Porto Alegre, terça, 23 de abril de 2024
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Porto Alegre: Serviço na Capital é referência no atendimento a crianças com autismo

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Cordão auxilia na identificação de pessoas com transtornos ocultos como o TEA. Foto: Cristine Rochol/PMPA

 

 

O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo é lembrado neste 2 de abril com objetivo de disseminar informações sobre essa condição do neurodesenvolvimento humano e reduzir o preconceito que cerca as pessoas que tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em Porto Alegre, o Centro de Referência do Transtorno Autista (Certa) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é o primeiro serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) na Capital voltado às especificidades desse público.

O autismo pode ser identificado ainda nos primeiros anos de vida, e o pediatra tem o papel importante no acolhimento da escuta da família, na compreensão dos sintomas e na vigilância dos fatores de risco. Atualmente a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza que esses profissionais realizem avaliações de triagem para autismo aos 6, 9 e 12 meses e a qualquer momento quando sejam identificadas perdas de habilidades já adquiridas.

Para a médica pediatra do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), Fabiana Eloisa Mugnol, os alicerces básicos para o diagnóstico do autismo estão embasados na presença de falhas comunicativas e padrões de comportamento restritos e repetitivos. “As apresentações clínicas podem se apresentar sob forma de prejuízos sutis a severos, o que determina diferentes graus de ajuda nas atividades da vida diária”, explica.

A funcionalidade global pode variar ao longo da vida, conforme a complexidade do meio, a regulação emocional/comportamental, a presença de comorbidades e as estratégias de reabilitação. “Cabe salientar, também, as diferenças de apresentações clínicas entre os gêneros e o mascaramento social”, complementa.

Certa – Em maio o Certa completa um ano de acolhimentos a 278 crianças. Atualmente o serviço realiza 1,2 mil atendimentos por mês. O objetivo do espaço é reintegrar a criança na sociedade, priorizando a autonomia social e a inclusão escolar. A equipe multidisciplinar é composta por neuropediatra, psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, nutricionista, enfermeiro, fisioterapeuta e atendimento pedagógico especializado. O HMIPV também contribui oferecendo atendimento em saúde bucal e realizando exames.

O Certa também dispõe de três óculos de realidade virtual que auxiliam no atendimento das crianças que frequentam o espaço. O equipamento tem a capacidade de criar ambientes educacionais, diversas cidades e lugares, jogos lúdicos com cores, números e ambientes de ficção, auxiliando na ambientação das crianças ao tratamento médico, psicológico, educacional e terapêutico como um todo.

Identificação – O cordão de quebra-cabeças é um acessório que pode ser utilizado como forma de identificação de pessoas com TEA. No Certa, uma adaptação do item é feita para as crianças em forma de crachá, como é o caso de Kemuel Bittencourt (foto). Há também o cordão de girassol, um símbolo internacional para que pessoas com algum tipo de doenças ou transtornos ocultos sejam reconhecidas. Este também é utilizado por pessoas com TEA. “O cordão de identificação dá o entendimento que essa pessoa ou seu acompanhante necessita de um olhar diferenciado”, explica a coordenadora pedagógica do Certa, Maristania Fontoura.

Serviço – Nas segundas, quartas e sextas-feiras acontecem os grupos pedagógicos que buscam entender as demandas necessárias para cada criança, espaço e momento de integração e socialização. O Certa funciona na avenida Bento Gonçalves, 2460, e é administrado em parceria com a Associação Hospitalar Vila Nova. O espaço tem capacidade para atender até cerca de 300 crianças.

O coordenador do Comitê Gestor do Certa, Alceu Gomes, reforça: quando os pais ou responsáveis desconfiam do transtorno, eles devem procurar uma das 134 unidades de saúde disponíveis na Capital, que encaminha a criança de até 12 anos para ser avaliada pelas equipes especializadas. Para ele, um dos maiores desafios e objetivos desta gestão é a sensibilização dos pais de se tornarem protagonistas no Certa a partir de oficinas, programas de geração de renda e apoio emocional.

Abril azul – Este mês quatro foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma forma de conscientizar as pessoas sobre o autismo, assim como dar visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).