Porto Alegre, sexta, 12 de julho de 2024
img

França: nova eleição e suas cruciais implicações geopolíticas no futuro Parlamento, por Alexandre Cruz

Detalhes Notícia
Foto: Vista dos cartazes eleitorais do primeiro turno das eleições legislativas francesas de 2024, em Chambéry, no 4º círculo eleitoral de Sabóia. Florian Pépellin – Wikimedia Commons

 

 

A origem do sistema eleitoral francês, tanto para a presidência quanto para a legislativa, remonta à Constituição da V República, estabelecida em 1958. Esse sistema foi criado com o objetivo de remediar a instabilidade política da época e garantir que o vencedor tenha uma maioria sólida para governar. No primeiro turno, um candidato só vence se obtiver mais de 50% dos votos. Caso contrário, ocorre um segundo turno.

Dito isso, no próximo domingo, dia sete de julho, a França enfrentará uma das eleições mais críticas de sua história recente. O campo democrático está diante da difícil tarefa de derrotar a extrema-direita, cujas políticas e retóricas têm ganhado terreno não só no território francês, mas em diversas partes do mundo. Alguns podem questionar a relevância desse pleito eleitoral para nós, brasileiros. No entanto, é crucial entender a posição da França na economia europeia e global, bem como sua influência cultural e política. O que ocorre no país galo ressoa em muitos países, inclusive no Brasil.

A ascensão de figuras como Javier Milei na Argentina exemplifica essa tendência preocupante. Milei, conhecido por seus discursos inflamados e insultos, recentemente ofendeu o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, e agora direciona suas agressões verbais ao presidente brasileiro, Lula. Essas ações são mais do que meras provocações; elas representam um ataque à justiça social, um dos pilares da esquerda. Javier Milei e outros líderes de extrema-direita constroem uma narrativa cultural que encontra eco nos meios de comunicação, normalizando comportamentos e políticas extremistas.

A normalização da ultradireita na mídia é um fenômeno global. No Brasil, Espanha, França e em outros lugares, observamos como a mídia muitas vezes suaviza ou até legitima discursos de ódio, misoginia, racismo e homofobia. Esse cenário cria um ambiente onde a direita radical se sente encorajada a avançar suas agendas reacionárias. Um exemplo recente é a tentativa de golpe na Bolívia, que felizmente fracassou. O incidente, no entanto, revelou a profunda divisão no campo da esquerda boliviana, um reflexo da polarização que permeia muitas democracias hoje.

Estamos vivendo um processo de polarização que coloca forças reacionárias, caracterizadas por sua retórica de ódio, contra um campo civilizatório que luta para manter os valores de justiça e igualdade. Essa batalha ideológica pode durar décadas, e a arte pode ser uma ferramenta poderosa para nos ajudar a entender e resistir a essas tendências retrógradas. O trabalho do pintor El Greco, por exemplo, com suas figuras alongadas e expressões dramáticas, pode ser visto como uma resposta à turbulência de seu tempo, refletindo a ansiedade e a complexidade emocional que também vivenciamos hoje. Da mesma forma, a famosa pintura “As Lanças de Breda” de Diego Velázquez, com sua representação de rendição e dignidade, nos lembra da importância da humanidade e do respeito em tempos de conflito. Essas obras ressoam nos tempos atuais ao nos oferecerem uma perspectiva histórica e emocional sobre as lutas que enfrentamos, iluminando a necessidade de preservar os valores civilizatórios contra a barbárie.

A eleição francesa deste domingo, portanto, não é apenas uma escolha entre candidatos, mas uma decisão sobre o futuro da democracia na França e além. O resultado influenciará não só o panorama político europeu, mas também o global, incluindo países como o Brasil. É imperativo, portanto, que todos os democratas, tanto na França quanto em outros lugares, compreendam a gravidade desta eleição e se mobilizem para defender os valores que sustentam nossas sociedades.