Porto Alegre, segunda, 17 de janeiro de 2022
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“Não tenho escrúpulos”, diz francês que utiliza certificado falso de vacinação anticovid; RFI

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Garçom verifica passaporte sanitário em um restaurante francês, no sul da França. AP - Bob Edme

 

 

O jovem Paul* (nome fictício) conta que pagou € 30 (cerca de R$ 189) em seu documento falsificado, que atesta a imunização com as duas doses da vacina contra a Covid-19. O certificado, comprado de um colega de trabalho, tem nome, data e até o número do lote do imunizante utilizado, além de estar vinculado à Seguridade Social francesa. Como Paul, a polícia francesa estima que existam outras 200 mil pessoas no país com certificados de vacinação falsos.

“Já testei várias vezes, inclusive em aeroportos, na fronteira e nos bares, e nunca tive problemas”, diz Paul*, que pediu para preservar sua identidade, em entrevista à RFI. O jovem francês conta que conseguiu inserir seu documento falso no aplicativo TousAntiCovid (Todos contra a Covid em tradução livre), ferramenta criada em 2020 pelo governo francês para facilitar a identificação dos casos positivos de Covid-19 e de seus contatos.

A população também utiliza o aplicativo para carregar o certificado de vacinação, identificado por um QR Code (código de barras digitalizado) e o apresentar nos locais onde o documento é exigido. “É como se fosse um certificado de verdade. Durante um tempo eu usei passaportes sanitários de outras pessoas, mas quando começaram a pedir a carteira de identidade nos estabelecimentos tive que arrumar um ‘de verdade’”, explicou Paul*.

O francês também afirma não ter medo da prisão, apesar do novo projeto de lei do governo endurecer as sanções contra os fraudadores: estar em posse de um certificado falso pode resultar em uma pena de 5 anos de prisão e de uma multa que pode chegar a € 75 mil (o equivalente a R$ 474.292). Em caso de empréstimo do documento, a sanção será de € 1000 (cerca de R$ 6.325), mas pode ser cancelada se o usurpador da identidade se vacinar no prazo de um mês.

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