Análise: Mensagens simples e eficazes fazem campanha de Bolsonaro decolar. Taxa de rejeição de candidato do PSL, antes acima dos 40%, caiu para 37%; por Guilherme Evelin/O Globo

Análise: Mensagens simples e eficazes fazem campanha de Bolsonaro decolar. Taxa de rejeição de candidato do PSL, antes acima dos 40%, caiu para 37%; por Guilherme Evelin/O Globo

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Ao confirmar a tendência detectada pelo Datafolha na semana passada, a pesquisa do Ibope mostra que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro , caminha para uma vitória estrondosa no dia 28 – a não ser que um cataclismo aconteça.

É normal que candidatos com maior votação no primeiro turno saiam na frente no round seguinte. Mas Bolsonaro foi além disso. O candidato do PSL não só manteve uma sólida base de seguidores fiéis — 41% deles dizem não ter dúvidas de que votarão no capitão — como atraiu mais eleitores que optaram por outros candidatos no primeiro turno do que Fernando Haddad, do PT.

Bolsonaro conseguiu outro feito. Sua taxa de rejeição, antes acima dos 40%, caiu para 37%, enquanto a de Haddad subiu para 47%. O desempenho do candidato do PSL é resultado de uma campanha de mensagens simples, mas eficazes. Bolsonaro promete mudança ao eleitor desencantado e, para aumentar a rejeição a Haddad, bate no PT, associado à corrupção do sistema político.

Ainda há tempo, em tese, para Haddad protagonizar uma virada. Mas essa meta parece cada vez mais distante — e não só pela diferença de 18%. O tamanho do desafio de Haddad pode ser medido pelo fato de que não basta para ele atrair os eleitores que dizem que vão votar em branco ou nulo — 9%, segundo o Ibope. Para uma virada, Haddad precisa tirar votos de Bolsonaro.

O candidato do PSL não tem dado, porém, margem para erros. Sua campanha é profissional. Com base em atestados médicos, reduziu a exposição a debates e, depois de um primeiro turno focado nas redes sociais, está fazendo uma propaganda para a TV igualmente bem produzida.

Porto Alegre: Parabéns prefeitura pela aceleração das licenças, mas por favor não esqueçam da Sus-ten-ta-bi-li-da-de. A Zona Sul tá no limite!

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Leio que seguindo orientação do prefeito Nelson Marchezan Júnior, a Secretaria do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams) tem trabalhado de forma acelerada na análise da documentação dos projetos com impacto para gerar crescimento para a cidade. Parabéns ao prefeito e a todos envolvidos. Que cada vez mais venham novos investimentos sustentáveis para Porto Alegre.

Mas, por favor, – e o que vou escrever não é culpa só do Marchezan, mas de todos os outros que vieram antes dele também-, não adianta INCHAR a Zona Sul de Condomínios e Prédios, se não realizarem obras sérias de duplicação das avenidas, alargamento das ruas e proibição de estacionamento dos dois lados da via. E não adianta me falarem da “1/2 sola” que estão fazendo na Coronel Marcos. É insuficiente!

Fala-se tanto em sustentabilidade, conhecedor do conceito, o próprio Marchezan queria trocar o nome da SMAM e criar a Secretaria da Sustentabilidade, não conseguiu e a palavra foi agregada ao tradicional órgão já existente. Pois bem, uma das mais ricas áreas ambientais estará em risco em breve se algo não for feito para ordenar o processo de investimentos na Zona Sul, de Porto Alegre. Há que se preservar agora áreas de recurso renováveis para preservação dos não renováveis. Sinceramente, parece que ninguém está preocupado com os impactos ambientais provocados pelo uso irracional dos espaços urbanos e meio-ambiente da Região. Há muitos anos falta planejamento e existe uma inconsequente aprovação de novos prédios, condomínios. e loteamentos. Onde havia um terreno com uma casa e carros é liberada a construção de um edifício, onde os moradores terão dezenas de veículos; onde havia uma chácara é construído um condomínio… Em áreas maiores? Grandes loteamentos! E isso tudo sem as devidas obras viárias. Mais gente morando, mais veículos trafegando em ruas antigas e despreparadas para o fluxo. E esse aumento do número de automóveis nas vias, significa mais dióxido de carbono sendo emitido, causando mais poluição.  Isso sem contar o stress causado pelos congestionamentos nas pessoas que  perdem tempo preciso no deslocamento casa, trabalho, locais de estudo…

Fica o alerta! O trânsito da Zona Sul está próxima do colapso em horários de pico, se a prefeitura e os empresários investidores não se flagrarem disso vão perder dinheiro e estragar um cartão postal da cidade

O segundo turno começou mais cedo; por Bernardo Mello Franco/O Globo

O segundo turno começou mais cedo; por Bernardo Mello Franco/O Globo

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Agora é oficial. A julgar pelo Ibope, a eleição afunilou de vez entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Se não houver uma grande reviravolta, os dois estarão no segundo turno. Isso equivale a dizer que o duelo final pela Presidência começou mais cedo.

A nova pesquisa praticamente enterra as chances de uma terceira via. Ciro Gomes tentou ocupá-la, mas estacionou em 11% das intenções de voto. Ele precisaria dobrar seu eleitorado para empatar com Haddad na reta final. É uma missão quase impossível a menos de duas semanas das urnas.

Geraldo Alckmin também se esforçou, mas continua atolado na casa de um dígito. Sua campanha entrou no modo de crise permanente. Dia sim, outro também, o presidenciável é abandonado por um aliado do centrão ou do próprio PSDB.

Os partidos da coligação fixaram uma data-limite. Se o tucano não ressuscitar até o Datafolha de sexta-feira, será largado à própria sorte. Os mais afobados não querem esperar a missa de corpo presente. É o caso de seu ex-pupilo João Doria, que já entrou na dança do acasalamento com Bolsonaro.

O capitão manteve seus 28%, mas recebeu três notícias ruins. A primeira foi o crescimento de Haddad, que chegou a 22% e passou a ameaçar sua liderança. A segunda foi o crescimento de seu próprio índice de rejeição, que chegou a 46%. A terceira foi a mudança nos cenários de segundo turno.

Bolsonaro voltou a aparecer em desvantagem na maioria das simulações. Se a eleição fosse hoje, ele seria derrotado por Haddad, Ciro e Alckmin. Só empataria com Marina, que encolheu para 5% e corre o risco de terminar a eleição entre os nanicos.

Os números animaram os petistas, mas não significam que Haddad terá vida fácil. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, afirma que a verdadeira rejeição do petista é maior que os 30% indicados na pesquisa. Ele diz que o questionário capta a aversão à “pessoa física” do candidato. Seu desgaste tende a aumentar quando o eleitor que não deseja a volta do PT passar a identificá-lo como inimigo.

Leia mais em O Globo.

Opinião: A única saída; por Luiz Artur Ferraretto*

Opinião: A única saída; por Luiz Artur Ferraretto*

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Para mim, começou como uma troca de ofensas entre dois militantes estudantis. Vi no Facebook. Não discutiam política, mas pensavam estar fazendo isso. Um chamava o outro de “filho da puta”. O outro respondia em tom semelhante.
Depois, o filho de uma colega foi duramente agredido por discordar de outros integrantes dentro da mesma facção política. Câmeras de rua gravaram a surra. O rapaz saiu do embate com um braço quebrado e vários hematomas.

Vieram os protestos de 2013. A juventude parecia acordar. No meio da multidão, apareceram marginais. Patrimônio público e privado foi avariado ou destruído. Manifestantes sérios acabaram agredidos por quem deveria protegê-los. Balas de borracha e gás lacrimogêneo. Um cinegrafista – um trabalhador – foi morto. Já não se sabia mais quem era de esquerda ou de direita.

Vieram as eleições de 2014, ano de uma Copa do Mundo sem sentido. Pessoas próximas passaram a considerar “idiotas” a outras pessoas próximas. Motivo: votariam em “antas” ou em “mauricinhos”. Cada um de nós começou a se isolar, a tentar sobreviver em meio a discórdias crescentes.

Uma eleição democrática passou a ser contestada “só de sacanagem” por um bando partidário a acusar o outro. Entramos no jogo. Quem foi eleito, ao invés de procurar unir o país, passou a tentar salvar o próprio pelo. Esqueceu que deveria governar para todos os brasileiros. Parte de uma chapa eleita foi derrubada pela outra parte. Traidor virou esperança e transformou um governo ruim em péssimo, o pior da história.

O “fake” aproximou-se das “news”, afetando o mundo real. Mentir virou uma causa nacional. Combater a mentira transformou-se em necessidade, embora seja tarefa dura e, não raro, quase impossível. “Tudo é mentira, mentira, mentira” não soa mais apenas como um velho tango. Passou a ser a marcha fúnebre da consciência nacional.
Enquanto isso, milhões continuaram seguindo para seus empregos. Iam amedrontados. Muitos foram ficando desempregados pelo caminho. Bala já não era troco. Era bala de revólver. Medo e decepção. Guerra de narrativas e vitimização. Um “heroi” surgiu em Curitiba. Outro “heroi” acabou indo preso para lá. Transformando uma das mãos em revólver e defendendo armas até para crianças mais um “heroi” surgiu. Bala não era mais confeito. Com cartucho, pólvora e espoleta, virara símbolo de campanha.

Agora, uma facada acertou o abdômen do país. Ainda não foi o coração. A democracia parece ferida de morte em uma agressão ao símbolo da defesa da ditadura, a sua contraparte.

Só resta a uns e a outros um caminho: deixar as armas de lado, tanto as da retórica quanto as baseadas no chumbo.

Só o diálogo salva o Brasil. Bem que a agressão poderia iluminar o agredido e seus opositores. Bala e faca nunca resolveram nada. Ofensas não deveriam ocupar o espaço das ideias. A única saída, neste momento de dor, é a razão.

Toneleros ou o assalto ao Reichstag precisam ser coisas do passado. Bala deve voltar a ser um confeito apenas. É hora de buscar a paz. E não a guerra. Para isso, ninguém precisa de herois. Precisa de gente como você e eu, mesmo que um não concorde com o outro. Apertos de mão, abraços e beijos valem muitíssimo mais do que agressões. São neste momento a nossa única saída.

22730560_1665748616776983_387277267865023406_n-150x150*Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS

Editorial: O perigo da anomia; O Estado de São Paulo

Editorial: O perigo da anomia; O Estado de São Paulo

Destaque Direito Notícias Opinião
Artigo: Lula implodiu a esquerda; por José Casado/O Globo

Artigo: Lula implodiu a esquerda; por José Casado/O Globo

Artigos Destaque Lula Opinião

Semanas depois de anunciar sua transcendência da condição humana para a sublimidade de “uma ideia”, Lula recaiu na vida mundana. Da prisão, comandou o PT numa proeza: implodiu o agrupamento autodenominado de esquerda.

É aposta de alto risco. O resultado só será mensurável na apuração da noite de domingo, 7 de outubro. Até lá, contam-se os sobreviventes.

Entre eles está Ciro Gomes, visto ontem em Brasília queixoso da vida: “É só fuxico, é só conchavo, é só rasteira, é só punhalada pelas costas.”

O candidato do PDT não admite, mas é o responsável pelo próprio isolamento. Imolou-se.

Ciro conseguiu ser rejeitado até mesmo pelo ajuntamento de conservadores, donos do centrão, depois de oferecer-lhes todo o ministério.

Correu para o PT, em seguida, com a oferta de sociedade num “bloco de esquerda”, sob a sua liderança. Subestimou a adoração da burocracia petista pela hegemonia. Foi além: se apresentou como alternativa a Lula, cujo único interesse é o culto à sua personificação como uma “ideia”, na esperança de se diferenciar dos sentenciados comuns.

É longa a lista dos supostos humilhados por Lula, mas nenhum pode se queixar. Todos aceitaram um papel nessa tragicomédia centrada na onipotência de um velho líder, incapaz de reconhecer seu lugar na sociedade de classe média poderosa e ansiosa pela conexão com a modernidade capitalista. Nos arquivos do PT há uma coletânea de pesquisas sobre tais contradições.

Lula segue com o seu plano de cativeiro — suicida, para muitos . A essência está registrada em documentos do partido. Eis as etapas: 1) cultua-se a imagem de “vítima” de um sistema judicial manipulado pela “elite”; 2) questiona-se a legalidade da disputa sem a sua participação (“Eleição sem Lula é fraude”); 3) estimula-se o “voto de protesto” em candidato-laranja; 4) se derrotado nas urnas, contesta-se a legitimidade do presidente escolhido em eleição “fraudada” pelo veto a uma “ideia” chamada Lula.

xCasado-Carinha.jpg.pagespeed.ic.4pwW4Xcz0u José Casado. jornalista

Farol alto! O Brasil precisa não de ‘candidatos’, mas de líderes que tenham visão de estadistas; por Fernando Henrique Cardoso*

Farol alto! O Brasil precisa não de ‘candidatos’, mas de líderes que tenham visão de estadistas; por Fernando Henrique Cardoso*

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As sondagens sobre o voto popular no próximo dia 7 de outubro mostram que uma grande parcela da população repudia o jogo dos partidos ou ainda não sabe como se posicionará. Não assim os dirigentes partidários. Estes “tomam partido” por antecipação. Na fase que está por terminar, que culmina com as convenções partidárias, é natural que estejam mais interessados nas alianças para formar a rede de apoio eleitoral e no tempo de televisão à disposição de seus candidatos. Natural, mas insuficiente, quando não negativo, pois gera a percepção de que a “política” é só um jogo de poder; no limite, um jogo pessoal.

Não sou ingênuo, nem poderia haver ganhado duas eleições presidenciais no primeiro turno se não entendesse que as alianças partidárias contam para a vitória e antecipam a possibilidade de governar. Mas o importante, o decisivo mesmo, é outra coisa: a mensagem e a credibilidade que o candidato desperte no eleitorado. Mormente agora, com o sistema político-eleitoral que criamos na Constituição de 1988 exaurido. Sei que o Congresso aprovou a lei de barreira e que no futuro haverá menos partidos. E também que as alianças entre eles nas eleições para deputados devem acabar. Elas distorcem a vontade do eleitor, que vota em candidato de um partido e elege alguém de outro.

Não basta, entretanto. Além de outras reformas eleitorais (como a introdução de formas de voto distrital e de candidaturas avulsas), há que enfrentar a cultura política de personalismo, clientelismo e corporativismo. Com ela os “partidos” aparecem aos olhos populares como trampolim para salvaguardar os interesses dos que se elegem e de quem os sustenta. É mais fácil mudar leis e decretos do que sentimentos e atitudes permissivas arraigadas na cultura política. Sua mudança depende de virtudes exercidas pelas lideranças e da punição das práticas corruptoras.

Daí a responsabilidade dos que vão falar ao País para pedir votos e a necessidade da vigilância constante da opinião pública sobre o que dizem. Hoje a formação da opinião pública não se limita às mídias tradicionais. As “mídias sociais” exercem influência crescente na decisão de voto. As fake news (que antigamente se chamavam de “mentiras”) se difundem mais rapidamente, criando imagens falsas ou distorcidas sobre os candidatos. É o preço da maior acessibilidade às redes de comunicação, que em si são um progresso, mas precisam de contrapesos que verifiquem a veracidade das informações que por elas circulam.

Nas eleições a palavra se torna crucial. Não só seu significado literal apenas, mas o conteúdo simbólico e o modo de expressá-la. A política eleitoral implica tanto alianças como propostas e, sobretudo, requer desempenho dos candidatos. Não por acaso o “demagogo”, ao se comprometer com os interesses populares, sempre encontra espaço na vida pública. Entretanto, em especial nos momentos de crise, demagogos podem ser batidos por quem tiver virtude e capacidade de mostrar um rumo para o país que seja percebido como confiável para os “mercados”, mas principalmente bom para o povo, sem apelar à ilusão distributivista e/ou a impulsos autoritários. Foi o que fiz quando liderei o Plano Real.

O Brasil precisa não de “candidatos”, mas de líderes que tenham visão de estadistas e mostrem ao povo os caminhos da esperança. Há que explicar à maioria que a própria democracia, minada pela corrupção e pelos erros de condução do País, está em jogo. A sociedade sofre hoje a comichão da demagogia autoritária dos que pensam que bastam ordem e hierarquia para gerar empregos e renda, quando é preciso muito mais do que isso. No lado oposto, há a demagogia dos que pensam que basta a “vontade política” para dissolver interesses e legislar em benefício da maioria. É preciso competência, persistência e humildade para saber que só unidos, guiados por ideias, venceremos o atraso.

Em latim se dizia virtus in medium est. Frase que pode ser enganadora: não existe meio-termo entre o autoritarismo de direita e a demagogia populista. Há que renegá-los radicalmente. Não se trata, tampouco, de eleger um “centrista” qualquer nem de dizer amém ora a um lado, ora ao outro. Mais de uma vez me referi à necessidade da formação de um “bloco popular e progressista”. E procurei definir o significado destes termos.

Quererá isso dizer que o candidato que assuma as posições deste “bloco” (tenho escrito bloco de propósito para englobar setores da sociedade e não apenas dos partidos) deverá recusar alianças com setores diferentes dele? Responder afirmativamente à pergunta importa em declarar derrota por antecipação: as sociedades contemporâneas são fragmentadas, nem sempre os grupos e pessoas têm consciência dos desafios que os atormentam, os partidos se tornam mais siglas do que instrumentos de definição de políticas. E muitos deles, no caso brasileiro, além de se beneficiarem de um sistema eleitoral cartorial (que define acessos aos períodos gratuitos de TV) expressam o que chamo de “atraso”. E este é parte constitutiva de nossa herança político-cultural. Sem alianças ninguém ganha nem governa.

A verdadeira questão é outra: tal “bloco” e seu líder terão capacidade e poder para conduzir o processo político nacional ou serão engolfados pelos interesses partidários e sociais dos que sempre mandaram? Daí a importância da capacidade de liderança do candidato, de suas convicções e de ambas haverem sido provadas na prática. Esta coluna não é espaço para propaganda partidária. Minhas escolhas são conhecidas e as razões delas estão ditas no artigo que escrevi no mês passado.

Os jogos estão feitos. O êxito dependerá de que com conhecimento, firmeza e convicção se diga o que é necessário, e não apenas o que é conveniente. E de que os que ouçam se convençam de que o dito não são palavras perdidas no ar e, por isso, quem o diz merece a confiança do seu voto.

De farol alto é o que precisamos.

Durante a palestra Brasil, Qual Será o Seu Futuro?, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou não ser pessimista em relação ao país. Segundo ele, o Brasil tem um "potencial enorme" (Wilson Dias/Agência Brasil)

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO É SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

Larga o osso, Lula! Haddad tem de parar de fingir que não é candidato; Manuela, de fingir que é; por Eliane Cantanhêde/O Estado de São Paulo

Larga o osso, Lula! Haddad tem de parar de fingir que não é candidato; Manuela, de fingir que é; por Eliane Cantanhêde/O Estado de São Paulo

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Fecha-se o tabuleiro presidencial hoje, com aquela peça disforme e mal colocada que segura o jogo e imobiliza o próprio lado: Lula, preso há 100 dias, sem conseguir dar o sinal verde para Fernando Haddad parar de fingir que não é candidato e para Manuela Dávila parar de fingir que é.

Com a avalanche de convenções no fim de semana, vai se fechando a escolha dos vices com dois focos claros, resultados não de amor ou de saudável afinidade ideológica, mas do puro pragmatismo. Daí a preferência por mulheres e/ou nomes do Rio Grande do Sul.

A síntese disso é a senadora gaúcha Ana Amélia, que entra na chapa do tucano Geraldo Alckmin não apenas como três em um, mas seis em um. É mulher, do PP, do Sul, da área de comunicação, assumidamente de direita e crítica contundente das maracutaias na política.

Ana Amélia não está aí para só embelezar as fotos do PSDB, mas para conquistar os 80% do eleitorado feminino ainda indecisos ou dispostos a anular voto e para tentar frear o ímpeto do PP gaúcho para Jair Bolsonaro e do PP do Piauí para o PT. Além disso, ela tem uma missão específica: resgatar os 4% de votos surrupiados do PSDB no Sul pelo paranaense Alvaro Dias, ex-tucano hoje no Podemos.

E ela também cumpre funções mais subjetivas. Alckmin tem de se firmar à direita, para disputar com Bolsonaro a vaga de principal contraponto ao PT. Ana Amélia, clara e contundente, tem ação e discurso que calam fundo no agronegócio e no eleitorado irritado com os políticos e conservador nos costumes. Ou seja, nos bolsões do Bolsonaro (com perdão do trocadilho).

Assim como ela, são ou foram consideradas para vice, de olho nas mulheres, sempre desconfiadas: Janaína Paschoal, a advogada e professora histriônica, na chapa de Bolsonaro, e Manuela d’ Á vila, a jovem e aguerrida “candidata” do PCdoB, que espera sentada o anúncio para ser vice de Lula, ops!, do PT.

Manuela é outra do Rio Grande do Sul, que foi governado pelos petistas de raiz Olívio Dutra e Tarso Genro e onde o PT mantém núcleo forte, mas fraco eleitoralmente. Também gaúcho e ex-governador, Germano Rigotto é opção de vice para Henrique Meirelles. Atualmente, ele é…. o que mesmo? Bem, Rigotto anda sumido, mas resta a Meirelles chapa puro sangue (MDB-MDB) e quem quer ter mandato em 2019 pula fora.

Se o grande MDB só atraiu o pequeno PHS, quais são os aliados do PDT e as opções de vice de Ciro Gomes? Sufocado pela aliança do Centrão com Alckmin e o ataque frontal do PT, que garantiu a neutralidade do PSB, Ciro tenta colher os dissidentes de um lado e do outro, enquanto o PT parte para a terceira etapa de aniquilar Ciro: a investida final para reunir as esquerdas. Viva-se – no caso de Ciro, sobreviva-se – com um barulho desses. Na GloboNews, Ciro se declarou “um cabra marcado para morrer”.

E, no Estado, Marta Suplicy ponderou que Ciro pode ser o melhor candidato, mas “talvez não queira ser presidente, porque ele se sabota. Como psicanalista, vejo isso claramente”.

Alvaro Dias compôs chapa insossa com o ex-BNDES Paulo Rabello de Castro e Marina fugiu ao mero pragmatismo de seus adversários. O médico e ex-deputado Eduardo Jorge é do PV, que tem tudo a ver com a Rede Sustentabilidade – ao menos no nome. Se há cálculo na escolha, é que ele fez carreira em São Paulo, onde reluzem 33 milhões de eleitores. Agora, só faltam duas coisas: Lula largar o osso e os candidatos convencerem quem mais importa, Sua Excelência, o eleitor, de que o vice é para continuar sendo só vice até o fim, sem impeachment. Que os céus nos protejam!

 

39_39_5550b6df0817aElianeCantanhedeLeia aqui a íntegra da coluna dominical de Eliane Cantanhêde, em O Estado de São Paulo

Artigos: Aos amigos, tudo. Ao cidadão de bem, todo o rigor da lei! ; por José Luiz Tejon Megido*

Artigos: Aos amigos, tudo. Ao cidadão de bem, todo o rigor da lei! ; por José Luiz Tejon Megido*

Artigos Comunicação Destaque Notícias Opinião

Getúlio Vargas, que foi presidente do Brasil, tinha uma frase lapidada: “Aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei“, ou seja, quando usamos a lei de forma tirânica significa maior punição possível contra qualquer um. No caso, ele se referia aos inimigos de seu regime, à época, uma ditadura.

Mas, essa frase hoje em dia vale com uma correção: “Aos amigos, tudo, ao cidadão de bem, todo o rigor da lei”.

Os exemplos de perseguições e punições lançados de forma a prejudicar exatamente o cidadão que anda dentro da lei, na sua larga e imensa maioria, termina por pegar exatamente aquele que é o mais honesto dentre todos.

Na agropecuária, a insegurança jurídica é tema recorrente no agronegócio, no qual o produtor é vítima de danos causados por legítimos infratores (coisa corriqueira).

No dia 28 de junho de 2018, na época da paralisação da Rodovia Assis Chateaubriand, próximo ao município de Guapiaçu, no estado de São Paulo, vândalos colocaram foco nos canaviais.

Um produtor rural idôneo, que segue todas as normas de segurança e de sustentabilidade, teve um prejuízo calculado em R$ 100 mil, com 96 hectares de sua propriedade queimados.

O corpo de bombeiros e relatórios existentes atestou que o incêndio teve origem criminosa e que foi iniciado do lado de fora da propriedade, em meio aos tumultos.

Essa propriedade produz cana com aceiros largos, acima de 3 metros, mantidos limpos e dentro do programa do “melhor caminho“; propriedade toda cercada, com equipes contra incêndio, com reservas, colheita mecânica, onde a queima já foi abolida.

Um produtor íntegro e uma propriedade dentro de tudo o que manda a lei.

Mesmo com tudo isso, com receio dos embates com o Ministério Público, a Polícia Ambiental lavrou uma multa de mais de 119 mil reais.

É importante a lei, mas além do que dizia Getúlio, não serve apenas para punir os inimigos com o seu rigor, serve, e muito, para punir exatamente os cidadãos de bem, que agem e atuam exclusivamente dentro da lei. A Polícia Ambiental mandou um produtor que foi vítima para uma audiência pública, na condição de réu!

O Ministério Público e a Polícia Ambiental precisam olhar com a ética da balança da justiça fatos como esse.

iE6rH56* José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM

100% de concordância ou nada. Uma versão moderninha de “a bolsa ou a vida”; por Luiz Artur Ferraretto*

100% de concordância ou nada. Uma versão moderninha de “a bolsa ou a vida”; por Luiz Artur Ferraretto*

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Relutei muito em participar de redes sociais, mas acabei cedendo. Lembro que, frente aos comentários de estudantes sobre o Facebook, eu respondia: “Gente, vocês são tão críticos em relação à grande mídia brasileira e estão achando o máximo uma das maiores multinacionais do planeta!”. Acabei, no entanto, me integrando. E achando interessante esse mundo de circulação de informações e opiniões.

A história é conhecida. O quadro começou a mudar antes das eleições de 2014. Você defendia alguma política do governo Dilma e virava “petralha”. Se houvesse crítica aos erros dos petistas, transformava-se em “coxinha”. Caso começasse a ponderar, tornava-se “isentão”. Assim, foi se criando o quadro atual, no qual a alvorada virou um crepúsculo ameaçador no horizonte de um país navegando pela falta de respeito entre pessoas e a desconstrução institucional. Nesse quadro, há os que desenvolveram a capacidade de, frente à contrariedade, interpretar o papel de vítima, mas ocupando, de fato, o de algoz da opinião alheia.

São os barulhentos das redes. É preciso concordar 100% com os posicionamentos deles. Tiram uma fotografia de parte do dito em algum momento particular e você é transformado no inimigo da vez. O adjetivo, sempre um depreciativo, prepondera. Sem o mínimo pudor, você passa a ser jogado para o “outro lado” até que a verdade dos seus carrascos das redes prevaleça. É julgado e condenado em nome de uma perigosa pretensão de democracia, a da “minha opinião é sempre válida e deve ser escutada”.

Olhe para a política partidária e veja quem usa tal estratégia. Dou dois exemplos: um está preso em Curitiba e outro adora berrar argumentos vazios e preconceituosos. Mesmo assim, lideram as pesquisas de opinião. São extremos de uma realidade que parou de admitir caminhos do meio. É “a bolsa ou a vida”, 100% ou nada. Não há um Tex, um Zorro, um Cavaleiro Solitário ou outro “cowboy” para nos salvar dos bandidos e controlar a diligência descontrolada na qual todos nós embarcamos em algum momento seja pela porta do lado direito, seja pela do lado esquerdo. Não existem heróis fictícios ou reais. Só há fanfarrões de saloon. E são eles, pelo jeito, os novos modelos de comportamento da sociedade brasileira.

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*Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS