Porto Alegre, quarta, 22 de setembro de 2021
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Memorabília: Juarez Machado; por Márcio Pinheiro*

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Seu aspecto era o de um dândi. A roupa impecavelmente branca com finas linhas pretas, a indefectível gravata borboleta e o cavanhaque pontudo compunham um personagem que se mostrava afinado com a paisagem. Nos anos 70, Juarez Machado – catarinense de Joinville, 80 anos – se dividia entre a charge, a cenografia e a mímica.

Na primeira atividade, alcançou o sucesso publicando no Pasquim e mantendo uma coluna no Jornal do Brasil. E foi a partir deste espaço que Juarez teve a ideia de emprestar o próprio corpo para dar vida aos seus desenhos. Assim, surgiu um quadro dentro do programa Fantástico em que Juarez protagonizava vinhetas animadas nas quais atuava como mímico – ou, na sua própria definição, um “desenhista do gesto” – ao som de um tema composto pelo maestro Júlio Medaglia.

No seu quadro, apresentado até 1978, Juarez interagia com os próprios desenhos. Em contraposição ao colorido das obras, Juarez aparecia todo vestido de branco e com o rosto igualmente pintado de branco. O quadro de humor era sem palavras, uma proposta ousada para a época, ainda mais para um programa popular e de grande audiência como o Fantástico. Mas, graças ao cenário, ao mesmo tempo simples e ousado, e a capacidade do artista de criar situações que beiravam o non-sense, o quadro fez sucesso.

A inspiração óbvia era o mímico francês Marcel Marceau e, quase sempre, Juarez comentava situações cotidianas, algumas normais, como uma viagem de trem, outras absurdas, com um passeio em uma bicicleta com rodas quadradas. Desde o final dos anos 80, Juarez Machado vive em Paris.

 

*Márcio Pinheiro, jornalista, escritor,  publisher do AmaJazz e pai da Lina.