Porto Alegre, terça, 09 de agosto de 2022
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Mercado gaúcho reage à liquidação da Ceitec; Jornal do Comércio

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Projeto da fábrica de chips situada em Porto Alegre teve doação de equipamentos da Motorola CEITEC/DIVULGAÇÃO/JC

 

 

“Uma punhalada na estratégia da indústria 4.0 do Brasil.” É desta forma que o engenheiro e professor Adão Villaverde encara a decisão do governo federal de liquidar a Ceitec, confirmada nessa quarta-feira (10).

Villaverde foi um dos principais articuladores da vinda da empresa para o Rio Grande do Sul e era secretário da Ciência e Tecnologia quando, em 1999, a Motorola bateu martelo e fez a doação dos equipamentos que deram o início à fábrica situada em Porto Alegre.
“Tivemos uma disputa grande com São Paulo, mas lá o projeto seria uma espécie de laboratório dentro da Universidade de São Paulo (USP). A proposta gaúcha agradou mais por ser mais ampla e envolver diversos atores. Queríamos e fizemos uma fábrica de chips que durante muito tempo foi à única abaixo da Linha do Equador”, relembra.
As expectativas em torno da Ceitec eram grandes. Chip do boi, chip para o passaporte ou de identificação veicular estão no portfólio, mas nunca chegaram a alcançar de forma representativa o mercado. E a verdade é que já faz algum tempo que a empresa pública de semicondutores vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), instalada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, está na berlinda.
Sempre questionada por parte da sociedade por ainda ser dependente de recursos do Tesouro, enfrentou no início de 2019 rumores de que seria fechada e os funcionários demitidos. Na época, a informação foi negada pelo MCTIC.
Ontem, em coletiva de imprensa com representantes do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos, a secretária especial de PPI, Martha Sellier, admitiu que será mesmo feita a recomendação ao presidente da República, Jair Bolsonaro, da liquidação da Ceitec.
O secretário executivo do MCTIC, Julio Semeghini, afirma que a decisão foi por tentar qualificar a Ceitec como uma Organização Social (OS) e, assim, preservar parte dos talentos e dos ativos, especialmente os intangíveis, como as patentes geradas nos últimos anos. A ideia é transferir isso para o ministério. “A liquidação não será feita de qualquer forma. Não queremos ter uma interrupção nos projetos da Ceitec e se houver interessados em absorver a parte que não fará parte da OS, queremos que essa empresa mantenha essa produção industrial no País”, relata.
Semeghini destacou o quadro técnico da Ceitec, com mestres, doutores e especialistas, e grande quantidade grande de patentes e designs de circuitos desenvolvidos, e que, segundo, ele precisam ser preservados. Mas, disse que estão claras as dificuldades enfrentadas pela empresa.

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