Minutos antes de iniciar uma palestra sobre assédio sexual numa unidade militar, a juíza federal Mariana Aquino, 42, viu de perto um gesto que pretendia evitar com sua fala à tropa.
“Foi uma situação superconstrangedora. Um coronel chegou e passou a mão no rosto de uma coronel de uma forma carinhosa, íntima, e ela ficou completamente desconcertada. E a gente estava prestes a entrar na palestra sobre assédio”, contou ela, em entrevista à Folha.
Ex-tenente temporária da Aeronáutica e membro da Justiça Militar, Aquino afirma que a hierarquia e o ambiente masculino das Forças Armadas contribuem para o silêncio de mulheres militares vítimas de assédio ou importunação sexual.
“A mulher militar, quando é vítima desse crime, se sente de mãos atadas. Porque ela fica com medo de falar alguma coisa e sofrer represálias. Muitas vezes ela prefere silenciar. E como é um ambiente predominantemente masculino, isso tem ocorrido”, afirma ela, que também atua como ouvidora da Mulher na Justiça Militar.
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