Economia: Afinal, de onde saem os recursos do Crédito Rural? Do governo? Não. Do setor privado.

Economia: Afinal, de onde saem os recursos do Crédito Rural? Do governo? Não. Do setor privado.

Agronegócio Destaque Direito do Consumidor Economia Expointer Negócios Plano Safra Poder Política

A afirmação do presidenciável Ciro Gomes, em sua visita à Casa Farsul, que o setor primário recebe incentivos fiscais de R$ 158 bilhões segue repercutindo entre as lideranças. O economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, afirma que o governo não empresta mais dinheiro para a agricultura. Segundo ele, atualmente, de acordo com a Resolução 4.669 do Banco Central, os bancos podem destinar para crédito rural 30% de seus depósitos à vista. “Logo, a primeira fonte de recursos do crédito rural são os recursos depositados nos bancos e não recursos do governo”, explica.

Certamente você já ouviu falar da “corrida aos bancos”. Certo? Isso acontece quando o sistema financeiro de um país perde sua credibilidade e todo mundo corre para buscar o seu dinheiro lá depositado. Mas porque isso acontece?

As razões por que isso pode ocorrer estão relacionadas ao fato de os bancos “emitirem moeda”. Sim, com os recursos lá depositados os bancos “criam” dinheiro emprestando mais do que os valores depositados. Isso quer dizer que os bancos fazem algo errado? Não, pelo contrário. Isso é muito bom para economia, desde que haja confiança e que o grau de alavancagem não gere inflação. Ai que está o problema: quem tem que se preocupar com a inflação é o Banco Central e não os bancos comuns e ele o faz através de diversas ações de Política Monetária, onde os principais instrumentos são a bem conhecida Taxa Selic – que incentiva ou desencoraja a tomada do crédito por parte do consumidor – e os compulsórios bancários. Os depósitos compulsórios são valores retidos de parte dos depósitos a vista (o saldo positivo em sua conta corrente é o seu depósito à vista) que os bancos são obrigados a deixar depositados nas suas contas junto ao Banco Central. Eles não ganham nenhum centavo de remuneração sobre esse dinheiro, deixam lá parados porque assim o Banco Central consegue controlar a inflação.

Logo após o início do Plano Real os economistas do Banco Central tiveram uma excelente ideia: um percentual desse compulsório, ao invés de ficar preso no Bacen, poderia ser emprestado a título de Crédito Rural, já que neste caso ao invés de estimular a demanda, estaria se estimulando a oferta, o que de certa forma ajudaria também a combater a inflação e de quebra os produtores teriam crédito sem que o Governo destinasse recursos do orçamento para esse fim.

8899180634438
Economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz Foto:Tiago Francisco/Farsul

Atualmente, de acordo com a Resolução do Banco Central 4.669, os bancos podem destinar para o crédito rural 30% dos seus depósitos à vista (média dos Valores Sujeitos aos Recolhimento – VSR). Logo, a primeira fonte dos recursos do crédito rural são os recursos depositados nos bancos e não recursos do governo. Leia no Manual do Crédito Rural Capítulo 6, Seção 2.

A segunda fonte dos recursos do crédito rural são os Depósitos em Poupança. De acordo com a Resolução 4.614 do Banco Central as instituições financeiras oficiais e cooperativas de crédito podem direcionar 60% dos depósitos da caderneta de poupança para o Crédito Rural. Caderneta de Poupança é recurso do governo? Não! Assim como os depósitos das nossas contas correntes, ele é PRIVADO, meu, seu, nosso!

A terceira fonte são os Recursos Livres. Outros valores que os bancos podem emprestar aos produtores a título de Crédito Rural, sem juros controlados.

Pergunta: Os juros dos recursos dos Depósitos à Vista e Poupança têm juros controlados porquê?

Antônio da Luz: A razão é simples: os depósitos compulsórios não rendem nada. O objetivo não é investir no governo, para isso existem os títulos públicos. É para controlar a inflação! Qualquer coisa que o banco puder ganhar então ele sai no lucro. O “pulo do gato” está na poupança. Quando depositamos nossas economias na caderneta de poupança, o banco nos paga um juro, que hoje está em 4,55% a.a. Então o governo define um juro em que o banco tenha sua justa remuneração. Hoje o juro geral do custeio e comercialização é de 7% a.a. Sendo assim, o banco capta a 4,55% e empresta a 7% ao produtor, ou seja, ganha um spread de 2,45%. Onde está a equalização???? Equalização somente existe quando o juro da captação for maior do que o juro do empréstimo, o que não é o caso. Os bancos ganham de spread 45% do que ganham os donos do dinheiro… Seria para os bancos um mal negócio? E os Custos Administrativos e Tributários? Aí devemos perguntar ao Ministério da Fazenda, pois os produtores não participam dessa discussão…

Pergunta: Mas os juros não são mais baixos do que a média do mercado?

Antônio da Luz: São sim. Por duas razões: a primeira é que como os recursos são direcionados, como acontece de forma semelhante no crédito imobiliário, o governo não entra com dinheiro, mas entra com a regra do juro, estabelecendo os juros controlados. A segunda razão está relacionada ao perfil do tomador. O crédito rural tem as menores taxas de inadimplências, de acordo com as estatísticas o Banco Central. Além do mais, os produtores oferecem pesadas garantias, não raras vezes suas garantias valem mais do que o dobro do valor tomado. Os bancos exigem garantias bem acima do valor para, no caso de inadimplência e execução de garantias, os bancos possam vender rapidamente o bem no mercado. Vamos comparar com uma empresa do meio urbano, digamos uma loja de roupas: consideremos que ela está estabelecida em um prédio alugado, tenha baixo capital social e quer tomar um recurso para capital de giro. Seguramente esta empresa pegará o dinheiro em patamares de juros na casa dos 40% a.a. Mas se ela apresentar garantias, como fazem os produtores, certamente o juro despencará para níveis bem abaixo. Trata-se de uma relação de risco e retorno. Boa parte dos juros serem baixos está na baixa inadimplência e nas pesadas garantias reais dadas aos bancos.

Pergunta: Quanto de recursos públicos são emprestados aos produtores rurais não enquadrados no regime de agricultura familiar?

Antônio da Luz: Zero !

Pergunta: Mas, então onde estão os famosos subsídios?

Bom, vamos olhar o Orçamento da União. Entre lá em http://www.transparencia.gov.br/funcoes/20-agricultura?ano=2017 e veja você mesmo o quanto o governo gastou em 2017 (último ano fechado) em com  “Agricultura”.

Foram R$ 15,31 Bilhões ao todo (Empresarial e Familiar). Isso é muito ou pouco? Bem, o Governo Federal gastou R$ 2,39 Trilhões, ou seja, o Orçamento da Agricultura equivale a apenas 0,64% do gasto público.  Com o Programa Bolsa Família, o Brasil gasta: R$ 29,04 Bilhões. Para cada Real gasto com Agricultura, gasta-se R$ 1,89 com este programa. Além do valor ser extremamente baixo, sobretudo em comparação com nossos concorrentes, ele é ainda muito mal empregado, ficando muito desse recursos em atividades meio.

 

Promoção da Produção Agropecuária: R$ 5,8 Bilhões

Administração Geral: R$ 5,4 Bilhões

Abastecimento: R$ 3 Bilhões

Outros encargos especiais: R$ 260 Milhões

Benefícios ao trabalhador (MAPA e estatais): R$ 241 Milhões

Outros: 498 Milhões

 

 

(Felipe Vieira com informações do Correio do Povo e Farsul)

 

Economia: Artigo de economistas gaúchos recebe Prêmio do Ministério da Fazenda

Economia: Artigo de economistas gaúchos recebe Prêmio do Ministério da Fazenda

Agenda Economia Notícias

O ex-presidente do Conselho Regional de Economia do RS (Corecon-RS), economista gaúcho Fernando Ferrari Filho, e o economista Fábio Henrique Bittes Terra foram premiados, com o artigo “Índice de Fragilidade Financeira do Setor Público: uma análise para o governo federal brasileiro no período 2000-2016”, em 2º Lugar no X Prêmio da Secretaria de Orçamento Federal da Escola de Administração Fazendária (ESAF), do Ministério da Fazenda.

O artigo analisa a postura fiscal do governo federal entre 2000 e 2016, baseado em uma adaptação do Índice de Fragilidade Financeira, desenvolvida por Hyman Minsky, para o setor público. Os resultados empíricos mostram que a postura “financeira” do setor público federal foi especulativa entre 2000 e 2013 e Ponzi entre 2014 e 2016. Ademais, o Índice de Fragilidade Financeira do Setor Público permite mostrar que a situação fiscal do Brasil deteriorou-se, ao longo do período, independentemente da política fiscal ter sido conduzida de forma pró ou contra-cíclica.

O 1º Lugar foi destinado ao trabalho “Dinâmica de Médio Prazo das Despesas Federais em Saúde e Educação: uma análise à luz das regras fiscais vigentes”, de autoria de Carlos Renato de Melo Castro, Artur Henrique da Silva Santos, Camila Ferraz Peixoto Cavalcante, João Bosco Amaral Júnior, Jorge Luis Teixeira Ávila e Rodrigo de Castro Luz.

Confira mais informações no site do Ministério da Fazenda.

Agora/Rádio Guaíba: Marcelo Portugal comenta manutenção da Selic em 14,25% e fala também sobre governo Temer e a ótima safra de soja no Rio Grande do Sul

Economia Entrevistas Negócios Notícias Poder Política

O economista Marcelo Portugal destacou que a manutenção da taxa Selic deixa a inflação acima de dois dígitos desde o início do ano, o que gera uma situação perigosa para a economia no momento em que o indexador alto incentiva o reajuste de preços e tarifas. Em entrevista ao Programa Agora, da Rádio Guaíba, Portugal disse acreditar que existe uma tática do governo Temer de deixar para anunciar ações mais fortes na economia a partir de agosto, quando tiver certeza de que se manterá no cargo.  Sobre a alta do preço da soja, o economista disse que neste ano o Estado deve colher mais de 16 milhões de toneladas da oleaginosa, o que deve incrementar a economia, principalmente no interior do Estado.

Na mesma linha de raciocínio do economista, a Farsul informou que a entrada da nova sofra de soja nos depósitos gaúchos teve forte impacto nas exportações do estado. Conforme analistas, maio marcou a primeira vez no ano com registro de aumento na comparação entre os mesmos meses de 2015 e 2016. O crescimento foi de 17% em relação ao valor exportado. Somente o Complexo Soja teve um incremento de 28,8% no valor e 35,3% no volume comercializado.

Temer escala criador do Bolsa Família para o social

Temer escala criador do Bolsa Família para o social

Notícias Poder Política

Acusado pela presidente Dilma de querer acabar com os programas sociais, o vice Michel Temer escalou o economista Ricardo Paes de Barros, um dos criadores do Bolsa Família, para elaborar o programa social de seu eventual governo. Na primeira declaração após a aprovação do impeachment pela Câmara, Temer disse que é hora de acompanhar, “silenciosa e respeitosamente”, a análise do processo no Senado. (O Globo)

Aod Cunha: A economia política do impeachment e das necessárias reformas

Aod Cunha: A economia política do impeachment e das necessárias reformas

Artigos Comportamento Economia Negócios Notícias Poder Política

Quando a presidente Dilma foi eleita eu comentei que talvez o PSDB estivesse, para sua sorte, escapado de uma missão quase impossível de ser executada com o PT na oposição : consertar os erros da “nova matriz econômica” e fazer o ajuste fiscal com as reformas estruturas necessárias, como a reforma da previdência.

Continuo achando que esta perspectiva vale em tempos de expectativa de impeachment, embora o PT tenha se desgastado muito desde a posse da presidente Dilma.

É claro que os valores que devem guiar um eventual impeachment ou a permanência da presidente no cargo são mais relevantes que a lógica econômica e devem ser inegociáveis para uma sociedade democrática. Meu único ponto aqui é que todos devem estar preparados para tempos duros de necessários ajustes na política econômica e de reformas muito difíceis.

A atual euforia dos mercados domésticos de câmbio e ações, ao meu ver, ainda subestimam o tamanho do esforço e da capacidade de liderança que o País precisará para voltar a crescer consistentemente. Não se deve ter a ilusão de que o atual apoio da sociedade para o impeachment e a troca de governo garantam apoio para as reformas que um novo governo, seja lá quem for, precisará construir.

Economista especialista em finanças pessoais se mostra preocupado com medidas anunciadas pelo governo

Direito Direito do Consumidor Economia Negócios Notícias Poder Política

 

 

Conversei hoje (29.01) no Agora/Rádio Guaíba com o economista Everton Lopes, especilista em finanças pessoais. Ele disse estar preocupado com a notícia de que o governo injetará mais de R$ 80 bilhões na economia. Everton tem dúvidas se os recursos servirão para aumentar o consumo ou para pagar dívidas. Quanto ao uso de recursos do FGTS, destacou que é preciso planejar o endividamento da população para que o país possa sair da crise.

Economista André Azevedo analisa posse de Barbosa em meio a reação negativa dos mercados

Economia Negócios Notícias

Conversei hoje(22.12.2015) com o economista da Federasul e professor da Unisinos, André Azevedo sobre a missão de Nelson Barbosa à frente do Ministério da Fazenda. A presidente Dilma deu posse em Brasília ao novo ministro da Fazenda buscando oferecer respostas ao mercado financeiro, que recebeu mal o nome de Nelson Barbosa (ex-Planejamento), substituto de Joaquim Levy. A petista disse que o crescimento econômico será retomado “sem guinadas bruscas” e com “metas factíveis” para melhorar as contas públicas. Para ela, ajuste fiscal e crescimento “podem e devem vir juntos”. A analistas e investidores Barbosa se comprometeu a buscar o reequilíbrio das contas. Depois do discurso, o dólar subiu e a Bolsa caiu. Também tomou posse o novo ministro do Planejamento, Valdir Simão.

Economista critica debate econômico centrado no Superávit Primário

Economia Notícias Poder Política

 

Conversei hoje(22.12.2015) no Agora/Rádio Guaíba com Rodrigo Ávila,  economista e membro da Auditoria Cidadã da Dívida. Ele criticou o fato do debate econômico estar centrado no Superávit Primário, pois ocasiona diversos reflexos para o país. Para Rodrigo Ávila, é lamentável que o debate em volta da questão do superávit tenha virado “um circo político”.  Na posse de Nelson Barbosa, no Ministério da Fazenda, a presidente Dilma Rousseff orientou os novos ministros Nelson Barbosa (Fazenda) e Valdir Simão (Planejamento) a fazer o que for preciso para retomar com urgência o crescimento do País sem “guinadas e mudanças bruscas”. Na posse da equipe econômica, a presidente destacou que o equilíbrio fiscal e a melhora da atividade econômica “podem e devem andar juntos”. Ao mesmo tempo em que buscou acenar ao mercado prometendo a continuidade do ajuste, ela disse ser preciso ir “além do corte de gastos e de colocar as contas em dia” para estabelecer o crescimento econômico como prioridade. Sem citar o compromisso com a meta de superávit de 0,5% do PIB, a presidente pediu metas “realistas e factíveis” para construir a credibilidade e reduzir “consistentemente” a dívida pública. O risco de uma guinada na política econômica para garantir o crescimento a todo custo é o maior temor dos analistas do mercado financeiro, que veem na saída de Joaquim Levy o risco de afrouxar o rigor fiscal para tirar o Brasil da recessão.

Economista da CDL Porto Alegre analisa IPCA de novembro

Economia Negócios Notícias

A taxa de inflação brasileira medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para novembro ficou em 1,01% no mês – meio ponto percentual acima do observado no mesmo período do ano passado. Esse resultado puxou a taxa acumulada em 12 meses para 10,48%, a maior para esse mês desde 2002.

Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), o índice foi de 1,03%, levando o acumulado em 12 meses para 11,19% – segunda maior do Brasil, atrás apenas da região de Curitiba (com 12,24%).

De acordo com o economista da CDL Porto Alegre, Victor Sant’Ana, a variação dos combustíveis (4,6%) e alimentos (1,83%) foi o fator que mais influenciou o alto índice no mês: “Embora os combustíveis tenham um aumento maior do que os alimentos, o peso dado aos alimentos na composição do índice é quase cinco vezes o peso dado aos combustíveis. Por isso, a influência da inflação dos alimentos na composição do índice agregado final foi maior do que a influência dos combustíveis”.

Além disso, destaca o economista, a alimentação no domicílio, que teve inflação de 2,46% no mês e corresponde a pouco menos de um sexto do índice final, também impactou no resultado do IPCA de novembro. “O hábito de se alimentar em casa está ficando cada vez mais caro”, avalia Sant’Ana.

 

Agora/Rádio Guaíba: Felipe Vieira entrevista a economista Maria Lúcia Fatorelli

Economia Educação Entrevistas Negócios Notícias Poder Política

 

Conversei no Agora/Rádio Guaíba com a economista Maria Lúcia Fatorelli, da Coordenação do Movimento pela Auditoria Cidadã da Dívida, sobre o que pode acontecer em termos de Brasil após o anúncio de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma na Câmara dos Deputados.