“Muda Senado! Muda Brasil!” convoca população a defender a CPI da Toga. Para Lasier, “É lamentável ver o Judiciário se tornar uma super casta”

“Muda Senado! Muda Brasil!” convoca população a defender a CPI da Toga. Para Lasier, “É lamentável ver o Judiciário se tornar uma super casta”

Destaque Direito

Logo após a reunião desta terça (10) do “Muda Senado! Muda Brasil!”, o  grupo de senadores convocou a população para participar da manifestação do próximo dia 25, às 14 horas, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em defesa da Lava Jato e da instalação da CPI da Toga.

Segundo o senador Lasier Martins (Podemos-RS), “Estamos numa cruzada ética para avançar na pauta da sociedade, que quer expurgar não só os maus políticos, mas também os maus magistrados”, disse. Ele lembrou que os poderes Executivo e Legislativo já foram alvo de ações saneadoras, enquanto o Supremo Tribunal Federal segue intocável. “É lamentável ver o Judiciário se tornar uma super casta”, protestou.

Para Lasier, o grupo de senadores que cobra mudanças na forma de se fazer política e protagonismo do Senado em temas de sua competência exclusiva precisa agora do apoio da população em todo o Brasil. “Essa mobilização é decisiva para a terceira tentativa de abertura da comissão parlamentar de inquérito para investigar membros dos tribunais superiores”, resumiu o senador.

Prefeito eleito do Rio de Janeiro Marcelo Crivela fala sobre finanças públicas, segurança pública e carnaval

Prefeito eleito do Rio de Janeiro Marcelo Crivela fala sobre finanças públicas, segurança pública e carnaval

Notícias Poder Política

 

O Senador Marcelo Crivela(PRB), prefeito eleito do Rio de Janeiro conversou com o jornalista Felipe Vieira sobre a situação das finanças municipais e estaduais, seu plano para a área da segurança pública baseado no que viu em Jerusalém, onde são usadas armas não letais, carnaval e outros assuntos.

Morre aos 96 anos o ex-governador do Pará e ex-ministro Jarbas Passarinho

Morre aos 96 anos o ex-governador do Pará e ex-ministro Jarbas Passarinho

Destaque Poder Política

O ex-governador do Pará, ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho morreu na manhã de hoje (5) aos 96 anos. Ele faleceu em sua residência, em Brasília, em decorrência de problemas de saúde relacionados à idade já avançada. Por meio de nota, o governo do Pará informou que decretou luto oficial de três dias. O velório será feito na própria capital federal e o enterro está programado para começar às 16h, no Cemitério Campo da Esperança. Nascido no município de Xapuri, interior do Acre, Jarbas Passarinho, militar do Exército, iniciou sua trajetória política no Pará, estado que governou entre 1964 e 1966. No Senado, cumpriu três mandatos. Também atuou como ministro do Trabalho, da Educação e da Previdência Social no governo militar e como ministro da Justiça no governo de Fernando Collor.

Biografia

É filho de Inácio de Loiola Passarinho e Júlia Gonçalves Passarinho. Ingressou na carreira militar e foi alçado à Artilharia chegando a tenente-coronel quando da deposição de João Goulart e a

Salão Negro Do Senado Federal Data - 29/09/1988 Assunto - Assinatura da Constitutição Participantes - Sen Jarbas Passarinho. Foto: Celio Azevedo/Fotos Públicas
Jarbas Passarinho Foto: Celio Azevedo

subsequente instauração do Regime Militar de 1964, por meio do qual foi alçado à política. Foi casado com Ruth de Castro Gonçalves e pai de cinco filhos.

Em 15 de junho de 1964 foi empossado governador do Pará em lugar do deposto Aurélio do Carmo cuja presença à frente do executivo foi dispensada pelo novo regime. Jarbas Passarinho filiou-se à ARENA e após deixar o governo foi eleito senador em 1966, mas em seguida foi nomeado ministro do Trabalho e Previdência Social no governo Costa e Silva, sendo mantido no cargo pela Junta Militar de 1969 que assumiu o poder após o afastamento do presidente da República até que o presidente Emílio Garrastazu Médici o nomeou ministro da Educação, de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974. Em sua atuação como ministro de estado foi signatário do Ato Institucional Número Cinco em 13 de dezembro de 1968. É de autoria, do então Ministro Jarbas Passarinho, a célebre frase que dirigiu ao Presidente Costa e Silva por ocasião da assinatura do AI-5: “Sei que a Vossa Excelência repugna, como a mim e a todos os membros desse Conselho, enveredar pelo caminho da ditadura pura e simples, mas me parece que claramente é esta que está diante de nós. […] Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”.

Em 14 de novembro de 1969 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 2 de março de 1971 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e em 2 de novembro de 1972 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública de Portugal.

Reeleito senador em 1974 foi um dos poucos arenistas a vencer no pleito daquele ano e com o passar dos anos foi um dos fundadores do PDS e presidiu o Senado Federal (1981-1983) durante o governo João Figueiredo. Sua liderança foi posta à prova a partir do cisma entre ele e Alacid Nunes, outrora seu maior aliado. Progressivamente afastados cada um usou de influência para controlar o PDS local e como Passarinho dispunha do apoio de Brasília os alacidistas apoiaram e elegeram o deputado federal Jader Barbalho governador do Pará em 1982, mesmo ele sendo filiado ao PMDB. No mesmo ano Passarinho foi derrotado por Hélio Gueiros na disputa pelo Senado. Um ano depois foi nomeado ministro da Previdência Social pelo presidente João Figueiredo entre 14 de novembro de 1983 e 15 de março de 1985.

Por ocasião das eleições de 1986 aceitou uma coligação com o PMDB de Jader Barbalho e nisso Hélio Gueiros foi eleito governador com Almir Gabriel e Jarbas Passarinho eleitos senadores, porém o acerto não o demoveu de fazer oposição ao governo José Sarney. Eleito presidente do diretório nacional do PDS, renunciou pouco antes das eleição presidencial de 1989.

Em 26 de novembro de 1987 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Portugal.

Ministro da Justiça no governo Fernando Collor de 13 de outubro de 1990 a 2 de abril de 1992, deixou o cargo antes das investigações que resultariam no impeachment presidencial. Seu papel de maior relevo foi o de presidente da CPI do Orçamento, todavia esse fato não impediu sua derrota quando concorreu ao governo do Pará pelo PPR em 1994 derrotado por Almir Gabriel.

Mesmo na dianteira do apoio ao impeachment, PP gaúcho deve ficar sem cargo em governo Temer; por Samantha Klein/Rádio Guaíba

Mesmo na dianteira do apoio ao impeachment, PP gaúcho deve ficar sem cargo em governo Temer; por Samantha Klein/Rádio Guaíba

Notícias Poder Política

Depois que o senador Blairo Maggi (PR/MT) confirmou, via Twitter, nesse sábado, que vai ser o ministro da Agricultura em um eventual governo Michel Temer, o Partido Progressista no Rio Grande do Sul deve ficar sem indicação a cargos de primeiro escalão. Para a Pasta, eram indicados Jerônimo Goergen, principal articulador da saída do PP do governo Dilma, Luiz Carlos Heinze, Ana Amélia Lemos e Francisco Turra.

Com isso, aos progressistas, pode ser confirmada somente a indicação do deputado federal Ricardo Barros, eleito pelo PP no Paraná, para o Ministério da Saúde. Conforme o presidente da sigla no Rio Grande do Sul, Celso Bernardi, o PP apoiou o impeachment convicto na opção de mudança e não para obter cargos. “Tem que ficar bem claro que o PP, quando optou em votar pelo impeachment e afastamento do governo da presidenta, não tinha nenhuma intenção de obter indicação a ministérios. Logicamente, o nome de Blairo Maggi é muito adequado para a Agricultura”, ressaltou.

O PP gaúcho soma seis deputados federais, todos eles ligados à bancada ruralista. Entre os políticos do Rio Grande do Sul, Eliseu Padilha (PMDB) deve ser confirmado ministro da Casa Civil. Padilha era um dos principais aliados da presidente Dilma Rousseff enquanto comandou a Aviação Civil. Já Osmar Terra (PMDB), também deputado federal, é o mais cotado para o Ministério do Desenvolvimento Social, que controla o orçamento do Bolsa Família.

Dilma deve ser afastada do cargo até o final da próxima semana, após votação do parecer do relator Antônio Anastasia (PSDB/MG) favorável ao processo de impedimento. Os senadores devem começar a votar na próxima quarta-feira.

Peemedebista Raimundo Lira vai presidir comissão do impeachment no Senado

Peemedebista Raimundo Lira vai presidir comissão do impeachment no Senado

Notícias Poder Política

O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) vai presidir a Comissão Especial do Impeachment no Senado. O anúncio foi feito, no início da tarde de hoje, pelo líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE). Como titulares do PMDB no colegiado, foram indicados os senadores José Maranhão (PB), Waldemir Moka (MS), Rose de Freitas (ES) e Simone Tebet (MS). Os suplentes serão Hélio José (DF), Marta Suplicy (SP) , Garibaldi Alves (RN), João Alberto (MA) e Dário Berger (SC).

Ao lembrar que o PMDB soma 18 parlamentares na Casa, Oliveira afirmou que a escolha de Lira foi pessoal e a mais difícil da função de líder. “O senador Raimundo Lira preenche, no meu entendimento como líder, todas as qualidades como seriedade de tranquilidade. Esse é um processo que não pode ser feito para alguém aparecer na mídia. Esse é um processo muito sério”, disse.

Apesar de já ter declarado voto favorável ao impedimento da presidente Dilma, o senador Raimundo Lira é visto, mesmo por parlamentares do PT, como um nome moderado e de trânsito favorável. Após a indicação para ser presidente da comissão especial, a assessoria do senador Raimundo Lira disse que agora ele se declara indeciso.

Instalação

Antes da instalação da comissão especial, na segunda-feira, os nomes indicados terão de cumprir uma formalidade: ser aprovados, em sessão deliberativa do Senado marcada para as 16h. Em seguida, já na comissão, serão eleitos o presidente e o relator da comissão. Segundo o Regimento Interno do Senado cabe ao presidente da comissão indicar o relator.

Diante da defesa do nome do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), apoiadores do governo insistem que seja indicado um nome considerado neutro para a comissão.

Outras indicações

Até o fechamento dessa reportagem apenas o PDT, que compõe o Bloco de Apoio ao governo junto com o PT, ainda não tinha indicado o nome do titular e do suplente para o colegiado.

Representando o PT, devem compor a comissão, como titulares, os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT- SC) e José Pimentel (PT-CE). Como suplentes, foram escalados os senadores Humberto Costa (PT-PE) , Fátima Bezerra (PT-RN) e a última vaga foi cedida ao senador João Capiberibe (PSB-AP). Apesar da divulgação dos nomes, o PT não oficializou as indicações. Isso vai ser feito apenas na sexta-feira (22) , no fim do prazo dado pelo presidente do Senado, para garantir que a comissão não seja instalada antes de segunda-feira.

Ontem mesmo, o Bloco da Oposição (PSDB-DEM-PV) já havia indicado como titulares os senadores Antônio Anastasia, Aloysio Nunes (PSDB-SP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) . Os suplentes serão Tasso Jereissati (PSDB-CE), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), Paulo Bauer (PSDB-SC) e Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O Bloco Moderador (PR-PTB-PSC-PRB-PTC) vai ter Wellington Fagundes (PR-MT) e Zezé Perrela (PTB-MG) como titulares e, como suplentes, Eduardo Amorim (PSC-SE) e Magno Malta (PR-ES).

Já o Bloco Socialismo e Democracia (PSB-PPS-PCdoB- Rede) escolheu Romário (PSB-RJ), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e Vanessa Grazziotion (PCdoB-AM), como titulares, e Roberto Rocha (PSB-MA), Cristovam Buarque (PPS-DF) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e como suplentes.

Outro bloco parlamentar, o da Democracia Progressista (PP-PSD) vai ter como titulares Ana Amélia Lemos (PP-RS), Gladson Cameli (PP-AC) e José Medeiros (PSD-MT). Sérgio Petecão (PSD- AC), Wilder Morais (PP-GO) e Otto Alencar (PSD-BA) serão os suplentes.

Operação Lava Jato

Até agora, quatro senadores indicados para vaga de titulares são alvo de inquéritos relacionados à Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF): Fernando Bezerra Coelho (PSB), Gladson Cameli (PP), Gleisi Hoffmann (PT) e Lindbergh Farias (PT). Segundo a Justiça Federal, eles são suspeitos de receber propina do esquema de desvios da Petrobras. Todos desmentem participação em qualquer irregularidade. (Agência Brasil)

“Impeachment baseado na rejeição das contas é meio fraco”, afirma Pedro Simon.  Ex-governador do Estado, entretanto, diz que chamar impeachment de golpe é “malandragem do PT”

“Impeachment baseado na rejeição das contas é meio fraco”, afirma Pedro Simon. Ex-governador do Estado, entretanto, diz que chamar impeachment de golpe é “malandragem do PT”

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O ex-senador e governador do Rio Grande do Sul, Pedro Simon (PMDB), afirmou nessa terça-feira (08), em entrevista exclusiva à Rádio Guaíba, que considera fraco o argumento que está colocado no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O ex-governador peemedebista lembra que as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), argumento central do pedido de impeachment, ainda não foram nem mesmo apreciadas pelo Congresso Nacional. Segundo Simon, o processo de impedimento de Dilma deveria ser aberto após a conclusão das investigações da Operação Lava Jato que, de alguma forma, poderiam implicar a presidente da República.

“O impeachment baseado apenas na rejeição das contas pelo Tribunal é meio fraco. O importante eram as contas da Lava Jato. No final poderia, e acho que atingiria, a presidente da República. A decisão do Tribunal de Contas da União (ainda) vai à votação pelo Congresso, que aceita a decisão ou rejeita. Então está se pedindo um impeachment sobre uma decisão que o Congresso vai decidir se é ou não é”, disse Simon.

O peemedebista ainda minimizou o fato do governo ter gastado mais do que poderia em 2014. Esta é uma das constatações do TCU que fundamenta o pedido de impeachment. Segundo Simon, irresponsabilidade fiscal é prática corriqueira na gestão pública.

“Até porque esse negócio de exagero de gastos existe desde que eu me conheço por gente. O grave que está acontecendo é a Operação Lava-Jato. Muitas coisas estão se repetindo, aumentando, aumentando. A conclusão dessa questão é que a gente vai decidir se a presidenta é isenta, não é culpada, ou se ela, que foi quatro anos a ministra de Minas e Energia tendo a Petrobras debaixo de seu comando, quatro anos chefe da Casa Civil sendo presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e cinco anos presidente da República, qual é a responsabilidade dela nos eventuais escândalos. Em cima disso deveria ser a discussão sobre ter ou não ter impeachment”, detalhou o ex-governador.

Apesar de apresentar restrições aos argumentos colocados no atual processo de impeachment, Simon considera ridícula a tese de golpe levantada pelo PT. Segundo Simon, dizer que se trata de um golpe é uma estratégia de comunicação do Partido dos Trabalhadores.

“Com todo respeito, isso é ridículo! A discussão é absolutamente democrática, está aberta. Esse negócio de golpe é um golpe publicitário do PT. O PT quer levar à radicalização. ‘Não, eu não concordo, é o novo 64′. Absolutamente não dá para dizer isso. O PT está forçando a barra. Pode discordar do impeachment. Eu mesmo acho que não é… Eu concordo com o presidente do partido (PMDB no RS), Ibsen Pinheiro, que não era a maneira de fazer… Daí a dizer que é golpe é malandragem do PT”, argumentou.

O ex-governador Tarso Genro (PT) comentou, em sua conta pessoal no Twitter, a afirmação do peemedebista. “Simon, discutir ‘impeachment’ é, sim, da democracia. Malandragem, porém, é usá-lo como chantagem para obstruir processo na Comissão de ética”, disse Tarso, fazendo referência à tese de que Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, aceitou o pedido de impeachment de Dilma como forma de atrasar o processo ético que pesa contra si.

Simon ainda defende que não é possível comparar o processo de impeachment contra Fernando Collor com este que tramita contra Dilma. Segundo ele, no caso de Collor, a CPI identificou relações diretas do presidente com um esquema de corrupção.

“Eu fui o homem que coordenou aquela CPI do Collor, foi feita no meu gabinete. A CPI foi toda em cima do Pedro Collor (irmão do então presidente). Agora, no decorrer foi crescendo, crescendo e apareceu o nome do presidente. Veja a diferença: pedimos uma CPI, apareceram os fatos e, baseado nesses fatos, nós pedimos o impeachment. Aqui não. Para ser igual ao Collor, eles deveriam continuar as denúncias da Lava-Jato, chegar à conclusão, e não tenho nenhuma dúvida que chegando à conclusão tem muitos motivos para pedir o impeachment da Dilma”, finalizou o peedebista, que tem em sua trajetória política quatro mandatos no Senado, último deles encerrado no início de 2015. (Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba)

Pedro Simon: Saída de Mercadante foi vitória de Lula e derrota para Dilma (Eduardo Miranda/Jornal do Brasil)

Pedro Simon: Saída de Mercadante foi vitória de Lula e derrota para Dilma (Eduardo Miranda/Jornal do Brasil)

Notícias Poder Política

Com mais de 50 anos de experiência no dia a dia do Congresso Nacional e um dos nomes mais influentes na política nacional, o ex-senador Pedro Simon (PMDB) admitiu, em entrevista ao Jornal do Brasil, que nunca viu um período de tantas turbulências políticas como o atual.

Questionado sobre que motivos provocam tal diagnóstico, Simon cita prontamente as denúncias contra parlamentares envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras e investigados pela operação Lava Jato.

Mas o ex-governador do Rio Grande do Sul argumenta também que faltou habilidade do governo da presidente Dilma Rousseff para lidar com a base. Ele defende que a Chefe do Executivo deveria ter seguido o exemplo do ex-presidente Itamar Franco assim que percebeu a crise política.

“Itamar reuniu todos os partidos, disse que não tinha base, não tinha partido, não tinha Congresso – que havia acabado de cassar o Collor – e propôs uma pauta comum. Ele propôs que o Congresso não batesse nele nem ele bateria no Congresso sem que antes houvesse uma conversa”, relembra Simon.

Na opinião do peemedebista, é baixo o risco de que a Congresso volte a inflamar novos pedidos de impeachment. Ele assegura, porém, que o preço pago pela presidente Dilma foi o seu próprio enfraquecimento como resultado da reforma administrativa e ministerial, sobretudo com a saída de Aloizio Mercadante da Casa Civil, que era considera homem de confiança do Planalto.

“Ele (Mercadante) era uma peça fundamental para ela. Foi uma vitória do Lula e uma derrota dela para ela mesma”, afirma, em alusão à entrada de Jaques Wagner, mais próximo de Lula, para assumir o comando da Casa Civil.

Confira a entrevista:

Jornal do Brasil – Qual é a análise que o senhor faz da atual conjuntura política?

Pedro Simon – Estamos chegando a uma situação em que se busca uma determinação. Esse envolvimento do presidente da Câmara vai para as manchetes dos jornais e se decide qual é a solução. Com o procurador apresentando a denúncia, o fato é que, em sendo presidente da Câmara, não precisaria esperar ser réu para se afastar. Já deveria ter se afastado. Isso ainda vai esquentar muito, sobretudo num momento em que a Câmara tem uma pauta e o Senado tem outra. Isso pode gerar fatos imprevisíveis.

Jornal do Brasil – É uma questão interna do PMDB?

Pedro Simon – O MDB é multifacetado. O vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara tinham dado declaração que não indicavam ninguém para os cargos (ministérios da reforma administrativa, anunciada nesta sexta-feira), dando a entender que não queriam participar do governo. Quando ouvi isso, lá em Porto Alegre, lancei uma tese de que a gente deveria falar com a presidente que se o MDB é o partido que sempre diz que quer cargos e agora não quer, ela deveria promover um entendimento, fazer um pacto e chamar todo mundo à mesa.

Jornal do Brasil – A que o senhor atribui a falta de habilidade do governo com a base?

Pedro Simon – No fundo, o governo não tem proposta, não sabe o que quer. Há uma disparidade entre o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma. O Lula tem uma ideia, um pensamento dele e que não coincide com o da presidenta. O caso típico disso foi o Mercadante sair da Casa Civil, ele era uma peça fundamental para ela. Foi uma vitória do Lula e uma derrota dela para ela mesma. Ela não tem uma política firme, não sabe o que quer. Uma hora está aqui, outra hora está lá. Uma hora o ministro da Saúde é muito bom, outra hora ele é demitido por telefone (Arthur Chioro, que deixou o comando da pasta com a reforma). Se dependesse só do PT, ela (Dilma) sairia do governo.

Jornal do Brasil – Essa mudança do chamado “núcleo duro” do governo, com Jaques Wagner na Casa Civil, Edinho Silva na Secretaria de Comunicação e Berzoini na articulação política, pode melhorar o diálogo com a base aliada?

Pedro Simon – Qualquer um na Casa Civil seria melhor que o Mercadante. Wagner tem simpatia, capacidade e manejo, 99% da Câmara pensa assim.

Jornal do Brasil – Mercadante realmente tem problemas com o PMDB ou é um capricho do partido?

Pedro Simon – Mercadante tem uma posição, digamos assim, pessoal, como tem o próprio PT. Aliás, dentro do próprio PT há uma maioria que não tem nenhuma identificação com Mercadante.

Jornal do Brasil – Desqualifica-se muito o governo, mas o mesmo tem sido falado sobre a oposição, que ela não tem estratégia, por exemplo.

Pedro Simon – Não dá para falar em estratégia da oposição, porque não há um bloco de oposição. O MDB, por exemplo, tem várias divisões. Não se coloca o (Roberto) Requião junto com o presidente do Senado (Renan Calheiros). Assim como o Cristovam Buarque não se parece com um ou outro do PDT.

Jornal do Brasil – Mas o senhor considera, então, que a oposição ao governo é o próprio PMDB?

Pedro Simon – Eu não diria isso. Eu diria apenas que dentro do MDB tem de tudo. Tem os que apoiam a Dilma, tem os que acham que pode acontecer de nosso Temer aparecer e os que acreditam na tese de que o impeachment pode passar no Congresso. Mas não há fanáticos de um lado ou de outro. A situação em si é que é conturbada. Só um mágico pode saber o que irá acontecer.

Jornal do Brasil – O impeachment ainda tem força, mesmo depois da reforma ministerial?

Pedro Simon – Acho que ele esmoreceu. Para um processo de impeachment, primeiro são necessários fatos. Depois é que vem o impeachment. Foi assim no governo do Collor. Mas pedir o impeachment para depois criar uma CPI? Isso é meio complicado.

Jornal do Brasil – E em relação aos processos sobre pedaladas fiscais, no Tribunal de Contas da União (TCU), e de pedido de impugnação de chapa, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)?

Pedro Simon – Isso, sim, pode criar fato que determine pedido de impeachment. O que não pode é pedir CPI para buscar os fatos. Uma coisa não deve se antecipar à outra. Essa é a grande diferença.

Jornal do Brasil – Alguns líderes do PMDB querem debater candidatura própria em 2018 no congresso do partido, em novembro. O senhor vê nomes para a disputa?

Pedro Simon – O MDB a vida inteira defende candidatura própria. Mas a cúpula faz os acordos e pronto, não deixa saída. Agora, em relação a nomes para candidatura própria à presidência da República, pelo amor de Deus, sempre tivemos. Só para citar um nome: o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Jornal do Brasil – Esse movimento de agora, de afirmar que lançará candidato à Presidência da República, é diferente?

Pedro Simon – É, sim. Agora estamos numa situação sem profundidade, o tumulto (no governo) é tão grande, cada dia se apresenta um fato diferente, não dá para dizer o que se vai fazer na semana que vem. Nunca vi um momento tão complexo quanto esse. Reafirmo que Dilma deveria ter convocado todo mundo, a base aliada, para buscar um entendimento, antes que chegássemos ao momento atual.

Jornal do Brasil – Mas o que foi que ela não fez?

Pedro Simon – Fazer o que Itamar Franco fez. Reuniu todos os partidos, disse que não tinha base, não tinha partido, não tinha Congresso – que havia acabado de cassar o Collor – e propôs uma pauta comum. Ele propôs que o Congresso não batesse nele nem ele bateria no Congresso sem que antes houvesse uma conversa.

Jornal do Brasil – Isso inclui acusações de parlamentares ao governo de direcionamento nas investigações da Lava Jato?

Pedro Simon – O grande mérito desse governo é que deixou a Polícia Federal agir livremente e o ministro da Justiça, Cardozo, disse que as investigações se desenvolveriam com independência, total autonomia.

PGR pede arquivamento do inquérito contra tucano na Lava Jato

PGR pede arquivamento do inquérito contra tucano na Lava Jato

Notícias Poder Política
Na noite desta sexta-feira (28), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento do inquérito aberto na operação Lava Jato contra o senador Antonio Anastasia, do PSDB de Minas Gerais. A Procuradoria entendeu que não havia elementos mínimos contra ele. A decisão final será do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF.

A investigação foi aberta em março, após o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, afirmar em depoimento que entregou, em 2010, R$ 1 milhão, a mando do doleiro Alberto Youssef, a uma pessoa que parecia ser Anastasia. Youssef negou que tenha dado dinheiro ao tucano.

O advogado Maurício Oliveira Campos, que defende o senador, declarou que isso confirma o que ele argumentava desde o início: que não havia elementos mínimos contra Anastasia. (JN-Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado)