Porto Alegre, quarta, 26 de janeiro de 2022
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Comece o ano celebrando a decisão de parar de fumar

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Uma das tradições dessa época do ano é celebrar as conquistas alcançadas e, assim, manter uma atitude ainda mais positiva no novo ciclo para levar adiante as resoluções adotadas.

Se parar de fumar ocupa lugar de destaque entre as metas de saúde e bem-estar, o médico Dr. José Miguel Chatkin, integrante da Oncoclínicas RS e Chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital São Lucas da PUCRS, destaca que os benefícios serão muitos e trarão impactos positivos na qualidade de vida. Além disso, para os pacientes oncológicos, cessar o tabagismo representará redução de efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia, diminuição dos riscos de reincidência da doença, de novos tumores e de surgimento de metástases. E, se houver necessidade de cirurgia, as cicatrizações serão mais rápidas e com menor frequência de complicações, como sangramentos e necessidade de reintervenções na ferida operatória. A cessação do tabagismo é considerada, cada vez mais, um dos pilares fundamentais para que o doente oncológico possa obter melhores resultados em seu tratamento.

“Assim, com estratégias e técnicas adequadas, é possível parar de fumar, resultando em nítida melhoria da qualidade de vida, não só na perspectiva do câncer, mas também pelo encaminhamento de outras doenças relacionadas ao uso de tabaco, como as relacionadas ao coração (hipertensão arterial, infarto do miocárdio) ao pulmão (enfisema, bronquites e outras)”, afirma o pneumologista.

Para que a resolução de parar de fumar seja cumprida, é importante procurar ajuda especializada, pois não há necessidade de o paciente enfrentar o problema sozinho. Sem ajuda profissional, a possibilidade de sucesso é muito baixa, apenas cerca de 4 a 6% das tentativas. É como se quisesse tratar uma pneumonia sem orientação profissional.

“O trabalho multidisciplinar de atendimento ao fumante deve começar por uma entrevista para entendimento da rotina e histórico de fumo”, complementa. Dr. Chatkin salienta também que o tratamento do tabagismo cabe a um médico, pois inclui farmacoterapia e apoio cognitivo comportamental. No caso de pacientes oncológicos, em que será preciso lidar com os medos, culpas e outros sentimentos, a orientação é a de que o trabalho comece com o oncologista. “A ideia é criar um vínculo emocional que estimule o compromisso de desligar-se do tabaco, reconhecendo que, enquanto seu uso traz malefícios, a cessação traz benefícios fundamentais para o melhor viver”, observa.

Outras orientações importantes:

– Preparar-se mentalmente para essa virada de chave, especialmente para os possíveis efeitos da abstinência, como ansiedade, irritabilidade; essa síndrome pode ser manejada com auxílio do pneumologista;

– Intensificar ou iniciar hábitos saudáveis que possam minimizar a ansiedade, como a prática de esportes ou hobbies de sua preferência;

– Se não conseguir interromper repentinamente, pode-se programar a parada progressiva, estimulando redução de cigarros a cada dia ou a cada semana. Mas essa estratégia costuma a facilitar a recaída/fracasso, pois com a continuidade do uso pode aumentar o volume de cigarros consumidos;

– Existem várias formas de tratamentos medicamentosos a serem prescritos pelo médico, que ajudam muito a tornar menos difícil esta jornada. O uso de adesivos e gomas de nicotina é indicado e pode ajudar no processo; a nicotina em si, apesar de ser a causadora do vício ou adição, não ocasiona problemas maiores. Os malefícios do tabagismo estão relacionados às mais de 7000 substâncias existentes na fumaça do cigarro, muitas de indubitável efeito relacionado ao câncer.

– É preciso entender que a recaída não é uma questão de fracasso ou de fraqueza, mas sim faz parte de um ciclo de aprendizado dos motivos das recaídas, que culminará em sucesso. Vencer um vício de muitos anos pode não ser conseguido nas primeiras tentativas. A média de tentativas para parar de fumar é de seis a oito vezes;