquer área.

Anotem aí: na segunda-feira, o presidente deve anunciar a mudança. Que bom!

O Brasil estava enfarado era de governantes que, ao perceber que adotaram um remédio errado, dobravam a dose. Assim fazia Dilma.

Também essa mudança é positiva.

“Não dá para dar cavalinho de pau”, pondera presidente do PT gaúcho sobre alianças com PMDB; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

“Não dá para dar cavalinho de pau”, pondera presidente do PT gaúcho sobre alianças com PMDB; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

Eleições 2016 Notícias Poder Política

O presidente do PT no Rio Grande do Sul, Ary Vannazi, comemorou hoje a decisão do diretório nacional da legenda de restringir, mas não proibir, alianças com peemedebistas nas próximas eleições. A decisão foi tomada ontem, durante reunião da cúpula petista em Brasília, aceitando alianças com nomes do PMDB que não tenham defendido o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Segundo Vanazzi, trata-se de um processo de transição que deve ser realizado gradualmente.

“Também não dá para dar um cavalinho de pau. Esse é o nosso problema. Temos que ter um processo de transição. Essa decisão é um processo forte de transição na nossa política de alianças. Nós avançamos muito ontem, a nível nacional. Porque a nossa decisão também é fortalecer e ampliar alianças com PC do B, PSOL e PDT, e setores do PSB”, defendeu Vanazzi.

Na prática, o PT nacional reproduziu uma decisão que a cúpula petista gaúcha já havia tomada semanas antes. Após a reunião, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou a dizer que “o PMDB é um partido enorme, teve uma participação na luta democrática no passado e que, Brasil afora, deve ter pessoas confiáveis”.

A reunião de ontem do PT também orientou a base para que realize forte oposição ao governo interino de Michel Temer (PMDB). Isso porque a avaliação do partido é que Temer promoveu um “golpe” político em Dilma para chegar ao poder.

As resoluções divulgadas após a reunião também trazem uma autocrítica do PT. Em um dos textos, os petistas admitem que cometeram falhas durante os mais de 13 anos de governos, sendo uma delas o fato de se deixarem “contaminar” pelo financiamento empresarial de campanha. No texto, não há citações diretas sobre o envolvimento de petistas em esquemas de corrupção.

“Fomos contaminados pelo financiamento empresarial de campanhas, estrutura celular de como as classes dominantes se articulam com o Estado, formando suas próprias bancadas corporativas e controlando governos. Preservada essa condição, mesmo após nossa vitória eleitoral de 2002, terminamos envolvidos em práticas dos partidos políticos tradicionais, o que claramente afetou negativamente nossa imagem e abriu flancos para ataques de aparatos judiciais controlados pela direita”, cita um trecho da resolução.

Em outro trecho, o partido adverte para os riscos de perda de direitos trabalhistas e sociais do governo interino de Temer.

“Afinal, seria risco imenso submeter a eleições livres e diretas um projeto calcado sobre arrocho de salários e aposentadorias; eliminação de direitos trabalhistas; corte de gastos com programas sociais; anulação das vinculações constitucionais em saúde e educação; privatização de empresas estatais e abdicação da soberania sobre o pré-sal; submissão do país aos interesses das grandes corporações financeiras internacionais”.