Morre Paulo Henrique Amorim aos 77 anos; do R7

Morre Paulo Henrique Amorim aos 77 anos; do R7

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O jornalista Paulo Henrique Amorim morreu, na madrugada desta quarta-feira (10), aos 77 anos. O jornalista deixou o legado para a comunicação brasileira. Amorim estava em casa, no Rio de Janeiro, quando sofreu um infarto fulminante — informação confirmada pela mulher dele. Na noite da terça-feira (9), o jornalista havia saído para jantar com amigos.Paulo Henrique Amorim estava na Record TV desde 2003 e deixa um legado para o jornalismo brasileiro, uma vez que passou por diversos jornais, revistas e emissoras de televisão do país. Ele estreou no jornal A Noite, em 1961. Depois foi trabalhar em Nova York, como correspondente internacional da revista Realidade e, posteriormente, da revista Veja.

Na televisão, passou pela extinta TV Manchete e pela TV Globo, também como correspondente internacional em Nova York. Em 1996, deixou a TV Globo e foi para a TV Bandeirantes, onde apresentou o Jornal da Band e o programa Fogo Cruzado. Depois, foi para a TV Cultura. Em 2003, foi contratado pela Record TV, onde apresentou o Jornal da Record segunda edição. No ano seguinte, ajudou a criar a revista eletrônica Tudo a Ver na emissora. Em 2006, assumiu a apresentação do Domingo Espetacular, onde ficou até junho deste ano.

Amorim deixa uma filha e a mulher, a jornalista Geórgia Pinheiro.

Abaixo uma entrevista de Paulo Henrique Amorim, ao programa AGORA/RÁDIO GUAÍBA, no lançamento em Porto Alegre do Livro O QUARTO PODER.

Morre em São Paulo aos 83 anos o jornalista Salomão Schvartzman

Morre em São Paulo aos 83 anos o jornalista Salomão Schvartzman

Comunicação Notícias Obituário

O jornalista Salomão Schvartzman, de 83 anos, morreu na manhã de ontem (6), às 11h35, em São Paulo. A informação foi confirmada na noite deste sábado pela assessoria de imprensa do hospital Albert Einstein. O hospital não informou a causa da morte.

Schvartzman nasceu em Niterói (RJ) e trabalhou na rádio Scalla FM, na Cultura FM e na BandNews FM. Também trabalhou no jornal O Globo, na revista Manchete e na TV Manchete, onde foi apresentador do programa Frente a Frente.

Ele também foi conselheiro associado ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Agência Brasil

Pai da Bossa Nova, João Gilberto morre aos 88 anos no Rio de Janeiro

Pai da Bossa Nova, João Gilberto morre aos 88 anos no Rio de Janeiro

Comunicação Cultura Notícias Obituário

O cantor, compositor e violonista baiano João Gilberto, considerado um dos pais da Bossa Nova, morreu hoje (6) aos 88 anos, na cidade do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo filho do artista Marcelo Gilberto, que também é músico, em seu perfil na rede social Facebook.

O artista, conhecido por sua reclusão e perfeccionismo, cimentou as bases da Bossa Nova com os discos Chega de Saudade (1959), O Amor, o Sorriso e a Flor (1960) e João Gilberto (1961). Chega de Saudade, de autoria de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, é uma das músicas mais famosas tocadas por João Gilberto. O álbum jazz e bossa nova Getz/Gilberto (1964), uma parceria com o saxofonista estadunidense Stan Getz, foi premiado com o Grammy. Ele também fez composições próprias, como Bim-Bom e Oba-la-la.

A última vez em que João Gilberto pisou nos palcos foi em 2008, por ocasião das comemorações dos 50 anos da Bossa Nova. Houve uma expectativa de que ele voltasse aos palcos em novembro de 2011, em uma turnê nacional com o show João Gilberto 80 anos – Uma Vida Bossa Nova. Mas a primeira apresentação que seria realizada na capital paulista foi cancelada por motivos de saúde do músico e a turnê acabou não acontecendo.

O compositor foi visto cantando e tocando violão pela última vez em 2015: ele aparece em vídeos postados na rede social Facebook por Claudia Faissol, mãe de Luisa, filha caçula do cantor. João estava de pijama e tocava e cantava Garota de Ipanema ao lado da filha.

Devido a problemas financeiros e de saúde do cantor, a filha dele Bebel Gilberto conseguiu a interdição do músico no último dia 15 de novembro. O processo corre em segredo de justiça na 5ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro.

Agência Brasil

Morre sobrinha-neta de Mario Quintana em Porto Alegre. Elena Quintana Oliveira era herdeira das obras do poeta alegretense; do Correio do Povo

Morre sobrinha-neta de Mario Quintana em Porto Alegre. Elena Quintana Oliveira era herdeira das obras do poeta alegretense; do Correio do Povo

Notícias Obituário

A sobrinha-neta de Mario Quintana, Elena Quintana Oliveira, morreu na noite dessa segunda-feira, aos 63 anos, em Porto Alegre. A morte foi confirmada pela Secretaria da Cultura (Sedac) e a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ). O velório ocorre no Cemitério Ecumêmico João XXII, em Porto Alegre até as 18h desta terça-feira.

Nascida em 31 de julho de 1955, Elena trabalhou com o poeta alegretense e era herdeira das suas obras. Atualmente morava e trabalhava no Sítio Ypê Amarelo, em Montenegro, no Vale do Caí.

Mesmo admirando o trabalho do tio-avô desde pequena, por meio do Caderno H do Correio do Povo, ela apenas o conheceu pessoalmente aos 20 anos.

Elena sempre esteve ligada com as artes, principalmente com o teatro. Ela estudou no Departamento de Arte Dramática (Dad) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com foco em direção. Em 1980 montou o espetáculo “A Estrela e a Sucata”, com base em poemas de Quintana. A partir de então, se tornou uma constante companhia do poeta.

Foi também fundadora do grupo de Teatro Oficina Perna de Pau, na capital gaúcha. Com o grupo dirigiu, ao lado de Marco Forchetti, e atuou no espetáculo “Esconderijo dos Tempos”, que circulou pelo interior do Rio Grande do Sul, Paraná, Uruguai e Argentina, mostrando, sempre nas ruas, os poemas e a vida de Mario Quintana.

Obituário: Morre “Manoel da Loteria”. Porto Alegre perde um de seus mais queridos personagens populares; por Marcello Campos/O Sul

Obituário: Morre “Manoel da Loteria”. Porto Alegre perde um de seus mais queridos personagens populares; por Marcello Campos/O Sul

Cidade Destaque Obituário

Sorriso tímido, olhar de menino, passinho apressado pela Rua da Praia, Ladeira, Andrade Neves e imediações. Dinheiro trocado no bolso direito da camisa social sempre impecável, comprovantes de apostas dobrados no lado do coração, com promessas de fortuna em forma de papel.

Esta imagem singela deixará saudade entre os porto-alegrenses, com a morte do vendedor ambulante Manoel Vilson do Nascimento, 71 anos (completados no dia 4 de junho), o “Manoel da Loteria”, ocorrida por volta das 0h30min deste domingo no Hospital Conceição.

Internado no setor de emergência da instituição, de acordo com familiares ele não resistiu a complicações de um quadro de insuficiência renal e infecção pulmonar. O sepultamento foi realizado no final da manhã deste domingo, no Cemitério da Santa Casa. “Foi tudo muito rápido, de surpresa”, contou o seu afilhado William Oliveira.

Fotos: Marcello Campos/Arquivo Pessoal

Trajetória

Em 2017, durante rápida entrevista concedida ao repórter Marcello Campos, do jornal “O Sul”, Manoel declarou sobre o seu tempo de atividade: “Perdi as contas”. Testemunhos dão como certo, porém, a sua onipresença nas ruas, avenidas e marquises do Centro Histórico pelo menos desde o começo da década de 1970.

Morador da Vila Farrapos, na Zona Norte, ele não deixou mulher, filhos ou patrimônio. Esse pequeno-grande homem entregou à capital gaúcha, porém, um baita legado: o exemplo de superação. As dezenas de depoimentos registrados por amigos e conhecidos no Facebook ao longo do dia não poupavam elogios ao vendedor.

O álbum de tipos folclóricos da cidade ganha mais uma figurinha carimbada. Manoel da Loteria agora está na mesma galeria de tipos inesquecíveis como Bataclan, Gurizada Medonha, Teresinha Morango, Arlindo Alfaiate, Homem dos Cachos, Marimbondo, Maria Chorona, apenas para mencionar os mais conhecidos.

Morre o crítico de cinema Rubens Ewald Filho; da VEJA

Morre o crítico de cinema Rubens Ewald Filho; da VEJA

Cultura Destaque Obituário
A revista VEJA informa em seu site que morreu na tarde desta quarta-feira, 19, o crítico de cinema e jornalista Rubens Ewald Filho, aos 74 anos. A informação foi confirmada a VEJA pelo ator Germano Pereira, amigo, e por Bia Venturini, assessora de imprensa do crítico.
Ewald Filho estava internado em estado grave desde o dia 23 de maio, no Hospital Samaritano, em São Paulo, após sofrer um desmaio seguido de queda. A VEJA, Marta Giovanelli, assistente do jornalista, afirmou que a queda foi causada por uma arritmia cardíaca.

Nascido em Santos, Rubens Ewald Filho era considerado um dos maiores nomes da crítica cinematográfica do país. Ainda criança, criou o hábito de anotar todos os filmes que via em um caderno, incluindo também o diretor, elenco, roteirista e outras informações.

Leia mais no site da VEJA

Clóvis Rossi, decano da Redação da Folha, morre aos 76 em São Paulo

Clóvis Rossi, decano da Redação da Folha, morre aos 76 em São Paulo

Comunicação Destaque Obituário

​O jornalista Clóvis Rossi, decano da Redação da Folha, morreu na madrugada desta sexta (14) em São Paulo.

Ele tinha 76 anos e estava em casa, onde se recuperava de infarto tido na semana passada, Deixa mulher, com quem estava havia mais de meio século, três filhos e três netos.

Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, Rossi publicou seu último texto na quarta (12). Intitulado “Boletim Médico”. Ele era, segundo o jornalista, “uma satisfação devida ao leitor, se é que há algum”. Seu estilo irônico e descontraído continuava no agradecimento aos colegas do jornal. “Até mentiram dizendo que estavam sentindo a minha falta”, escreveu.

Nascido em 25 de janeiro de 1943 no bairro do Bexiga, em São Paulo, filho de seu Olavo, vendedor de máquinas pesadas, e dona Olga, artesã de grinaldas e buquês de flores, ele se formou em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.

Leia mais na Folha de São Paulo.

Para sempre Rui; por Rejane Martins*

Para sempre Rui; por Rejane Martins*

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É praticamente impossível encontrar em Porto Alegre alguém verdadeiramente interessado em moda que desconheça a trajetória de seu maior estilista. Nascido em Novo Hamburgo em 1929, Rui nem sempre foi Rui. Batizado Flávio Henneman Spohr e destinado a ser padre ou militar pela parteira que o trouxe ao mundo, mudou de nome para assinar uma coluna em jornal e suas primeiras criações. Filho de uma tradicional família de origem alemã, desde muito cedo decidiu que a moda era o seu universo. Fez um estágio quase que obrigatório na fábrica de calçados do pai e viu que não poderia dedicar-se a uma atividade que envolvesse processos repetitivos, sem criação, sem arte. Nos momentos vagos na fábrica, desenhou seus primeiros vestidos. Começava a surgir o Rui e a desaparecer o Flávio.

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Rui Spohr Foto: Jean Pierre Kruse

Aos 22 anos decidiu que ia fazer moda e para fazer bem feito teria de beber na fonte: Paris. Foi o primeiro brasileiro a se profissionalizar em moda na França. A família protestou, mas logo viu que o guri estava decidido e não tinha mais jeito. Só restava apoiar. Na Cidade Luz, o jovem Rui se transformou em homem da moda. Vivenciou as maravilhas do maior polo cultural do mundo naqueles tempos, testemunhou o surgimento de nomes como Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld, que davam os primeiros passos, aprendeu a beber vinho tinto e champanhe, tornou-se fluente em francês, conheceu boa parte da Europa e trabalhou com Jean Barthé, o maior chapeleiro da França. Nem tudo foi festa em Paris. Saudades da família, agruras de ser estrangeiro sem apoio de seu país para concluir os estudos, fome durante uma longa greve dos correios que o impediu de receber o dinheiro enviado pela família para o seu sustento. Ao final do curso na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, decidiu que era hora de voltar para casa.

Ao chegar de Paris, instalou-se no centro da capital gaúcha para ser chapeleiro. Foi nesta época que ele tomou a segunda grande decisão de sua vida – a primeira, segundo ele, foi estudar em Paris. A segunda: casar! Chegando ao ateliê, depois de um intervalo para almoço, encontra uma moça loira, de olhos claros e um vestido rodado, sentada no sofá, à sua espera. Ela queria trabalho. Ele precisava de uma secretária para receber as clientes, marcar horários e cuidar da burocracia do ateliê. Havia outra necessidade não descoberta: amor. Casaram-se em cerca de três anos. Do início de 1960 até hoje, foram inseparáveis.

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Dóris e Rui Spohr – Foto Juliano Antunes

Ao lado de sua querida Doris, esposa, companheira e sócia, Rui vivenciou os tempos áureos da alta-costura e foi pioneiro com o objetivo de seguir um sonho e se aprofundar no mundo da moda. Nome ligado à história e à cultura do Estado e da nossa cidade, o estilista notabilizou-se pela ousadia de suas criações e ineditismo na apresentação de desfiles em Porto Alegre. Rui transformou meninas da sociedade em manequins. Ele e Doris estavam atentos à aparição de jovens de porte, de beleza diferenciada e as convidavam para serem modelos. Assim surgiram Lucia Cury e Lilian Lemmertz, entre outros nomes que brilharam na passarela Rui. A escolha de locais inusitados para mostrar suas coleções também marcou sua carreira. Um desfile em plena catedral metropolitana entrou para a história da moda e da capital. Clubes e o próprio Palácio Piratini também foram palco desses momentos.

Uma roupa atemporal, clássica, elegante, que respeita os diferentes corpos e tipos de mulher, valorizando o belo e disfarçando o que não está tão bem. Um vestido dos anos 70, 80, não importa a data, hoje pode ser usado tranquilamente, segue sendo up to date. Um estilo único, que faz valer o slogan da marca: “A sofisticada originalidade do simples”. O nome e a marca, a pessoa e a empresa se fundem em um só. RUI perpetuou sua grife transformando-a em sinônimo de elegância.

Em festas, eventos, cerimônias, quando alguém se destaca, os elogios transbordam. Surge a pergunta: De onde é essa roupa? A resposta é uma só: Rui, quem mais? De tanto se repetir a cena, consagrou-se o jargão, hoje chamado de hashtag: Rui é Rui. Hoje, nosso sentimento, deixa de lado a dor para dar lugar à paz. Nosso Rui é imortal. Estará sempre conosco.

Para sempre Rui.

 

RejaneMartins*Rejane Martins, Jornalista e Assessora de Imprensa de Rui Spohr

Morre o estilista Rui Spohr

Morre o estilista Rui Spohr

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Faleceu hoje, durante a madrugada, o estilista Rui Spohr aos 89 anos. O velório será no Theatro São Pedro das 12:30 hrs às 17:00 hrs. A cremação será reservada a família. Rui Spohr é pseudônimo de Flavio Spohr, o estilista brasileiro, nasceu em Novo Hamburgo,  dia 23 de novembro de 1929. Seu atelier se localiza em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento. Rui foi o primeiro estilista gaúcho a estudar moda em Paris, primeiramente na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, e posteriormente na École Guerre Lavigne (atual ESMOD).

De família tradicional, Flavio Spohr (posteriormente assumiu o pseudônimo Rui) foi criado dentro de padrões germânicos, pelos seus pais Albino Alfredo Spohr, empresário do polo calçadista,e Maria Hortencia Hennemann Spohr, dona de casa. Irmão de José Gastão, Dulce Maria e Fredo Luiz. Rui nasceu fadado a ser padre ou militar de acordo com os costumes da época. Com uma mente criativa e inconformada, ele acreditava que tivesse nascido cedo demais no século XX e no lugar errado.

Em 1952, mudou-se para Paris sem ter fluência no idioma local, apenas com um nome e endereço de uma pessoa que o ajudaria e a referência dos seus familiares por parte de mãe na Alemanha. Em seu primeiro Natal longe de casa viajou até o vale do rio Mosela, afluente do Reno na Alemanha, a fim de encontrar seus parentes da família Treis – donos de vinhedos que passam de pai para filho desde 1602. Além de estreitar os laços com seus parentes alemães, Rui aprendeu in loco tudo o que sabe sobre vinho.

Em 4 de fevereiro de 1960, já em Porto Alegre, casa-se com Dóris Uhr Spohr, que primeiramente trabalhou como sua auxiliar no ateliê. Até hoje, os dois trabalham juntos. Em 1963, com o nascimento de Maria Paula Spohr, Rui tornou-se pai e em 1985 avô de Antônia Spohr Moro.

 

Minha entrevista com Rui Spohr na TVU

 

Carreira

Rui Spohr iniciou sua carreira aos 14 anos trabalhando na fábrica de calçados do pai e em 1948 ao assinar uma coluna de Moda semanal para um jornal gaúcho adotou o pseudônimo Rui. Um ano depois muda-se para a capital Porto Alegre e inicia o curso de Belas Artes na UFRGS e nesse mesmo ano promoveu seu primeiro desfile de moda, que ganhou destaque na Revista Globo, com suas próprias criações. Em 1952, foi de navio para a França para estudar Moda em Paris. Nesse período, foi contemporâneo de nomes como Karl Lagerfeld e Yves Saint Laurent. Em 1953, estagia para o chapeleiro parisiense Jean Barthet.

No ano de 1955, retornou ao Brasil e abre seu primeiro ateliê especializado em chapéus e começa a assinar uma página dominical sobre moda no jornal A Hora, importante diário que originou o jornal Zero Hora. Três anos mais tarde passou a confeccionar roupas femininas em seu ateliê e realizou seu primeiro desfile de alta-costura, em 1967 – dentro do próprio ateliê, na Rua Pinto Bandeira, para clientes e mídia da local. Em 1962, entrou para o “time da Rhodia[8] – grupo que reunia grandes nomes da moda no Brasil criando modelos que seriam produzidos com os tecidos que utilizavam os fios da empresa. Estas criações estrearam em um grande desfile na Fenit – a feira nacional da indústria têxtil – e depois, viajaram ao exterior para participar de desfiles e sessões de fotos das coleções a fim de divulgar a moda brasileira.

Rui Spohr em 1975

No ano de 1968, já consagrado como costureiro, criou o vestido de noiva para a brasileira Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963. Em 1970 inaugurou sua Maison na Rua Miguel Tostes em Porto Alegre onde permanece até hoje. Rui também foi responsável por vestir a primeira dama Scila Médici (1971) e a primeira dama do Rio Grande do Sul (1971). Em 1986 criou os uniformes femininos da Brigada Militar do Rio Grande do Sul,[10] a polícia militar gaúcha, que são os mesmos usados até hoje.

No ano de 1988 começou a lecionar no curso de Estilismo do Calçado na Universidade Feevale(Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior) em Novo Hamburgo, foi professor da cadeira Teoria dos Estilos durante oito anos. Em 1989 criou o vestido de noiva para a modelo Deise Nunes, Miss Brasil 1986 e primeira mulher negra a receber o título.

Em 1997 lançou sua biografia Memórias Alinhavadas, escrita em conjunto com a jornalista Beatriz Viegas-Farias. Em 2015 foi lançada a coleção Cápsula Croquis, com uma variedade de lenços e camisetas estampadas pelos croquis do estilista. Destinado a um publico jovem, essa coletânea incluiu um vídeo teaser com as novidades e com peças históricas do acervo da maison. No mesmo ano, o livro Moda e Estilo para colorir foi criado, composto por 20 lâminas com desenhos icônicos de Rui para pintar.

Em matéria no jornal Zero Hora Rui Spohr foi chamado de “o mais emblemático estilista do Sul. […] Difícil haver em Porto Alegre alguém verdadeiramente interessado em moda que desconheça a trajetória de seu maior estilista”. Seu trabalho já é estudado academicamente como uma referência, e participou de mostras de abrangência nacional, como a 500 Anos de Design Brasileiro em 2000, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, contribuindo com dois vestidos em modelos geométricos retratando a década de 70, sendo o único estilista gaúcho a participar da exposição. Entre 2004 e 2005 o Senac apresentou a mostra Estilistas Brasileiros – Uma História de Moda, que “retrata a carreira de 34 grandes criadores da moda brasileira”.Em 2011 um vestido de sua autoria integrou a exposição Moda no Brasil: criadores contemporâneos e memórias, apresentada no Museu de Arte Brasileira em São Paulo, mantido pela Fundação Armando Alvares Penteado.[15] Por muitos anos seu estilo ditou a moda porto-alegrense, e Renata Fratton Noronha, em artigo apresentado no 4º Encontro Nacional de Pesquisa em Moda, relata o prestígio que adquiriu:

“Formou-se então junto ao público uma frase que marcou e que as pessoas repetiam: ‘O Rui disse’. Querendo afirmar que com isso se ‘Rui disse’ não se discute. Outra expressão que ficou famosa, ainda naquela época: ‘Rui é Rui’. Se uma pessoa admirasse uma roupa e a elogiasse para a dona, perguntando quem tinha feito ou onde ela havia comprado traje tão bonito, se a resposta fosse ‘Rui’, o comentário logo se seguia: ‘ah, bom! Rui é Rui’.”.

Livros

(Felipe Vieira com informações da Wikipedia)

Morre Ivan Rodrigues, criador do Memorial Landell de Moura

Morre Ivan Rodrigues, criador do Memorial Landell de Moura

Destaque Obituário

O Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS lamenta o falecimento do pesquisador Ivan Dorneles Rodrigues, criador do Memorial Landell de Moura e autor de obras fundamentais sobre o padre e cientista gaúcho. Nossos sentimentos à família e aos amigos. O Rio Grande do Sul perdeu, sem dúvida, um batalhador da sua cultura e da sua história. Sobre a importância de Ivan, o professor da UFRGS e Doutor em Comunicação, Luiz Artur Ferraretto escreve em suas redes sociais:

 

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Ferraretto, Ivan e alunos da FABICO.

“Nesta madrugada, quase por acaso, fiquei sabendo do falecimento do meu querido Ivan Rodrigues. A morte dele apenas acentua um sentimento de melancolia muito forte que me acompanha há meses. Falo daquela tristeza enorme associada a um desencanto geral.
A forma como o trabalho do Ivan foi encarado, com exceções, pelos chamados “círculos acadêmicos” apenas atesta o enorme abismo existente no Brasil entre o conhecimento burocraticamente buscado nas universidades e a sociedade, essa que caminha sem rumo do lado externo dos muros das chamadas instituições de ensino superior.
Só conheço outra pessoa tão dedicada à preservação da memória do cientista gaúcho Roberto Landell de Moura. Trata-se do Hamilton Almeida. Curiosamente, também não possui cátedra nos cursos de Comunicação. Aliás, não há um só pesquisador universitário brasileiro que tenha construído obra tão sólida a respeito do grande pioneiro dos estudos sobre as transmissões por ondas eletromagnéticas como esses dois. Ninguém dentro da chamada “academia” chegou nem perto deles em dedicação e profundidade. E sem o uso de recursos públicos.
Não sei se a morte do Ivan ganhou algum espaço na pobre imprensa do Rio Grande do Sul, cada vez mais construída na irrealidade do mundo virtual. Afinal, ele não publicava idiotices nas redes sociais. Não bombava por aí graças a bizarrices. Não era o ídolo da vez em algum programa descerebrado de TV. Não trocava passes em arenas esportivas ao custo de milhões de reais. Era apenas alguém que resolveu verdadeiramente fazer a diferença.
No país do desprezo histórico com o conhecimento, no Brasil das elites tocadas a dinheiro público, na terra da hipocrisia generalizada em relação ao ensino, o Ivan Rodrigues resolveu se dedicar a causa da memória, custeando esse trabalho nobre com o dinheiro do próprio bolso. Isso precisa ser registrado. Em um apartamento de sua propriedade, sem um tostão de ninguém mais, montou o Memorial Landell de Moura. “Ah, mas qual a metodologia e a base teórica usada por esse cara?”, desdenhou alguém. “Ele tem currículo na Plataforma Lattes”, afirmou outro neófito ao lado do ar-condicionado em um evento de pesquisa. “Não passou pela Plataforma Brasil”, lembrou, em um afetado café da moda, algum burocrata cheio de fingidos pruridos éticos.
Enquanto isso, no apartamento convertido em centro de pesquisa, o Ivan recebia estudiosos de vários pontos do Brasil e do exterior. Tinha sempre um sorriso no rosto a demonstrar a sua satisfação por algo quase singelo: dar acesso ao verdadeiro conhecimento.
Levei alguns estudantes lá para conhecer a obra do padre e o memorial criado pelo Ivan. Nesta madrugada triste em que tardiamente fico sabendo do falecimento dessa figura tão querida, o encantamento dos meus alunos naqueles momentos me reconforta. O Ivan adorava colocar cadernos com anotações de Landell de Moura na mão das pessoas. É assim que se passa conhecimento. Pelo encantamento. Ele sabia disso.
Fico pensando qual será o futuro do memorial em um país pobre de dedicação e de esperanças. É o desafio que fica para as instituições de ensino superior. Temo que sigam sem compreender a importância do Ivan e da sua obra.
Por tudo isso, descansa em paz, meu querido. Cabe a todos nós continuar o teu trabalho. Se existe alma – e essa é energia pura -, segues, agora, em direção às estrelas como as ondas que, dizias, deveriam ser chamadas de landellianas. Um abraço e um beijo fraternos.”