Artigo: Lula implodiu a esquerda; por José Casado/O Globo

Artigo: Lula implodiu a esquerda; por José Casado/O Globo

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Semanas depois de anunciar sua transcendência da condição humana para a sublimidade de “uma ideia”, Lula recaiu na vida mundana. Da prisão, comandou o PT numa proeza: implodiu o agrupamento autodenominado de esquerda.

É aposta de alto risco. O resultado só será mensurável na apuração da noite de domingo, 7 de outubro. Até lá, contam-se os sobreviventes.

Entre eles está Ciro Gomes, visto ontem em Brasília queixoso da vida: “É só fuxico, é só conchavo, é só rasteira, é só punhalada pelas costas.”

O candidato do PDT não admite, mas é o responsável pelo próprio isolamento. Imolou-se.

Ciro conseguiu ser rejeitado até mesmo pelo ajuntamento de conservadores, donos do centrão, depois de oferecer-lhes todo o ministério.

Correu para o PT, em seguida, com a oferta de sociedade num “bloco de esquerda”, sob a sua liderança. Subestimou a adoração da burocracia petista pela hegemonia. Foi além: se apresentou como alternativa a Lula, cujo único interesse é o culto à sua personificação como uma “ideia”, na esperança de se diferenciar dos sentenciados comuns.

É longa a lista dos supostos humilhados por Lula, mas nenhum pode se queixar. Todos aceitaram um papel nessa tragicomédia centrada na onipotência de um velho líder, incapaz de reconhecer seu lugar na sociedade de classe média poderosa e ansiosa pela conexão com a modernidade capitalista. Nos arquivos do PT há uma coletânea de pesquisas sobre tais contradições.

Lula segue com o seu plano de cativeiro — suicida, para muitos . A essência está registrada em documentos do partido. Eis as etapas: 1) cultua-se a imagem de “vítima” de um sistema judicial manipulado pela “elite”; 2) questiona-se a legalidade da disputa sem a sua participação (“Eleição sem Lula é fraude”); 3) estimula-se o “voto de protesto” em candidato-laranja; 4) se derrotado nas urnas, contesta-se a legitimidade do presidente escolhido em eleição “fraudada” pelo veto a uma “ideia” chamada Lula.

xCasado-Carinha.jpg.pagespeed.ic.4pwW4Xcz0u José Casado. jornalista

Farol alto! O Brasil precisa não de ‘candidatos’, mas de líderes que tenham visão de estadistas; por Fernando Henrique Cardoso*

Farol alto! O Brasil precisa não de ‘candidatos’, mas de líderes que tenham visão de estadistas; por Fernando Henrique Cardoso*

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As sondagens sobre o voto popular no próximo dia 7 de outubro mostram que uma grande parcela da população repudia o jogo dos partidos ou ainda não sabe como se posicionará. Não assim os dirigentes partidários. Estes “tomam partido” por antecipação. Na fase que está por terminar, que culmina com as convenções partidárias, é natural que estejam mais interessados nas alianças para formar a rede de apoio eleitoral e no tempo de televisão à disposição de seus candidatos. Natural, mas insuficiente, quando não negativo, pois gera a percepção de que a “política” é só um jogo de poder; no limite, um jogo pessoal.

Não sou ingênuo, nem poderia haver ganhado duas eleições presidenciais no primeiro turno se não entendesse que as alianças partidárias contam para a vitória e antecipam a possibilidade de governar. Mas o importante, o decisivo mesmo, é outra coisa: a mensagem e a credibilidade que o candidato desperte no eleitorado. Mormente agora, com o sistema político-eleitoral que criamos na Constituição de 1988 exaurido. Sei que o Congresso aprovou a lei de barreira e que no futuro haverá menos partidos. E também que as alianças entre eles nas eleições para deputados devem acabar. Elas distorcem a vontade do eleitor, que vota em candidato de um partido e elege alguém de outro.

Não basta, entretanto. Além de outras reformas eleitorais (como a introdução de formas de voto distrital e de candidaturas avulsas), há que enfrentar a cultura política de personalismo, clientelismo e corporativismo. Com ela os “partidos” aparecem aos olhos populares como trampolim para salvaguardar os interesses dos que se elegem e de quem os sustenta. É mais fácil mudar leis e decretos do que sentimentos e atitudes permissivas arraigadas na cultura política. Sua mudança depende de virtudes exercidas pelas lideranças e da punição das práticas corruptoras.

Daí a responsabilidade dos que vão falar ao País para pedir votos e a necessidade da vigilância constante da opinião pública sobre o que dizem. Hoje a formação da opinião pública não se limita às mídias tradicionais. As “mídias sociais” exercem influência crescente na decisão de voto. As fake news (que antigamente se chamavam de “mentiras”) se difundem mais rapidamente, criando imagens falsas ou distorcidas sobre os candidatos. É o preço da maior acessibilidade às redes de comunicação, que em si são um progresso, mas precisam de contrapesos que verifiquem a veracidade das informações que por elas circulam.

Nas eleições a palavra se torna crucial. Não só seu significado literal apenas, mas o conteúdo simbólico e o modo de expressá-la. A política eleitoral implica tanto alianças como propostas e, sobretudo, requer desempenho dos candidatos. Não por acaso o “demagogo”, ao se comprometer com os interesses populares, sempre encontra espaço na vida pública. Entretanto, em especial nos momentos de crise, demagogos podem ser batidos por quem tiver virtude e capacidade de mostrar um rumo para o país que seja percebido como confiável para os “mercados”, mas principalmente bom para o povo, sem apelar à ilusão distributivista e/ou a impulsos autoritários. Foi o que fiz quando liderei o Plano Real.

O Brasil precisa não de “candidatos”, mas de líderes que tenham visão de estadistas e mostrem ao povo os caminhos da esperança. Há que explicar à maioria que a própria democracia, minada pela corrupção e pelos erros de condução do País, está em jogo. A sociedade sofre hoje a comichão da demagogia autoritária dos que pensam que bastam ordem e hierarquia para gerar empregos e renda, quando é preciso muito mais do que isso. No lado oposto, há a demagogia dos que pensam que basta a “vontade política” para dissolver interesses e legislar em benefício da maioria. É preciso competência, persistência e humildade para saber que só unidos, guiados por ideias, venceremos o atraso.

Em latim se dizia virtus in medium est. Frase que pode ser enganadora: não existe meio-termo entre o autoritarismo de direita e a demagogia populista. Há que renegá-los radicalmente. Não se trata, tampouco, de eleger um “centrista” qualquer nem de dizer amém ora a um lado, ora ao outro. Mais de uma vez me referi à necessidade da formação de um “bloco popular e progressista”. E procurei definir o significado destes termos.

Quererá isso dizer que o candidato que assuma as posições deste “bloco” (tenho escrito bloco de propósito para englobar setores da sociedade e não apenas dos partidos) deverá recusar alianças com setores diferentes dele? Responder afirmativamente à pergunta importa em declarar derrota por antecipação: as sociedades contemporâneas são fragmentadas, nem sempre os grupos e pessoas têm consciência dos desafios que os atormentam, os partidos se tornam mais siglas do que instrumentos de definição de políticas. E muitos deles, no caso brasileiro, além de se beneficiarem de um sistema eleitoral cartorial (que define acessos aos períodos gratuitos de TV) expressam o que chamo de “atraso”. E este é parte constitutiva de nossa herança político-cultural. Sem alianças ninguém ganha nem governa.

A verdadeira questão é outra: tal “bloco” e seu líder terão capacidade e poder para conduzir o processo político nacional ou serão engolfados pelos interesses partidários e sociais dos que sempre mandaram? Daí a importância da capacidade de liderança do candidato, de suas convicções e de ambas haverem sido provadas na prática. Esta coluna não é espaço para propaganda partidária. Minhas escolhas são conhecidas e as razões delas estão ditas no artigo que escrevi no mês passado.

Os jogos estão feitos. O êxito dependerá de que com conhecimento, firmeza e convicção se diga o que é necessário, e não apenas o que é conveniente. E de que os que ouçam se convençam de que o dito não são palavras perdidas no ar e, por isso, quem o diz merece a confiança do seu voto.

De farol alto é o que precisamos.

Durante a palestra Brasil, Qual Será o Seu Futuro?, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou não ser pessimista em relação ao país. Segundo ele, o Brasil tem um "potencial enorme" (Wilson Dias/Agência Brasil)

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO É SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

Larga o osso, Lula! Haddad tem de parar de fingir que não é candidato; Manuela, de fingir que é; por Eliane Cantanhêde/O Estado de São Paulo

Larga o osso, Lula! Haddad tem de parar de fingir que não é candidato; Manuela, de fingir que é; por Eliane Cantanhêde/O Estado de São Paulo

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Fecha-se o tabuleiro presidencial hoje, com aquela peça disforme e mal colocada que segura o jogo e imobiliza o próprio lado: Lula, preso há 100 dias, sem conseguir dar o sinal verde para Fernando Haddad parar de fingir que não é candidato e para Manuela Dávila parar de fingir que é.

Com a avalanche de convenções no fim de semana, vai se fechando a escolha dos vices com dois focos claros, resultados não de amor ou de saudável afinidade ideológica, mas do puro pragmatismo. Daí a preferência por mulheres e/ou nomes do Rio Grande do Sul.

A síntese disso é a senadora gaúcha Ana Amélia, que entra na chapa do tucano Geraldo Alckmin não apenas como três em um, mas seis em um. É mulher, do PP, do Sul, da área de comunicação, assumidamente de direita e crítica contundente das maracutaias na política.

Ana Amélia não está aí para só embelezar as fotos do PSDB, mas para conquistar os 80% do eleitorado feminino ainda indecisos ou dispostos a anular voto e para tentar frear o ímpeto do PP gaúcho para Jair Bolsonaro e do PP do Piauí para o PT. Além disso, ela tem uma missão específica: resgatar os 4% de votos surrupiados do PSDB no Sul pelo paranaense Alvaro Dias, ex-tucano hoje no Podemos.

E ela também cumpre funções mais subjetivas. Alckmin tem de se firmar à direita, para disputar com Bolsonaro a vaga de principal contraponto ao PT. Ana Amélia, clara e contundente, tem ação e discurso que calam fundo no agronegócio e no eleitorado irritado com os políticos e conservador nos costumes. Ou seja, nos bolsões do Bolsonaro (com perdão do trocadilho).

Assim como ela, são ou foram consideradas para vice, de olho nas mulheres, sempre desconfiadas: Janaína Paschoal, a advogada e professora histriônica, na chapa de Bolsonaro, e Manuela d’ Á vila, a jovem e aguerrida “candidata” do PCdoB, que espera sentada o anúncio para ser vice de Lula, ops!, do PT.

Manuela é outra do Rio Grande do Sul, que foi governado pelos petistas de raiz Olívio Dutra e Tarso Genro e onde o PT mantém núcleo forte, mas fraco eleitoralmente. Também gaúcho e ex-governador, Germano Rigotto é opção de vice para Henrique Meirelles. Atualmente, ele é…. o que mesmo? Bem, Rigotto anda sumido, mas resta a Meirelles chapa puro sangue (MDB-MDB) e quem quer ter mandato em 2019 pula fora.

Se o grande MDB só atraiu o pequeno PHS, quais são os aliados do PDT e as opções de vice de Ciro Gomes? Sufocado pela aliança do Centrão com Alckmin e o ataque frontal do PT, que garantiu a neutralidade do PSB, Ciro tenta colher os dissidentes de um lado e do outro, enquanto o PT parte para a terceira etapa de aniquilar Ciro: a investida final para reunir as esquerdas. Viva-se – no caso de Ciro, sobreviva-se – com um barulho desses. Na GloboNews, Ciro se declarou “um cabra marcado para morrer”.

E, no Estado, Marta Suplicy ponderou que Ciro pode ser o melhor candidato, mas “talvez não queira ser presidente, porque ele se sabota. Como psicanalista, vejo isso claramente”.

Alvaro Dias compôs chapa insossa com o ex-BNDES Paulo Rabello de Castro e Marina fugiu ao mero pragmatismo de seus adversários. O médico e ex-deputado Eduardo Jorge é do PV, que tem tudo a ver com a Rede Sustentabilidade – ao menos no nome. Se há cálculo na escolha, é que ele fez carreira em São Paulo, onde reluzem 33 milhões de eleitores. Agora, só faltam duas coisas: Lula largar o osso e os candidatos convencerem quem mais importa, Sua Excelência, o eleitor, de que o vice é para continuar sendo só vice até o fim, sem impeachment. Que os céus nos protejam!

 

39_39_5550b6df0817aElianeCantanhedeLeia aqui a íntegra da coluna dominical de Eliane Cantanhêde, em O Estado de São Paulo

Artigos: Aos amigos, tudo. Ao cidadão de bem, todo o rigor da lei! ; por José Luiz Tejon Megido*

Artigos: Aos amigos, tudo. Ao cidadão de bem, todo o rigor da lei! ; por José Luiz Tejon Megido*

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Getúlio Vargas, que foi presidente do Brasil, tinha uma frase lapidada: “Aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei“, ou seja, quando usamos a lei de forma tirânica significa maior punição possível contra qualquer um. No caso, ele se referia aos inimigos de seu regime, à época, uma ditadura.

Mas, essa frase hoje em dia vale com uma correção: “Aos amigos, tudo, ao cidadão de bem, todo o rigor da lei”.

Os exemplos de perseguições e punições lançados de forma a prejudicar exatamente o cidadão que anda dentro da lei, na sua larga e imensa maioria, termina por pegar exatamente aquele que é o mais honesto dentre todos.

Na agropecuária, a insegurança jurídica é tema recorrente no agronegócio, no qual o produtor é vítima de danos causados por legítimos infratores (coisa corriqueira).

No dia 28 de junho de 2018, na época da paralisação da Rodovia Assis Chateaubriand, próximo ao município de Guapiaçu, no estado de São Paulo, vândalos colocaram foco nos canaviais.

Um produtor rural idôneo, que segue todas as normas de segurança e de sustentabilidade, teve um prejuízo calculado em R$ 100 mil, com 96 hectares de sua propriedade queimados.

O corpo de bombeiros e relatórios existentes atestou que o incêndio teve origem criminosa e que foi iniciado do lado de fora da propriedade, em meio aos tumultos.

Essa propriedade produz cana com aceiros largos, acima de 3 metros, mantidos limpos e dentro do programa do “melhor caminho“; propriedade toda cercada, com equipes contra incêndio, com reservas, colheita mecânica, onde a queima já foi abolida.

Um produtor íntegro e uma propriedade dentro de tudo o que manda a lei.

Mesmo com tudo isso, com receio dos embates com o Ministério Público, a Polícia Ambiental lavrou uma multa de mais de 119 mil reais.

É importante a lei, mas além do que dizia Getúlio, não serve apenas para punir os inimigos com o seu rigor, serve, e muito, para punir exatamente os cidadãos de bem, que agem e atuam exclusivamente dentro da lei. A Polícia Ambiental mandou um produtor que foi vítima para uma audiência pública, na condição de réu!

O Ministério Público e a Polícia Ambiental precisam olhar com a ética da balança da justiça fatos como esse.

iE6rH56* José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM

100% de concordância ou nada. Uma versão moderninha de “a bolsa ou a vida”; por Luiz Artur Ferraretto*

100% de concordância ou nada. Uma versão moderninha de “a bolsa ou a vida”; por Luiz Artur Ferraretto*

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Relutei muito em participar de redes sociais, mas acabei cedendo. Lembro que, frente aos comentários de estudantes sobre o Facebook, eu respondia: “Gente, vocês são tão críticos em relação à grande mídia brasileira e estão achando o máximo uma das maiores multinacionais do planeta!”. Acabei, no entanto, me integrando. E achando interessante esse mundo de circulação de informações e opiniões.

A história é conhecida. O quadro começou a mudar antes das eleições de 2014. Você defendia alguma política do governo Dilma e virava “petralha”. Se houvesse crítica aos erros dos petistas, transformava-se em “coxinha”. Caso começasse a ponderar, tornava-se “isentão”. Assim, foi se criando o quadro atual, no qual a alvorada virou um crepúsculo ameaçador no horizonte de um país navegando pela falta de respeito entre pessoas e a desconstrução institucional. Nesse quadro, há os que desenvolveram a capacidade de, frente à contrariedade, interpretar o papel de vítima, mas ocupando, de fato, o de algoz da opinião alheia.

São os barulhentos das redes. É preciso concordar 100% com os posicionamentos deles. Tiram uma fotografia de parte do dito em algum momento particular e você é transformado no inimigo da vez. O adjetivo, sempre um depreciativo, prepondera. Sem o mínimo pudor, você passa a ser jogado para o “outro lado” até que a verdade dos seus carrascos das redes prevaleça. É julgado e condenado em nome de uma perigosa pretensão de democracia, a da “minha opinião é sempre válida e deve ser escutada”.

Olhe para a política partidária e veja quem usa tal estratégia. Dou dois exemplos: um está preso em Curitiba e outro adora berrar argumentos vazios e preconceituosos. Mesmo assim, lideram as pesquisas de opinião. São extremos de uma realidade que parou de admitir caminhos do meio. É “a bolsa ou a vida”, 100% ou nada. Não há um Tex, um Zorro, um Cavaleiro Solitário ou outro “cowboy” para nos salvar dos bandidos e controlar a diligência descontrolada na qual todos nós embarcamos em algum momento seja pela porta do lado direito, seja pela do lado esquerdo. Não existem heróis fictícios ou reais. Só há fanfarrões de saloon. E são eles, pelo jeito, os novos modelos de comportamento da sociedade brasileira.

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*Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS

Opinião: Bloqueios contra os pobres; Editorial de O Estado de São Paulo

Opinião: Bloqueios contra os pobres; Editorial de O Estado de São Paulo

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Os pobres foram os mais prejudicados – como se podia prever – pelo efeito inflacionário da crise no transporte rodoviário. O bloqueio de estradas no fim de maio dificultou a entrega de produtos essenciais, incluídos alimentos, reduzindo a oferta no varejo e esfarelando o orçamento familiar. Sem surpresa, o custo de comida e bebidas puxou a alta dos indicadores oficiais de inflação durante a paralisação dos caminhões e nas semanas seguintes. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,26%, na maior variação para o mês desde a taxa de 2,26% em 1995. Esta apuração mostra o impacto na despesa típica das famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. O prejuízo imposto às famílias mais modestas, com renda de 1 a 5 salários mínimos, é mostrado pela evolução do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com elevação de 1,43%, a mais ampla para o mês também desde 1995 (2,18%).

A variação de preços dos alimentos foi multiplicada por mais de 6 de um mês para outro, pulando de 0,32% em maio para 2,03% em junho, no caso das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. O encarecimento de comida e bebida teve um impacto de 0,50 ponto porcentual na formação do índice e foi o principal fator da alta de 1,26% do IPCA. No caso do INPC, o aumento geral de 1,43% foi puxado pelo salto de 2,24% do custo da alimentação (0,29% no mês anterior). A evolução do item alimentos e bebidas teve impacto de 0,67 ponto porcentual na formação do INPC, quase metade da variação total de 1,43%.

A forte pressão iniciada em maio mudou abruptamente a trajetória dos dois indicadores de inflação calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No caso do IPCA, a alta acumulada em 12 meses passou de 2,86% em maio para 4,39% em junho. Durante 13 meses consecutivos, a partir de maio do ano passado, essa taxa havia ficado abaixo de 3%. Na maior parte desse período (11 meses), nem sequer havia batido em 3%.

Nesta fase, a inflação tomada como referência principal pelo governo e pelo Banco Central (BC) foi inferior ao limite mínimo de tolerância fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), 1,5% abaixo da meta anual de 4,5%.

No caso do INPC, a variação em 12 meses passou de 1,76% em maio para 3,53% em junho. Durante 12 meses, a partir de junho do ano passado, a alta acumulada havia sido inferior a 3% e com frequência inferior a 2%. As famílias mais pobres, com renda de até 5 salários mínimos, vinham tendo a rara e preciosa experiência de uma inflação menor que a das camadas médias baixas e médias.

Embora outros fatores tenham contribuído para esse resultado, a inflação moderada para as famílias de rendimento mais modesto refletiu principalmente a evolução favorável dos preços da alimentação. Quem vive com orçamento tão limitado tem quase sempre algum motivo de queixa. Isso é facilmente compreensível. Mesmo com inflação baixa, a alta de preço de qualquer bem ou serviço desarranja os gastos. De toda forma, inflação moderada sempre torna a vida mais fácil, especialmente quando evoluem favoravelmente os preços da alimentação, um item com peso tanto maior quanto menor a renda.

O aumento de preços provocado pela paralisação do transporte pode ser passageiro, como afirmou o gerente da Coordenação de Índices de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves. É mais difícil avaliar, neste momento, o impacto da alta do dólar, porque a instabilidade cambial poderá prolongar-se nos próximos meses.

A turbulência no câmbio dependerá de fatores externos, como o conflito comercial entre Estados Unidos e China e a alta dos juros americanos, e internos, associados principalmente à incerteza política.

Seja como for, a inflação ficará neste ano acima das projeções formuladas até há pouco e bem mais próxima da meta de 4,5%. Dirigentes do BC terão de avaliar esses e outros fatores para decidir, a partir de agosto, se os juros voltarão a subir. Mesmo sem juros maiores, a incerteza eleitoral já afeta o ritmo da economia e do emprego. De novo, os mais pobres são os mais prejudicados.

Artigo: O Poder da Rede – Olha Ela: protagonismo e empreendedorismo; por Beatriz Valle

Artigo: O Poder da Rede – Olha Ela: protagonismo e empreendedorismo; por Beatriz Valle

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Eu conheço muita gente. Essa é uma frase comum que uso para explicar às pessoas os motivos do meu celular sempre apitando. Ou os tantos beijos que ganho pelo caminho quando ando pela rua. É uma festa!

Importante destacar: escrevo este texto em primeira pessoa para me aproximar de você. Vai que eu ainda não te conheça…

Conversar com qualquer pessoa é fácil para quem cresceu em uma família bem despachada. Tive bons exemplos em casa do quanto é bom receber um sorriso e agradecimento depois de ajudar um desconhecido. Meu avó materno vendia parte da produção da lavoura entre os vizinhos da minha mãe e tias. Ele sorria e falava com as pessoas, abertamente, enquanto separava as espigas de milho. Minha Tia Lena conversa até com as portas lá no Alegrete. Natural que me considere muito sortuda por ter essa genética e essas lembranças.

E quem não tem memórias assim ou genes tagarelas, como faz? Minha dica: construa relações da mesma forma! Não faça disso uma obrigação, mas divirta-se com novos laços e histórias. Em tempos de redes sociais, as conexões foi ampliadas enormemente. Estima-se que hoje temos mais conhecidos no Facebook do que uma pessoa da Idade Média teria por uma vida toda. É quase uma obrigação moral fazer uso desses contatos e se relacionar com eles. Nos meus tempos de executiva, aprendi a pegar cartões das pessoas e anotar alguma referência neles para puxar assunto depois. Faço isso até hoje. Nunca fui mal interpretada. Ao contrário, tenho bons amigos por conta da troca de dicas. Formei redes!

Crianças tendem a fazer amigos em qualquer lugar. Penso que fazem isso por um simples motivo: elas têm um objetivo claro. Toda a criança que se aproxima de outra quer brincar. Um objetivo fofo e bem definido, certo? Isso facilita o processo, mas não é tudo. Crianças, via de regra, não têm 50 mil cartões de contatos salvos no iPhone. Adultos podem ter e não se beneficiam disso. Veja, quando falo em benefício, não falo de interesse puro e simples. Falo de relações de verdade. De passar pelo contato na rua, reconhecê-lo e dizer: “Oi, tudo bem contigo?”. Me refiro ao manter a sua net (seja network, netlove ou o que for) viva e disponível.

Nos eventos em que participa, com quantas pessoas você costuma conversar? E desse número, quantas já eram conhecidas suas? Vale pensar sobre isso, minha gente! Como já não sou criança, visto meu sorriso e puxo conversa com quem me parece amigável. É incrível como as pessoas são receptivas. Faça o teste. Gentileza e um sorriso são aceitos como boas práticas em quase todo o mundo.

Quando comecei a BValle, ficou evidente que ser uma referência é um baita negócio. E não precisamos ser um Bill Gates. Basta estar na lembrança das pessoas por algum motivo. Na época, eu era uma referência em indicar profissionais para trabalhar. E também em comunicação, já que tinha estudado bastante e passado por muitos lugares com projetos legais. Essas pessoas foram indicando a BValle para outras empresas e, comecei o negócio já com clientes amados. Mostra-se aí o poder da rede em sua plenitude! As pessoas ficam felizes em ajudar, acredite. Principalmente, se você já a ajudou em outro momento. Se chama retribuição. É troca. É grátis. É o que faz o mundo ser melhor.

E quais são as suas rotina de relacionamento? Olhar o feed do Instagram e curtir meia dúzia de fotos não vale, ok? Comente os posts e stories com o coração aberto. Seja de verdade! Nesse mundo tão visual e corrido, as interações são cada vez mais raras. Falar com o motorista do Uber pode te render uma ideia. Uma mensagem de voz convidando a amiga para um cafézinho pode ser o embrião de uma parceria e tanto (vide BValle e NAU25). Resgate o humano que há em você e use todo esse mecanismo complexo, desenvolvido em milênios de jornada evolutiva: a comunicação! Garanto que suas redes serão poderosas e sua vida mais bacana.

Depois me manda um whats contando como foi!

*Beatriz Valle é gestora da BValle e acredita no poder das boas histórias escritas todos os dias por cada um de nós.